Como construir a saída?

O que já vazou do vídeo da reunião de Bolsonaro e seus ministros é mais que suficiente para comprovar, o que se prova a cada dia que o Palácio do Planalto – com a eleição de Bolsonaro forjada pelo Judiciário, mídia e partidos das classes dominantes – está tomado por uma escória para saquear os direitos, as riquezas, as conquistas, a educação, a cultura e agora, em meio à pandemia, ignorando o direto à vida. Desde Moro, ofendido – pois, apesar dos serviços prestados com a condenação de Lula, foi defenestrado pelo chefe que ajudou a eleger – até um ministro da educação que não passaria numa prova do Enem.

E tudo isso, avalizado pelos generais que infestam o governo, a começar pelo vice Mourão, abrindo a metralhadora contra tudo e todos para preservar o chefe.

Estão aí para servir os interesses do capitalismo, que como escancarou a pandemia, são frontalmente contraditórios com a sobrevivência da civilização humana.

Bolsonaro, vindo do submundo da política, é motivo de espanto mundial. Os governos não são iguais. Mas mundo afora, da Alemanha ao Chile, os governos, depois de aplicarem, por décadas, a cartilha do ajuste exigido pelo capital financeiro, uns com lágrimas de crocodilos, outros com deboche (no caso do Brasil), fazem o que diante da pandemia? Em todo mundo os trabalhadores da saúde, em um sistema destruído em benefício da especulação financeira, se batem, e se arriscam, sem condições de trabalho. Em todo mundo, a pretexto de combater a pandemia atacam direitos dos trabalhadores com medidas que, a depender destes governos, permanecerão depois.

No Brasil temos um produto de esgoto no comando. Mas ele é só a expressão mais nua e crua da decomposição de um sistema que provou sua total incapacidade de evitar a barbárie. Daí que a luta para acabar com este governo – na qual vale o impeachment, anulação das eleições, etc. –  integra a luta por delimitar e combater os interesses, instituições e partidos (todos em nome dos interesses capitalistas) que produziram a tragédia Bolsonaro.

A saída por cima, na qual muitos dos que hoje disfarçam a responsabilidade por um governo que desde a campanha eleitoral mostrou a que viria e buscam salvar a própria pele, por si só não irá resolver os problemas da maioria do povo deste país.

São os trabalhadores, os que estão no sistema de saúde, os que estão nos serviços essenciais trabalhando em condições de risco de vida, os que são coagidos a abrir mão de direitos e salário para garantir um emprego que poderão perder mais à frente, os que, na informalidade, hoje são tratados como pedintes nas filas para receber os R$600,00, é com esses que uma saída pode ser construída.

E estes trabalhadores, empurrados à luta para se defender, começam a retomar a iniciativa. Depois do exemplo do ato organizado pelo Sindicato dos Enfermeiros no dia 1º de maio em Brasília, em várias partes do país e diferente categorias, manifestações organizadas – respeitando o distanciamento social e os cuidados sanitários necessários – começam a ocorrer. Bancários, como em Pernambuco, protestam contra as condições de trabalho. Motoristas, como em Jacareí (SP) fazem greve por direitos ou moradores de bairros periféricos, como a Brasilândia na capital paulista, organizam ato pela reabertura de hospital público.

É aí que poderá ser construída a força para, ao pôr fim ao governo Bolsonaro, prosseguir a luta da classe que não pode ficar à mercê da ganância do capital, esperando a próxima pandemia.