Ato em SP repudia assassinato de Carlos, morador em situação de rua na Mooca

Mais de 100 pessoas participaram hoje, quinta-feira (9.01), de uma manifestação em resposta a morte por atentado com fogo do morador em situação de rua Carlos Roberto Vieira da Silva, de 39 anos enquanto dormia na madrugada da última segunda-feira (6.01) na marquise de um mercado no bairro da Mooca.

O ato foi aberto com a leitura de uma poesia que denunciava a barbárie desta morte.

Benedito Barbosa, o Dito da Central dos Movimentos Populares – CMP e advogado do Centro Gaspar Garcia falou sobre o desmonte das políticas de moradia por todos governos, o desrespeito com os direitos humanos fundamentais e a importância de estarmos juntos não deixando a vida do Carlos ser esquecida. Sidnei Pitta da União dos Movimentos de Moradia – UMM falou sobre a importância da moradia na região central para as pessoas mais pobres e repudiou o assassinato e a criminalização dos pobres e movimentos sociais.

Tomou a palavra o Padre Júlio Lancelotti, da Pastoral do Povo de Rua denunciando o além da morte do Carlos, a morte na madrugada de hoje de outro morador de rua na Av. Rio Branco, num choque elétrico fatal num poste da Prefeitura nas chuvas que castigaram a cidade. Ao todo, desde o Natal já houve quatro mortes de pessoas em situação de rua. O padre questionou a precipitação em responsabilizar um outro morador de rua sem uma investigação detalhada, pois os elementos apresentados levantam dúvidas. O Pastor Carlos, da Igreja Metodista da Mooca, falou que os moradores de rua são seres humanos e merecem ser tratados com dignidade e respeito.

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Representantes do Conselho Estadual de Defesa da Pessoa Humana e da Ouvidoria da Polícia de São Paulo também falaram que vão atuar para cobrar das autoridades transparência nas investigações.

Muitos moradores em situação de rua estiveram presentes e fizeram uso da palavra. Um companheiro do Movimento Nacional do Povo de Rua fez uma contundente intervenção denunciando os cortes orçamentários as políticas de assistência e acolhimento. Explicou que a atual política de albergues municipais entregue para entidades é violenta com a população que a usa. Um pequeno empresário da Mooca falou sobre a necessidade de respeitarmos a vida e ajudarmos quem vive nessa situação.

Eu tomei a palavra como presidente do PT da Mooca registrando que a morte de Carlos Roberto, pois ele tinha nome, tinha mãe que chorou em seu enterro em Sergipe, não pode ser esquecida. Não pode ficar invisível. E que na luta contra o desemprego, desmonte dos serviços públicos é preciso resistirmos e lutarmos. Resistirmos contra a barbárie.

O vereador Eduardo Suplicy (PT), fez uso da palavra para se somar a solidariedade ao povo de rua e colocando seu mandato a completa disposição para acompanhar o caso.

Estiveram presentes e tomaram a palavra ainda representantes do Conselho de Saúde de São Paulo, Movimento de Direitos Humanos, Secretaria Nacional de Direitos Humanos do PT, Movimentos de Moradias, dirigentes e militantes do Partido dos Trabalhadores (PT), Diálogo e Ação Petista (DAP) e da União da Juventude Rebelião.

Ao final, foi lida novamente a poesia em homenagem ao Carlos pelas companheiras do Coletivo Flores da Democracia.

x, presidente do PT da Mooca