78 anos do assassinato de Trotsky

Em 21 de agosto de 1940 Trotsky morreu, vitima do atentado realizado por Ramon Mercader, agente da GPU, a polícia Stalinista.

Stálin, que já havia matado praticamente todos os velhos quadros do comitê central do Partido Bolchevique da revolução de 1917 consegue, finalmente, assassinar o presidente do Soviete de Petrogrado em 1905, criador do exército vermelho em 1917, orador e escritor incansável, internacionalista, fundador da III e da IV Internacional.

O objetivo do assassinato era impedir que Trotsky continuasse a organizar a classe trabalhadora em escala mundial para lutar pela revolução, incluindo aí uma revolução política na União Soviética Stalinista. Trotsky adotava uma posição de defesa incondicional da URSS diante de qualquer agressão capitalista, mas considerava a burocracia stalinista como contrarrevolucionária.

Para os representantes do Imperialismo “democrático” ou fascista o perigo era claro. Ficou famosa a conversa entre o embaixador francês Coloundre e Hitler divulgada pelo jornal Le Temps, em que o primeiro para tentar evitar a invasão da França pela Alemanha desenvolveu uma série de argumentos, dos quais o único com o qual teve acordo Hitler foi o de que “O risco de uma nova guerra mundial está na possibilidade de sair vitorioso dela apenas Monsieur Trotsky”.

O assassinato de Trotsky era uma necessidade para a burocracia stalinista e o Imperialismo. Seu legado entretanto, continua vivo na luta dos trabalhadores e da juventude pela revolução Mundial. Na luta dos militantes da IV Internacional.

Lutamos, afinal, como disse Trotsky em seu testamento,porque a vida é bela e as jovens gerações devem poder desfruta-la plenamente.

Luã Cupolillo

Confira o testamento de Trotsky, escrito meses antes de seu assassinato:

“Minha pressão sanguínea elevada (e que continua a elevar-se) engana àqueles que me são próximos sobre minhas reais condições físicas. Estou ativo e capaz de trabalhar, mas o fim está evidentemente próximo. Estas linhas serão tornadas públicas após minha morte.

Não preciso mais uma vez refutar aqui a calúnia vil de Stalin e seus agentes: não há uma só mancha sobre minha honra revolucionária. Não entrei, nem direta nem indiretamente, em nenhum acordo, ou mesmo em nenhuma negociação de bastidores, com os inimigos da classe operária. Milhares de adversários de Stálin tombaram, vítimas de falsas acusações. As novas gerações revolucionárias reabilitarão sua honra política e tratarão seus carrascos do Kremlin como eles merecem.

Agradeço ardentemente aos amigos que se mantiveram leais através das horas mais difíceis de minha vida. Não cito nenhum em particular, porque não os posso citar todos.

Apesar disso, considero-me no direito de fazer exceção para o caso de minha companheira, Natália Ivanovna Sedova. Além da felicidade de ser um combatente da causa do socialismo, quis a sorte me reservar a felicidade de ser seu esposo. Durante quarenta anos de vida comum, ela permaneceu uma fonte inesgotável de amor, magnanimidade e ternura. Sofreu grandes dores, principalmente no último período de nossas vidas. Encontro algum conforto no fato de que ela conheceu também dias de felicidade.

Nos quarenta e três anos de minha vida consciente, permaneci um revolucionário; durante quarenta e dois destes, combati sob a bandeira do marxismo. Se tivesse que recomeçar, procuraria evidentemente evitar este ou aquele erro, mas o curso principal de minha vida permaneceria imutável. Morro revolucionário proletário, marxista, partidário do materialismo dialético e, por conseqüência, ateu irredutível. Minha fé no futuro comunista da humanidade não é menos ardente; em verdade, ela é hoje mais firme do que o foi nos dias de minha juventude.

Natascha acabou de chegar pelo pátio até a janela e abriu-a completamente para que o ar possa entrar mais livremente em meu quarto. Posso ver a larga faixa de verde sob o muro, sobre ele o claro céu azul, e por todos os lados, a luz solar. A vida é bela, que as gerações futuras a limpem de todo o mal, de toda opressão, de toda violência e possam gozá-la plenamente.”

Leon Trotsky

Coyoacán, 27 de fevereiro de 1940.