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6º Congresso do PT: Falso combate à corrupção encobre interesses escusos

17 de janeiro de 2017
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O PT não pode mais vacilar frente a ofensiva de um Judiciário apodrecido

No dia do natal, os petistas ganharam o que se pode chamar de um presente de grego. Em entrevista ao O Estado de S. Paulo, o presidente do PT, Rui Falcão, perguntado se o PT vai punir casos de corrupção, aventou a hipótese de o 6º Congresso criar mecanismos para julgar os petistas presos pela Lava Jato.

Apesar de reconhecer “o processo de parcialidade na Justiça brasileira hoje”, Rui Falcão aceita abrir processo interno para petistas aos quais Moro apontou o dedo e colocou na cadeia?

A principal “parcialidade” da Justiça é o fato que o pretenso combate à corrupção é instrumento de uma perseguição feroz contra o PT, para facilitar o caminho à destruição da soberania da nação, a serviço do imperialismo dos EUA. Proliferam evidências das relações entre Moro e o Departamento de Estado norte-americano, além de evidentes serviços que a Lava Jato está prestando para os interesses de grandes multinacionais petrolíferas e da construção civil.

Rui Falcão reproduz o mesmo equívoco do texto de Valter Pomar, “O PT na luta contra a corrupção (contribuição ao Congresso do partido) ”, disponível no site do partido. O texto, depois de afirmar coisas corretas, como denunciar a hipocrisia no combate à corrupção pela burguesia, e mesmo de propor questionar “a legalidade e a legitimidade dos processos desenvolvidos pela Lava Jato e outros semelhantes”, é forçoso dizer, entra no jogo jogado pelo hipócrita combate à corrupção.

Quem acusa?

Pomar afirma que “cabe também avaliar segundo nosso próprio juízo os filiados que estejam sendo acusados de malfeitos”, e propõe “eleger no sexto congresso uma ‘Comissão Especial de Investigação’”.

Acusados por quem? O que menos falta, nesta operação hipócrita de combate à corrupção, são petistas acusados de malfeitos. A começar por Lula, contra o qual Moro, Dallagnol & Cia abriram uma metralhadora giratória. Independente da intenção do proponente, tal proposta joga água no moinho das operações fraudulentas. Moro aponta o dedo e o PT investiga?!

O PT não pode, no 6º Congresso, repetir os erros dos dois últimos. No 4º Congresso (fevereiro de 2014) ao recusar uma campanha pela libertação dos companheiros (José Dirceu, Genoíno, Delúbio naquele momento já presos, e João Paulo, preso alguns dias depois), condenados injustamente na Ação Penal 470. No 5º Congresso (junho de 2015), ao não tirar nenhuma campanha prática pela libertação do companheiro Vaccari, o primeiro petista acusado de malfeito pela operação Lava Jato e preso, dois meses antes do Congresso, em abril de 2015.

Mais grave ainda seria o 6º Congresso dar esse perigoso passo em falso e criar uma comissão para investigar os petistas acusados por Moro e toda turma de togados. Isso só facilitaria o trabalho para os que querem aumentar a safra de petistas acusados de malfeitos. Evidentemente, o movimento operário não deve coabitar com os que queiram viver do movimento e não para o movimento. Mas, absolutamente não é disso que se trata aqui.

Primeiro porque individualizar o problema, procurando culpados, ofusca a verdadeira discussão que o PT está chamado a fazer para livrar-se da política de conciliação (adaptação às instituições, política de alianças eixada na aliança nacional com o PMDB).

Segundo porque o partido não pode vacilar na denúncia das operações fraudulentas desse Judiciário. Ao contrário, o partido está chamado a defender a libertação dos petistas, condição para que o PT possa ter uma posição independente. A libertação dos presos em operações fraudulentas é parte do combate em defesa do PT. E também contra estas instituições que condenam o país ao atraso.

Misa Boito

Artigo originalmente publicado na edição nº 800 do jornal O TRABALHO de 12 de janeiro de 2017.

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