Argentina parou em 25 de junho

O “paro nacional” convocado por três centrais sindicais (a CGT e as duas CTA) na Argentina em 25 de ju­nho contra o acordo com o FMI feito pelo governo Macri, em protesto con­tra aumentos de tarifas e demissões na administração pública, foi um êxito.

Foi a terceira greve geral de 24 horas contra a política de Macri desde a sua posse há 15 meses. Sua pauta incluía também a reabertura de negociações de reajustes salariais (as chamadas “paritárias”), pois as realizadas no início do ano tinham por base uma inflação de 15%, quando ela já está em 27%, segundo o Banco Central.

O país amanheceu no dia 25 sem transportes, inclusive com portos e aeroportos fechados, e com inúmeras atividades econômicas – bancos, es­colas, escritórios, fábricas – paralisa­das, envolvendo mais de um milhão de trabalhadores.

Uma resposta contundente

As duas CTAs (Central dos Traba­lhadores Argentinos), que estão em processo de reunificação, deram uma coletiva de imprensa na qual o secre­tário geral da CTA-Autônoma, Pablo Micheli, declarou: “Isso não termina hoje, vai aprofundar-se. As duas CTA garantimos que não vamos sair das ruas enquanto exista esta política econômica na Argentina”.

Hugo Yaski, secretário-geral da CTA-de los Trabajadores, disse: “A convocação à paralisação demonstrou contundência. Teríamos que voltar ao ano 2000 para encontrar uma medida de força tão grande como esta”. Ele foi secundado por Roberto Baradell, também da CTA-T e secretário geral da SUTEBA (professores da província de Buenos Aires), que afirmou: “Os docentes pararam em todo o país, tanto nas escolas públicas como priva­das. Esqueceram-se do conjunto dos trabalhadores e negaram a discussão paritária, pretendendo impor 15%, mas receberam uma clara resposta às políticas deste governo”.

A CGT, de direção peronista e com setores ligados ao governo, também convocou paralisação em suas bases, sem orientar manifestações. Mas grandes atos de massa ocorreram em todas as províncias convocados por sindicatos e setores de esquerda. A luta continua na vizinha Argentina!

Correspondente