“A hora de lutar é agora”

Mais de cinquenta delegados eleitos em reuniões de núcleos de 16 estados participaram da Plenária Nacional da Juventude Revolução do PT em 19 e 20 de setembro. Nos debates que ocorreram virtualmente em função da pandemia, os jovens discutiram a crise e necessidade de lutar contra o capitalismo. Um sistema que destrói a humanidade, mas encontra resistência em vários países. A plenária adotou uma resolução que se dirige aos jovens dispostos a resistir por condições dignas, se organizar e participar das mobilizações, chamando a “Lutar nas ruas para respirar e por um fim nesse desgoverno”.

Preparação animada
Com base na convocatória da plenária, foram realizadas mais de cinquenta reuniões com a participação de cerca de 450 jovens. Estas reuniões discutiram também a situação nos municípios e iniciativas para resistir aos ataques e enfrentar o governo Bolsonaro. Em Araquari (SC), Vitor Henrique, pré-candidato a vereador pelo PT, disse: “irei pra plenária defender acesso a lazer, cultura e trabalho pros jovens e que eles não sejam criminalizados e marginalizados”. Nestas reuniões preparatórias e na plenária, vieram à tona questões como a falta de emprego, a dificuldade de acessar o auxílio emergencial, o problema do aumento do preço dos principais alimentos, a falta de testes e condições para retorno das aulas presenciais, a precarização dos estudos com esse ensino remoto. Para Jeffei, de Volta Redonda (RJ), é preciso “organizar em cada município os setores jovens que defendem mais serviços públicos e lutar contra o governo, buscando uma saída pra situação que vivemos”.

Condições para estudar na volta presencial!
O tema do retorno presencial das aulas veio de diversos cantos do país, pois vários governos tentam impor uma volta sem condições. Num dos grupos de discussão Theo, de São Paulo (SP), disse “o prefeito Bruno Covas (PSDB) marcou a volta para 7 de outubro sendo que as escolas não tem condições de segurança garantidas. Ir sem teste e proteção é certeza de pegar o vírus e levar pra casa”. Carlos, de Belém (PA), afirmou estar “cansado desse governo Bolsonaro destruindo a educação”. Tem razão! É necessário mais investimentos e não cortes, mais professores e não demissões, mais merendas, mais assistência estudantil etc. Nos debates aparecia a exigência de testagem da comunidade escolar para que sejam reabertas as escolas com aulas presenciais. A situação exige iniciativas como ocorreram no Rio Grande do Sul, Amazonas e outros estados com atos de rua exigindo condições para retomar aulas. Sem dúvida, têm lugar neste combate as entidades estudantis para ajudar mobilizar as lutas pelos direitos dos estudantes. A plenária decidiu participar das atividades do dia nacional de mobilização da UNE e UBES dia 23 que, pressionadas pela situação, foram obrigadas a se mover. Nos atos de rua apareceram faixas e cartazes exigindo testes para Covid e condições de segurança garantidas para o retorno.

Ato no Rio Grande do Sul no dia nacional de mobilização da UNE em 23 de setembro
Ato no Rio Grande do Sul no dia nacional de mobilização da UNE em 23 de
setembro

É o sistema que tem de mudar
A plenária foi construída nas lutas concretas. Em Arapiraca (AL) houve abaixo-assinado contra a implementação do ensino remoto no IFAL, que deveria ser apenas complementar. No RS, atos na porta das escolas exigiram testes e condições seguras para o retorno das aulas. Na UnB, em Brasília, a luta exigia a posse da reitora eleita pela comunidade. Renata, da zona sul de São Paulo, afirmou que “muitos perderam emprego e o auxílio emergencial não chega. Essa situação caótica é responsabilidade do governo e do sistema, que precisamos enfrentar”. Esse sentimento é correto e a rebeldia da juventude é uma chama para ajudar derrubar esse regime. Cada luta alimenta outra e ajuda na força necessária para, junto com os trabalhadores, acabar com o governo Bolsonaro. São lutas que, como em outros países, se chocam com o imperialismo mostrando que, no fundo, é o sistema que tem de mudar. A plenária integrou na discussão a questão da Assembleia Constituinte Soberana, na perspectiva de varrer estas instituições podres e abrir e abrir caminho para mudanças radicais como a revogação do teto de gastos e a desmilitarização da PM.

Eleições municipais estão aí.
Muitas das questões apresentadas pelos jovens serão pautas das próximas eleições. A expectativa é que as candidaturas petistas sejam um espaço para discutir essas questões e ir às lutas. Itamar, do Ceará, destacou: “precisamos ir à luta de rua com as mobilizações, junto com candidaturas de jovens petistas porque são uma forma de atacar esse sistema que nos oprime”. A turma do núcleo de Juiz de Fora relatou uma boa reunião para entregar reivindicações à pré-candidata do PT à prefeitura, que se comprometeu com pautas como a revitalização de pistas de skate na cidade e implementação de linhas de ônibus que liguem a periferia ao campus universitário. É isso aí, a pandemia mostrou como precisamos da ampliação dos serviços públicos: mais hospitais e escolas públicas, espaços de cultura e esporte nas comunidades, delegacias da mulher 24h, ampliação das rotas de transporte público e melhorias no sistema de limpeza e saneamento urbano. As eleições também serão uma trincheira para lutar contra o governo federal e pela restituição dos direitos políticos de Lula e anulação dos processos contra ele.

Organizar e lutar nas ruas
A plenária representou um vigoroso intercâmbio para renovar as energias e seguir as lutas. Os ataques do imperialismo presente na política dos mais variados governos ao redor do mundo empurram milhares de pessoas, sobretudo jovens, às lutas cotidianas. Esse combate, ao lado dos trabalhadores, é a força capaz de enfrentar esse sistema que só tem guerra e destruição a oferecer. Agora, nas reuniões de prestação de contas dos delegados, é possível se apoiar na resolução adotada e ampliar iniciativas.

Katrina