A advertência eleitoral no Tocantins

A eleição suplementar (mandato tempão de seis meses) dia 3 no Tocantins (1 milhão de eleitores), devida à cassação do governador Marcelo Miranda (MDB), traz uma advertência nacional.

Metade, exatos 49,3%, dos eleito­res, se abstiveram. E dois candidatos do “centrão” – Carlesse (PHS) com 30,3% e Vicentino (PR) com 22,2% – vão ao segundo turno. Isso porque o PT, ao invés de apresentar candidato próprio, se dividiu entre apoiar o 3o colocado, Carlos Amastha (PSB) com 21,4%, e a 4a colocada, Kátia Abreu (PDT) com 15,7% dos votos válidos.

DR e DN contra o 6o Congresso

O PT local coligou com PSB-PTB­-PCdoB, e indicou Carlos Lemos a vice de Amashta, prefeito (reeleito) da capital, Palmas, aonde chegou pelo PP. Grande empresário de shoppings e ensino à distância, foi, todavia, contra o impeachment de Dilma. Mas o seu discurso de campanha era de gestão e moral (“contra a velha política”), não para os oprimidos e explorados.

O Diretório Nacional do PT decidiu por maioria, a intervenção “política”, no Diretório Regional em favor de Kátia, que não foi aceita, apesar de que ela vo­tou contra o impeachment. Ex-ministra da Agricultura de Dilma pelo MDB, Kátia é uma liderança pecuarista inimiga dos sem-terra. Hoje no PDT, teve Ciro Gomes, candidato a presidente, na sua campanha. Entre outras coisas, na segu­rança propunha um “banco de horas” para os policiais venderem suas folgas!

O MST não se posicionou, apesar de ter várias denúncias contra Kátia no site; EPS, grupo do PT com rela­ção no MST, a apoiou.

A confusão final foi grande. Amastha ficou fora do segundo turno por uma diferença de apenas 0,81% (4.655 vo­tos). Certamente pesou a carta enviada por Lula, da prisão, aos petistas (e vídeo de Gleisi), apoiando Kátia “por dever de gratidão e lealdade”.

Lula se desgasta com isso. Lealdade política é necessária, mas certo estava o 6o Congresso em prescrever alianças de governo apenas com “setores anti­-imperialistas, antimonopolistas, antilati­fundiários e radicalmente democráticos”. Outros setores do PDT e PSB, sim, mas nem Amastha nem Kátia mereciam apoio do PT, que devia ter candidato próprio.

Uma lição: o critério democrático de não ser golpista, sem conteúdo social, é insuficiente, e o eleitorado petista não vota em qualquer um.

João Alfredo Luna