Aonde vai o Brasil?

Projeção durante panelaço em SP

A calamidade é o governo Bolsonaro

A crise é mundial, mas o tumulto no Brasil talvez seja maior. Basta ver que nas últimas semanas – mesmo se o governo dá uma sinalização e depois a contraria – a Bolsa cai e o dólar sobe. A crise está no governo. Ele convoca uma coletiva de imprensa, mas cai na popularidade!

Em momentos de tumulto é preciso fixarmos as tendências de fundo.

Bolsonaro avança e recua, mas segue sua escalada bonapartista autoritária contra os direitos e a soberania, apoiada no capital financeiro. É da sua natureza não esperar 2022. Frente à crise econômica e à pandemia ele continua: faz tramitar a MP 905, abre para a redução de salários, inventa o vale de R$ 200 mensais para viver, realmente não coordena muito e deixa à míngua o SUS sucateado há anos.

Mas a sua força de rua (“fascista”) ainda é limitada para quebrar as entidades sindicais e populares, assassinar os dirigentes etc. Por isso, nessa aventura ele depende muito de dois fatores: arrastar as Forças Armadas, as PMs e as milícias, de um lado, e da passividade da oposição, do Congresso e do STF, de outro lado. O realismo mostra que ele está sendo bem servido.

Nas coletivas de imprensa no Planalto dia 18 de março, ele reivindicou os atos golpistas e de sabotagem sanitária do domingo dia 15. E ainda convocou para os novos atos em 31 de março na porta dos quartéis!

Ele não parece ter girado para uma “união nacional”, como quer a boa parte da classe dominante em vários países. Aqui, ele quer usar a crise e a pandemia para aprofundar a escalada. Maia não foi no Planalto para se preservar, o vira-casaca Toffoli foi. E Orlando Silva (PCdoB) se prestou a relator do decreto de “calamidade pública”.

Dia 18 o pêndulo se moveu
Mas a marca deste dia 18 não foi isso. Depois que as centrais sindicais suspenderam manifestações de rua por razões sanitárias foi marcado pelo panelaço nas grandes cidades que começou espontâneo no dia anterior e sufocou a tentativa de contra panelaço.  Neste dia, se viu que o pêndulo das classes médias – boa parte ex-bolsonaristas – se moveu. Os trabalhadores ainda não entraram em cena, mas foi um dia para a história, pelo impacto da mobilização social possível nesta situação.

É normal que as sacadas ecoem “Fora Bolsonaro” e vários insultos, mas não muito para um impeachment, apesar de evidente o crime de responsabilidade.

É a reacionária deputada Janaína Paschoal quem explica que não há “tempo” para impeachment e, coerente, propõe a renúncia para Mourão assumir, o que dá no mesmo, e continuar o mandato deste governo. Mais “ousado”, mas não menos reacionário, o governador Dória joga a Antecipação das Eleições Presidenciais para junto das Municipais de outubro, enquanto Maia na Câmara certamente faria as reformas e o traíra Toffoli bancaria.  Tem muita gente buscando uma saída… mas os que gritavam “Fora” não pediram Mourão nem Maia.

Fim do Governo Bolsonaro é o único caminho
As pautas de reivindicação e propostas emergenciais de saúde e seguridade para proteger os trabalhadores são o foco das organizações. Mas uma diferença com muitos países nesta crise mundial, é que no Brasil houve um salto imediato nos protestos contra o governo de plantão.

Surpreendente? É que uma parcela maior do povo percebeu que não vai melhorar nada, nem enfrentar a pandemia com esse governo!

Na história das lutas sociais aconteceu de terríveis catástrofes – guerras, bancarrotas – acabarem levando o povo à radicalização da luta pela emancipação. Ele pode entender em meses, desafios que não compreendeu em décadas. Depende de vários fatores, e do que fizerem suas lideranças principais.

A conclusão prática é, apesar da situação difícil, levantar a cabeça. Ligar as exigências econômicas e sanitárias às grandes reformas para salvar a nação do desastre. E, para isso, integrar a luta pelo fim da “calamidade”, o governo Bolsonaro, no debate e na mobilização social.

O que será um passo, para, com o povo na rua, logo mais, terminar com esse sistema apodrecido através de uma Assembleia Constituinte que refunde as instituições – com um novo governo -, que anule as medidas de Temer e Bolsonaro, e reerga o Brasil com democracia e justiça social.

JAL