Cortes de verbas ameaçam Universidades Federais

Na UFBA, estudantes ficam sem auxílio-moradia e situação tende a se agravar

O desmonte promovido pelo governo golpista está atingindo em cheio a educação. Na Universidade Federal da Bahia (UFBA), os estudantes se mobilizam para recuperar a assistência estudantil. O Trabalho entrevistou Matheus Mascarenhas, diretor de Assistência Estudantil do Diretório Central dos Estudantes da UFBA e militante da Juventude Revolução, em Salvador. Confira.

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Matheus Mascarenhas, diretor de Assistência Estudantil do DCE UFBA

 

O Trabalho: Qual a situação atual da assistência estudantil na UFBA?

Matheus: A situação na assistência estudantil na UFBA é grave. Neste semestre, 226 estudantes ficaram sem auxílio-moradia, após o corte de R$3,5 milhões no orçamento do Plano Nacional Assistência Estudantil (PNAES), segundo a administração central da Universidade. O valor do auxílio-óculos, quantia paga pela universidade para os estudantes custearem parte do valor de um óculos, foi reduzido de R$ 350,00 para R$ 200,00. Além disso, com o aumento da demanda, os serviços de alimentação, Restaurantes Universitários, de transporte, são insuficientes para o tamanho da comunidade acadêmica. As Residências Universitárias se encontram extremamente sucateadas e apresentando um sério risco à vida dos moradores com a chegada do período de chuvas.

OT: Com os recentes cortes do governo golpista, quais as consequências para os estudantes?

Matheus: Segundo a administração da Universidade, o atual contingenciamento nas verbas do PNAES tem sido o maior problema. Os serviços essenciais ao funcionamento da universidade têm sido afetados drasticamente pelos cortes do governo golpista. A tendência é que nos próximos períodos essa situação seja agravada.

OT: Como os estudantes estão reagindo? Que decisão do recente Congresso da UNE pode servir de apoio para a mobilização?
Matheus: Diante deste cenário, a mobilização estudantil é fundamental na luta contra os ataques à educação pública e aos direitos trabalhistas orquestrados pelo bloco golpista atualmente no poder. No dia 26 de julho, foi organizado um “bandejaço” no Restaurante Universitário pela melhoria do serviço de alimentação, contra os cortes na assistência estudantil, contra o governo golpista, pelas diretas já. A atividade teve o intuito de chamar a atenção da comunidade estudantil para os cortes feitos no PNAES, que vêm tentando acabar com a política deixando de repassar os recursos necessários. A atividade visava também convocar para a assembleia dos estudantes residentes e assistidos, que ocorreu no domingo, 30 de julho. A luta contra os cortes, necessariamente, é a luta contra o governo golpista que tenta inviabilizar a continuidade da democratização do ensino superior público. A resolução política aprovada no 55º Congresso da UNE é um forte ponto de apoio em relação às pautas de luta dos estudantes, ao apontar a necessidade da derrubada imediata do governo golpista e a realização de diretas já, para que um novo presidente (Lula, na nossa opinião) convoque uma Assembleia Constituinte Soberana capaz de mudar a estrutura apodrecida do Estado brasileiro, revogar as medidas implementadas pelos golpistas, e realizar as reformas estruturais que deem voz ao povo para o atendimento das suas demandas, como a reforma política, da mídia, agrária, desmilitarização da PM, dentre outras. Este Congresso também aprovou a jornada estudantil que ocorrerá de 14 a 17 de agosto, em todo o Brasil. Neste cenário, a unidade deve ser o lema central do movimento estudantil na luta contra um inimigo muito poderoso chamado imperialismo, que articula golpes, como o atual, pra submeter nações inteiras aos interesses dos grandes capitalistas, às custas da vida da juventude e da classe trabalhadora.