8 de março, primeiros protestos contra a Reforma da Previdência

Lula Livre e combate à violência também marcaram o dia da mulher trabalhadora

Manifestações em todo o Brasil marcaram o 8 de março, Dia Internacional da Mulher Trabalhadora, nas quais pelo menos quatro temas são preocupações comuns às mulheres de norte a sul e apareceram na maioria dos protestos.

A Reforma da Previdência do governo Bolsonaro, foi uma das pautas centrais. A PEC 06/2019 é perversa para todos os brasileiros que vivem do seu trabalho, mas além disso tende a ampliar as desigualdades entre homens e mulheres no mercado profissional e no trabalho doméstico (ver páginas centrais). Assim, o 8 de março aqueceu as baterias para a luta pela derrota da PEC, que se inicia.

Houve muita unidade nas manifestações para denunciar a violência contra as mulheres. Em 2019, até o dia 7 de março, já haviam sido contabilizados 344 casos de feminicídio, resultando na morte de 207 mulheres (os outros 137 foram tentativas). Um caso a cada quatro horas e 31 minutos nos primeiros 64 dias do ano.

Lula Livre!…

Por todo o país, também ecoaram os gritos de “Lula Livre!”. E isso, apesar da vontade de várias organizações de esconder a questão.

Como explicaram as mulheres do PT, da CUT e outras, a luta pela liberdade de Lula tem tudo a ver com as reivindicações das mulheres. Inclusive porque foi através da prisão política de Lula que conseguiram eleger seus representantes para, agora, tentar impor a reforma da Previdência.

Felizmente, para a maioria das mulheres trabalhadoras presentes nos atos, essa questão é clara. Foi assim que, em São Paulo, apesar do acordo na organização do ato ter deixado de fora a palavra de ordem de “Lula Livre” nos materiais, cada vez que uma oradora puxava o grito, milhares e milhares de mulheres se ecoavam.

…Marielle vive! Às vésperas de se completar um ano da morte da morte da vereadora do PSOL no Rio, Marielle foi homenageada nas faixas, palavras de ordem, cartazes e falas em todo o país. Todas cobram justiça para Marielle e Anderson, questão que mostrou toda a sua importância quando, 4 dias depois, foram presos dois suspeitos da execução. “Quem mandou matar?” é pergunta que precisa ser respondida urgentemente, ainda mais frente a tantos indícios de ligação entre as milícias, os suspeitos do assassinato e a família Bolsonaro.

Participação do PT precisa melhorar

Não há dúvida sobre o papel que as mulheres do PT jogam na organização dos atos de 8 de março, inclusive para garantir sua expressão nacional (em várias cidades do interior, é o PT quem está presente). Mas também em vários locais se nota uma dificuldade em apresentar uma expressão própria durante a mobilização.

Em São Paulo, apesar do ponto de encontro, faixas e distribuição de materiais, havia muita dispersão, com muito mais petistas presentes do que aquelas agrupadas nas faixas do partido. Em Vitória da Conquista (BA), faltou camisas e bandeiras. Em outras cidades, militantes do partido reclamam que não houve intervenção própria do PT e, com isso, outras organizações acabaram dirigindo sozinhas os atos.

Uma questão para avaliação e debate no PT, para buscarmos os meios de expressar melhor a defesa de Lula e do nosso partido e dar lugar a todo petista presente nas mobilizações.

Priscilla Chandretti