A vitória de Andrés Manuel López Obrador

 A vitória de Andrés Manuel López Obrador (AMLO) nas eleições presidenciais do México representa um alento para a luta dos trabalhadores e povos de toda a América Latina.

Com a segunda maior economia e a segunda maior população da região, atrás somente do Brasil, o México passará a ter um presidente visto pelas amplas massas como anti-imperialista. O imperialismo estadunidense sofre uma derrota categórica. Ela vem somar-se à crise econômica em que o governo pró-imperialista da Argentina colocou o país e à divisão dos golpistas brasileiros que sequer conseguem um candidato competitivo para disputar com Lula. Nessas condições, o giro na situação do México se dá a favor das massas que lutam por seus direitos e por soberania nacional em toda a região.

A seguir, publicamos declaração do Comitê de Diálogo, agrupamento de trabalhadores que luta por uma representação política independente e no qual intervém os militantes da 4ª. Internacional no México.

A redação


“Nas eleições de 1º de julho de 2018, López Obrador foi eleito presidente com mais de 32 milhões de votos (53,1% dos votos emitidos). Seu partido, Morena, e a coalizão de partidos que encabeça (“Juntos faremos história”) obti­veram a maioria nas Câmaras de deputados e senadores. Dos oito governos estaduais em disputa, em quatro deles lidera. Ganhou a eleição para a Cidade do México (DF), a capital do país, e em mais três capitais de estados.

É um fato sem precedentes na história do país. O PRI, pilar po­lítico do regime, foi esmagado. É um triunfo do povo trabalhador mexicano, um triunfo da nação!

A campanha dos meios de co­municação (mentindo, buscando confundir e aterrorizar o povo) os enormes recursos utilizados na compra de votos pelos partidos pilares do regime, aos quais se integrou plenamente o PRD, não puderam deter a mobilização elei­toral de milhões e milhões do povo trabalhador.

O voto da população trabalhado­ra do campo, das pequenas vilas, das cidades, expressa o profundo rechaço das grandes maiorias do país contra a corrupção, a violência, a pobreza, as medidas destrutivas e as contrarreformas (educativa, tra­balhista, energética…) orquestradas pelo regime do PRI-PAN ao longo das décadas passadas.

É o rechaço à política entreguis­ta (pró-imperialista) do governo Peña Nieto, da máfia do poder, que serviu de apoio a Trump durante as eleições dos EUA , que aceita a política do muro e da violência contra as famílias de migrantes, de redução do país a um território de empresas maquiadoras e, sobretu­do, de entrega das riquezas naturais do país ao capital financeiro (petró­leo, água, minas…)

“Uma quarta revolução do povo mexicano”

Inicia-se uma quarta etapa, uma quarta revolução, ‘pacífica, mas radical’, na história do povo me­xicano, disse López Obrador. De fato, inicia-se uma nova etapa na situação política e social do país, cujos objetivos serão seguramente recuperar os direitos conquistados que os sucessivos governos vieram destruindo e, sobretudo, alcançar os objetivos não atingidos nas etapas anteriores de nossa história.

‘Autêntica democracia’, disse Ló­pez Obrador, o que quer dizer para os trabalhadores o direito de dirigir nossas organizações sindicais e nos­so direito a ter uma representação política independente.

Plena soberania nacional! O que quer dizer defesa de nossas riquezas naturais, defesa dos imigrantes, re­chaço às ameaças do imperialismo, apoiando-nos na mobilização da população e na solidariedade dos povos trabalhadores da América Latina e do mundo.

Sentimos que o triunfo do povo trabalhador mexicano e da nação é também uma contribuição à luta dos povos da América Latina e do Caribe em defesa de seus direitos e contra a intervenção (encoberta ou descarada) das potencias do­minantes e do governo de Trump. Sentimos que, inclusive dentro dos EUA, temos um potente aliado na classe trabalhadora (com suas dife­rentes componentes) na luta contra a política imperialista de Trump.

Estamos alerta frente às ameaças que estarão presentes nos próximos dias e semanas. A ameaça de frau­de está presente para a imposição de governadores, de deputados e senadores de parte do PAN-PRD e PRI, quer dizer, da máfia do poder e do controle que exercem sobre as instituições eleitorais e as estruturas de poder nos estados da federação.

Eis a conclusão que tiramos:
a) este primeiro triunfo do povo e da nação mexicana exige mais do que nunca a organização da classe trabalhadora, independente, no terreno sindical, no terreno polí­tico, desenvolvendo uma política de apoio às medidas progressistas que o governo de López Obrador adotar, uma política de unidade com o partido de López Obrador e com todas as organizações em luta pelas demandas do povo traba­lhador e em defesa da soberania e unidade da nação. É hora de parar a política entreguista da nação! Não à política de destruição dos direitos e conquistas da classe trabalhadora!
b) na maré social que se levantou, vemos como os trabalhadores se agruparam para impulsionar o voto Obrador, buscando ao mesmo tempo expressar suas demandas e necessidades.

Partindo disso, vemos a necessi­dade de abrir um amplo diálogo com todos trabalhadores e luta­dores que defendem os interesses nacionais, diálogo sobre a nova situação política que se abre no país e sobre como avançar na luta pelas demandas, pela democracia, defesa da soberania e unidade da nação mexicana, por uma represen­tação política dos trabalhadores do campo e da cidade.

Faremos uma Reunião Nacional em 4 de agosto na Cidade do Mé­xico para fazer o balanço e apontar as perspectivas da nova situação nacional política e social, que, por sua vez, é parte de uma nova situação mundial na qual a classe trabalhadora e os povos, em todos os continentes, estão lutando para defender suas conquistas e direitos para fechar o caminho à guerra e à destruição que pretendem os go­vernos das potências imperialistas. Ocasião em que apresentaremos os resultados da reunião que cons­tituiu o Comitê internacional de ligação e intercâmbio nos dias 8 e 9 de junho em Paris.”