A greve acabou, mas a luta continua

21 de setembro: milhares de grevistas dos Correios, vindos de vários estados, se manifestam em Brasília

A greve dos trabalhadores dos Correios encerrou-se em 22 de setembro, após 36 dias de luta em defesa das 79 cláusulas do seu Acordo Coletivo. O julgamento do dissídio no Tribunal Superior do Trabalho (TST) no dia 21 manteve apenas 29 cláusulas do Acordo, estipulando uma multa diária de R$ 100 mil caso os grevistas não voltassem ao trabalho.

Foi a maior greve da história dos trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), embora tenha enfrentado vários obstáculos.

Judiciário alinhado com o governo
A decisão do TST obriga desconto da metade dos dias parados e compensação da outra metade, além de mudanças desfavoráveis no plano de saúde. Determina também um reajuste de 2,60% a partir de 1º de agosto de 2020, mas que não é nada diante das perdas de até 40% na remuneração e da retirada de direitos, como a diminuição do tempo de licença maternidade, a liberação de dirigentes sindicais, o auxílio para dependentes com deficiência, anuênios, reembolso creche babá e outros.

A justificativa de prejuízo financeiro alegada pela ECT, presidida pelo general Floriano Peixoto, não fica em pé diante dos lucros obtidos, inclusive na pandemia. Para a Fentect (federação filiada à CUT), a decisão do TST revela “o alinhamento político ideológico do Tribunal com o governo e com a retirada de direitos”.

Greve heróica, mas isolada
A greve foi iniciada conjuntamente pelas duas federações (Fentect- CUT e Findect-CTB), no entanto terminou separada. No próprio dia 21, quando cerca de 3 mil ecetistas foram em caravanas à Brasília a chamado da Fentect-CUT para acompanhar o julgamento do TST, o sindicato de São Paulo, filiado à Findect-CTB, decidiu em assembléia virtual, assim que terminou o julgamento, voltar ao trabalho. Decisão dividida com 699 a favor, 671 contra e 38 abstenções.

A disposição de luta dos trabalhadores dos Correios ao longo da greve merecia um apoio mais efetivo de outros sindicatos e da própria CUT no engajamento na solidariedade ativa. Para tanto seria preciso que a postura do “fique em casa” fosse superada com a participação em piquetes, bloqueios e manifestações que ocorreram em todo o país.

O mesmo para o PT, cujos dirigentes e parlamentares poderiam ter jogado um papel mais ativo na solidariedade à greve. Até o Lula decepcionou os grevistas, pois no seu discurso de 7 de setembro, onde combateu a privatização das estatais, nada disse sobre a greve dos Correios que estava em curso.

“Recuperar forças para as próximas lutas”
Apesar do resultado desfavorável no TST, a Fentect-CUT conclamou os trabalhadores a “sair de cabeça erguida e recuperar todas as forças para enfrentar as próximas lutas”. A primeira dela é contra a privatização dos Correios, que segundo seu general-presidente declarou “a desestatização já está em curso”.

A greve acabou, mas a luta continua como disseram os ecetistas.

Paulo Riela