SITE DA CORRENTE O TRABALHO DO PT - TENDÊNCIA INTERNA DO PARTIDO DOS TRABALHADORES - SEÇÃO BRASILEIRA DA 4ª INTERNACIONAL -
CORRENTE O TRABALHO DO PT

Argélia: após eleições, abre-se uma nova situação

23 de maio de 2017
Louiza Hanoune coletiva

O Partido dos Trabalhadores denuncia fraude nas eleições parlamentares

Em 4 de maio ocorreram eleições legislativas na Argélia.

A coalizão no poder, uma aliança entre a FLN (Frente de Libertação Nacional) e o RND (Reagrupamento Nacional Democrático), manteve a maioria absoluta na Assembleia Nacional Popular. Mas a FLN, ex-partido único, que domina a vida política do país desde a guerra da independência, caiu de 221 deputados para 164. A RND, seu gêmeo e concorrente, ganhou 37 cadeiras, ficando com 97 deputados. Acrescentando os deputados de pequenos partidos próximos do poder, como os islamistas do TAJ (Tajamoue Amal El Jazair) e o partido de direita MPA (Movimento Popular Argelino), o bloco majoritário que sus­tenta o governo manteve praticamente o mesmo tamanho.

As formações de esquerda, como a Frente das Forças Socialistas (caiu de 26 para 14 deputados) e o Partido dos Trabalhadores (de 24 para 11). Mas a “estabilidade”, tão cara ao regime, beira à caricatura.

A seguir alguns extratos de matérias de jornais argelinos.

Le Soir, 7 de maio

“’Um roubo. Uma deriva. Um cheiro de golpe. Um confisco da soberania popular’. A Secretária Geral do Partido dos Trabalhadores, Louisa Hanoune não economizou palavras para contestar o resultado das eleições legislativas de 4 de maio, na qual seu partido, segundo ela, foi a principal vítima. Revoltada com os representantes do poder, que se sentem incomodados com a voz do PT na Assembleia Nacional, a dirigente política deu a entender que, daqui para frente, o envolvimento do PT no parlamento será cada vez menor e vai reorientar seu combate democrático em favor da classe operária priorizando a intervenção na luta de classes direta.

Ela qualifica a Assembleia como ‘catedral do deserto’. Segundo Louisa Hanoune, a eleição de 4 de maio deu lugar a uma relação de forças no par­lamento que não emanou do povo. E concluiu afirmando que, por suas atitudes, os partidários do sistema po­lítico ‘imaginam perpetuar-se no poder pelo constrangimento, pela fraude, recorrendo a práticas medievais’. Mas, ela previne: “as leis da história são im­placáveis, nada nem ninguém poderá salvar um sistema totalmente obsoleto, desprovido de base social e isolado’”.

El Watan, 7 de maio

“No dia seguinte ao anúncio dos resultados das eleições legislativas, a principal dirigente do PT animou uma entrevista coletiva na qual ela qualificou essa eleição de um verdadeiro ‘golpe de Estado’, um ‘assalto eleitoral’ contra a vontade popular. ‘Nós sentimos o cheiro de um golpe. Houve uma operação golpista por ocasião dessa eleição, com o objetivo de eliminar os partidos que incomodam e propulsar aqueles que são exemplos de fidelidade’.

A Secretária do PT discorreu longa­mente sobre o significado da taxa de abstenções que ela qualifica de ‘histó­rica’ e sobre a fraude maciça.

Tudo isso é expressão, segundo Hanoune, de um regime que está se sufocando porque rompeu com a maioria do povo para servir a uma ínfima minoria de novos ricos. ‘Essa fraude generalizada isola ainda mais o regime e acelera seu fim. Não há esperança para o sistema atual, ele vive uma crise mortal’, dispara Louisa Hanoune que está conven­cida de que o poder fraudou para, entre outras coisas, salvar a FLN.

Todavia, a dirigente do PT avalia que os partidários do sistema em decomposição estão definitivamente desacreditados junto ao povo como demonstra a forte taxa de abstenção. O PT não vai dar tréguas, diz ela, uma nova época vai se abrir, a época do combate direto. A senhora Hanoune está persuadida de que os cidadãos vão reagir pois, agora, à insatisfação social e à cólera contra os planos de austeridade veio se juntar o desprezo do poder pela população, que foi im­pedida de escolher seus verdadeiros representantes. ‘É uma provocação contra a maioria que se absteve e contra aqueles que votaram e cujas escolhas não foram respeitadas’.

Liberté, 7 de maio

“Segundo Louisa Hanoune, ‘o que se revelou nessas eleições é de uma extrema gravidade, é a ausência de um Estado central, com instituições homogêneas, porque em todas as cidades o país cada um fez o que bem entendeu e vimos atitudes totalmente distintas, e mesmo contraditórias, não apenas dos responsáveis pela administração, mas também dos juízes. Alguns tentaram resistir a esse rolo compressor, a esse assalto. Outros, ao contrário, estavam entre seus artífices. O PT vai debater, fazer o balanço, tirar as lições das mensagens políticas enviadas pela maioria do povo e das mudanças ocorridas na cena política, para concluir com as formas apropriadas para intensificar sua intervenção política visando a ajudar as lutas em curso e a criar uma relação de forças benéfica à maioria do povo’, garantindo que a taxa de abstenção ultrapassou a casa dos 80%”.

O PT argelino é membro do Acordo Internacional dos Trabalhadores (AcIT) que convoca, com dirigentes sindicais e políticos e personalidades democráticas de 46 países, a 9º Conferência Mundial Aberta contra a guerra e a exploração, para outubro desse ano.



Outras publicações

16 de agosto de 2017

As armas de destruição em massa da coalizão militar conduzida pelo exército estadunidense transformaram Mosul, segunda maior cidade do Iraque, em um grande campo de ruínas. A aviação francesa efetuou 1.307 ataques aéreos no Iraque e na Síria desde setembro de 2014, sendo 600 só na batalha de Mosul. O objetivo era desalojar os militantes […]


14 de agosto de 2017

Delegação é recebida e entrega carta ao Secretário Geral Uma delegação internacional se apresentou na sede da ONU, em Nova York, atendendo ao chamado lançado em fevereiro por organizações políticas, sindicais, populares, democráticas do Haiti, que lutam pela soberania do país, pela imediata retirada da Minustah e de toda forma de ocupação. A delegação foi […]


10 de agosto de 2017

 Mais de 8 milhões votam na Constituinte, resistindo às ameaças do imperialismo Em 31 de julho recebemos de Alberto Salcedo, do Coletivo Trabalho e Juventude (CTJ) da Venezuela, no qual participam militantes da 4ª Internacional, uma nota que expressa o estado de ânimo dos que votaram nas eleições para a Assembleia Constituinte no dia 30: […]


SITE DA CORRENTE O TRABALHO DO PT - TENDÊNCIA INTERNA DO PARTIDO DOS TRABALHADORES - SEÇÃO BRASILEIRA DA 4ª INTERNACIONAL -