“33 anos do PT”

O Partido dos Trabalhadores comemora sua fundação em fevereiro. “O PT nasce da decisão dos explorados de lutar contra um sistema econômico e político que não pode resolver seus problemas, pois só existe para beneficiar uma minoria de privilegiados”, diz o nosso Manifesto de Fundação.

33 anos depois, e após 10 anos no governo federal, o PT é alvo de um ataque inédito, através do julgamento da Ação Penal 470 no Supremo Tribunal Federal (STF).

Nesse momento, em artigo na Folha de S. Paulo (15/02), o presidente nacional do PT, Rui Falcão, diz que “são tantos os desafios que corremos o risco de não celebrar com a merecida importância a chegada dos nossos 33 anos”. Por que? Acaso comemorar os 33 anos seria contraditório com a celebração dos 10 anos de governo convocada pela direção?

Ao longo destes 10 anos, a luta do povo trabalhador arrancou conquistas. O sistema de partilha para o Pré-sal, ao invés do regime das concessões herdado de FHC. O Piso nacional dos professores que lutam por sua aplicação. E a queda do desemprego com a recuperação dos salários, o aumento real do salário mínimo em mais de 60% que – os sindicalistas sabem e todos estudos sérios provam – são o principal fator de combate a pobreza (muito mais que programas de transferência de renda).
São conquistas, não são benesses do “governo de coalizão”.

Mas a verdade é que o principal, aquilo para que o PT nasceu, ainda está por ser feito: a reforma agrária, a recuperação das riquezas nacionais com a reestatização das empresas privatizadas, o fim da ditadura da dívida e a ampliação dos direitos dos trabalhadores, até o fim do sistema de exploração!

E ainda hoje, é do PT no governo que as massas trabalhadoras esperam medidas para avançar. São poderosos motivos para comemorar os 33 anos do PT. Na razão inversa da sanha com que o STF, a mídia, o PSDB se lançam ao ataque através da AP 470. Querem acuar o PT, depois atacar a CUT e os movimentos sociais, para atingir os direitos e conquistas.

Inclusive para fazer o governo federal ampliar muito mais medidas para “beneficiar a minoria de privilegiados”, tais como as desonerações da folha de pagamento ou a MP dos Portos privatista, contra a qual os portuários se mobilizam.

Somos conscientes que aumenta a pressão do imperialismo em crise para uma política contrária aos interesses do povo e da nação. Mas a luta dos povos, como se vê na América Latina, também pode resistir.

A questão colocada é prosseguir a luta para que o governo faça o que tem ser feito. E para isso é incontornável enfrentar a AP 470. Os tentáculos da ofensiva estão se expandindo. Após a condenação de dois ex-presidentes do PT pelo STF, e da denúncia de Lula pelo Procurador Geral, agora uma procuradora de São Paulo denunciou 72 estudantes e servidores que ocuparam a USP por “formação de quadrilha”, sem prova alguma!

A luta pelos direitos democráticos está na ordem do dia para barrar essa ofensiva. Essa é uma questão que interessa a todo povo.

A responsabilidade maior é da direção do partido. Nenhum petista deveria tergiversar.

Nestes 33 anos, junto com o Diálogo Petista e outros companheiros, chamamos todos os petistas à mais ampla unidade em defesa do PT e dos direitos democráticos.

Reafirmemos a vontade dos trabalhadores inscrita na fundação do partido.

Editorial da edição nº 724 do Jornal O Trabalho