SITE DA CORRENTE O TRABALHO DO PT - TENDÊNCIA INTERNA DO PARTIDO DOS TRABALHADORES - SEÇÃO BRASILEIRA DA 4ª INTERNACIONAL -
CORRENTE O TRABALHO DO PT

Alemanha: Resistência da base ecoa no congresso do Partido Social-Democrata

18 de fevereiro de 2018
spd

Posição contra a abertura de negociação para coalizão com Merkel tem grande apoio

O congresso extraordinário do Partido Social-Democrata (SPD) da Alemanha, realizado em 21 de janeiro, desencadeou um terremoto. Na votação sobre a abertura de negociações para fechar uma coalizão de governo com Angela Merkel, 279 delegados (43,46%) se pronunciaram pelo não e 362 (56,39%) votaram sim.

Ainda que uma maioria formal tenha sido obtida, trata-se de uma derrota dramática para a direção do partido em torno de Martin Schulz, isto é, para a direção que, apesar de várias mudanças, representa a continuidade da política de contrarreformas da Agenda 2010, desenvolvida desde o governo Gerhard Schröder (SPD), de 1998 a 2005.

Tal rejeição à política da direção é, de certa forma, inédita num congresso do SPD depois da Segunda Guerra. E os números não correspondem à maioria real existente na base do partido. Em Colônia, por exemplo, às vésperas do congresso, mais de dois terços da direção local do SPD foram contra a abertura de negociações de coalizão. Em Dusseldorf, a subcomissão local havia votado o mesmo por ampla maioria. Em Dortmund, 90% dos delegados locais são contra a chamada grande coalizão (“GroKo”).

Quando Schulz tomou a palavra após a abertura do congresso, fez um discurso sem inspiração, longo e ruim. Sua incapacidade de “atingir os delegados” conforme os termos empregados mais tarde pela imprensa, demonstrou a defensiva e a insegurança da direção. Ficou claro que Schulz e os dirigentes do partido não poderiam ter obtido a maioria neste congresso sem o apoio da direção da DGB, central sindical alemã.

Combate continua
O congresso mostrou também que uma força amadurece no interior do partido. Vários oradores enfrentaram a direção. Muitos delegados vindos das fileiras dos jovens socialistas (Jusos) construíram essa resistência contra a linha da direção. O mesmo se aplica a Hilde Mattheis, a presidente da DL21 (corrente de esquerda do SPD).

Em um discurso inflamado, a delegada Gerlinde Schermer, de Berlim, lembrou que nem sempre, como se alega, é “o CSU” (partido bávaro aliado da CDU de Merkel) que impede o SPD de realizar uma política melhor, pois foi Sigmar Gabriel, membro do SPD e vice-chanceler no governo Merkel, quem introduziu a alteração constitucional que tornou possível mais uma etapa de privatização dos serviços públicos.

Em todo o país, os social-democratas acompanharam o desenrolar do congresso. Eles se sentem fortalecidos com a votação e encorajados a continuar o combate contra a “GroKo”.

Correspondente


Metalúrgicos em luta

Sem se deixar impressionar pelas brigas entre os negociadores da coalizão em torno de “correções de erros da Agenda”, os metalúrgicos alemães foram à luta. A direção do poderoso IG Metall, o sindicato dos metalúrgicos, tem dificuldades para conter esse movimento. Nas últimas semanas, mais de 900 mil metalúrgicos participaram de curtas greves de advertência. A direção do IG Metall convocou, então, pela primeira vez no país, greves de advertência de 24 horas na indústria metalúrgica e elétrica.

Os trabalhadores não aceitam correção de seus salários apenas pela inflação – reivindicam aumento real de salários para os três milhões de metalúrgicos. Querem também romper com o princípio patronal de que a redução da jornada de trabalho seja acompanhada da redução de salários. Há ainda uma retomada do combate contra a precarização dos contratos de trabalho e pela reconquista das convenções coletivas.



Outras publicações

15 de maio de 2018

Milhares de trabalhadores da África do Sul (Azânia, como o povo chama sua nação) fizeram greve no dia 25 de abril, contra a decisão do presidente Cyril Ramaphosa de impor um salário mínimo de miséria e realizar uma reforma das leis tra­balhistas visando a restringir a ação dos sindicatos. A greve, acompanhada de atos públicos […]


14 de maio de 2018

A greve dos profes­sores na Virgínia Ocidental mostrou o caminho a todos os professores dos Esta­dos Unidos (EUA). Em nove dias de uma greve apoiada por assem­bleias gerais maciças, de 23 de fevereiro a 3 de março, eles con­quistaram 5% de rea­juste e a cobertura so­cial que reivindicavam. O desenvolvimento dessa mobilização é instrutivo: em […]


3 de maio de 2018

As eleições de 20 de maio na Ve­nezuela se dão numa situação de guerra de preços, escassez de alimentos e remédios, insegurança à qual se soma um caos do transporte, apagões de energia, manipulação do cambio do dólar paralelo. Tudo isso num país cada vez mais dependente de importações de bens de primeira necessidade e […]


SITE DA CORRENTE O TRABALHO DO PT - TENDÊNCIA INTERNA DO PARTIDO DOS TRABALHADORES - SEÇÃO BRASILEIRA DA 4ª INTERNACIONAL -