A luta continua: organizar a resistência!

Finda as eleições, a luta continua, em condições mais difíceis, sem dúvida, para a classe trabalhadora e as camadas oprimidas, que entram num período de defender-se dos ataques que o governo eleito anuncia, dando prosseguimento ao processo de desmantelamento dos direitos e da soberania que Temer iniciou com o golpe de 2016.

O ano de 2018 foi marcado pela expectativa de derrotar nas urnas o golpe. Expectativa que se manifestava nas pesquisas e atividades de rua, da preferência inequívoca pelo voto Lula, até quando ele foi retirado das sondagens eleitorais em função da impugnação feita sob encomenda dos interesses do capital financeiro e servilmente cumprida pelas instituições.

Eleições marcadas pela fraude, desde a condenação e prisão de Lula, e todas as restrições que lhe foram impostas, o PT decidiu disputá-la e com reais chances de vitória, primeiro com Lula e depois com Haddad. Sim havia condições de vitória e, por isso mesmo, a fraude que começou com a retirada de Lula só se aprofundou, de uma maneira jamais vista nas últimas eleições presidenciais.

Sob o comando dos interesses do capital especulativo, a burguesia, as instituições, a mídia, as cúpulas das igrejas evangélicas, enfim os que tinham a perder com a vitória do PT, alinharam-se a Jair Bolsonaro. E, numa “sacrossanta” aliança, instauraram o vale tudo com o beneplácito do poder Judiciário.

As classes dominantes, sem outra alternativa, perfilaram-se a Bolsonaro que trouxe com ele, dos porões da ditadura, representantes das Forças Armadas como fiadoras de sua candidatura.

A foto da seção solene no Congresso Nacional no último dia 6 que estampamos na capa desta edição, é emblemática da situação. O presidente golpista Temer, Bolsonaro, eleito nas condições que se conhece, e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Toffoli, perfilados em nome da Constituição de 1988, para prosseguir a pilhagem dos direitos dos trabalhadores e da soberania nacional. A começar pelo ataque à Previdência, o que foi cobrado na manhã do dia 29 pelas agências do capital financeiro.

O PT está de pé, como ferramenta na luta pelos direitos e pela democracia

Dias difíceis se anunciam, mas é possível resistir. O PT sai derrotado das eleições, mas está de pé como o principal instrumento de luta pela democracia, pelos direitos.

Ao lado da CUT, dos movimentos populares, de partidos e setores comprometidos com os interesses dos trabalhadores e da nação, e das organizações da juventude, cabe ao PT a responsabilidade de organizar a resistência em defesa da democracia e dos direitos.

Nesta empreitada, o partido está chamado a fazer um balanço. É verdade que o resultado eleitoral foi urdido por uma campanha monstruosa, com meios poderosos, para disseminar o antipetismo. Mas é verdade também que esta campanha encontrou terreno para prosperar frente à frustração com os 13 anos de governo petista. Sem desconhecer as conquistas do período, amplas parcelas de nossa base social, especialmente nos grandes centros, ressentem-se da política que entrou em choque com suas expectativas.

O curso aberto no 6º Congresso do PT que apontava o caminho de ruptura com as instituições que alicerceiam um sistema repudiado pelas massas – sentimento fraudulentamente reivindicado por Bolsonaro – precisa ser retomado.

Afinal foi dali que o PT reuniu forças para sair da situação de 2016 e chegar ao segundo turno das eleições presidenciais, eleger a maior bancada de deputados federais e quatro governadores.

O PT está de pé, e por isso mesmo a perseguição dos poderosos vai prosseguir, a defesa do partido passa pela defesa da liberdade para o companheiro Lula.

Em defesa da democracia, Lula Livre! Em defesa dos direitos, não mexam na previdência! São as tarefas imediatas na luta que continua.