África do Sul no período pós eleitoral

A África do Sul realizou eleições gerais em 8 de maio. Dos 48 par­tidos políticos participantes, apenas 14 conseguiram eleger parlamentares.

Os maiores vencedores foram o EFF (Economic Freedom Fighters: Lutado­res pela Liberdade Econômica, cisão do governista Congresso Nacional Africano, CNA – NdT), que obteve 19 assentos a mais do que os 25 conse­guidos em 2014, e o VF Plus, partido branco de direita, que dobrou seus assentos. O CNA perdeu 19 assentos e não conseguiu maioria de dois terços no Parlamento. Quando se considera a baixa taxa de participação dos elei­tores, o CNA vai governar o país com apenas 28% dos votos totais.

Os partidos perdedores reclama­ram de fraudes generalizadas, mas observadores internacionais e o IEC (tribunal eleitoral) consideraram as eleições livres e justas. O dado mais interessante das eleições foi que os partidos brancos estavam muito pre­ocupados com a desapropriação de terras sem compensação. Entretanto, a questão da terra mal foi mencionada pelo CNA ou pela EFF.

O CNA, dependente de seu bilioná­rio presidente Cyril Ramaphosa, luta­va pela sobrevivência, tentando evitar aparecer como totalmente corrupto. Dirigentes do CNA reconheceram que sem Ramaphosa o partido não teria ido além de 40%. No entanto, o CNA ainda está dividido e o presidente permanece impopular entre os diri­gentes, a maioria dos quais continua aliada ao ex-presidente Jacob Zuma. Temem que, sob Ramaphosa, possam enfrentar acusações criminais.

O EFF, por outro lado, alega que não apresentou a questão da terra em sua campanha porque já a levantou no Parlamento.

Por um partido dos trabalhadores
A única maneira de construir um verdadeiro partido dos trabalhadores na Azânia (África do Sul) é encorajar e mobilizar todos os trabalhadores e organizações políticas que demonstrem interesse no projeto, independentemente de suas filiações políticas. Não se deve excluir a priori pessoas e organizações por pertencerem a dife­rentes correntes políticas.

O resultado das eleições pode aju­dar a criar uma oportunidade para refletir fora da pressão criada pelas eleições. Construir um partido ope­rário forte deve se tornar nossa tarefa mais urgente. Sempre vimos o Partido Socialista da Azânia como um dos primeiros tijolos para a construção de um partido operário.

Como havíamos assinalado antes, o Parlamento sul-africano será do­minado por pessoas totalmente su­bordinadas às instituições do capital financeiro internacional, que pouco se importam com os trabalhadores, com a maioria negra e com a criação de uma república moldada pelas aspirações do povo e da verdadeira democracia, a república negra.

Lybon Mabasa,
presidente do Partido Socialista da Azânia