Cresce ameaça de intervenção externa na Venezuela

população em apoio a Maduro na frente do Conselho Nacional Eleitoral

A implosão da mesa de diálogo na República Dominicana impos­sibilita um acordo entre o governo Maduro e a oposição. Esta, acatan­do instruções desde Washington, retirou-se do processo eleitoral para sabotá-lo.

Situação que abre um novo cená­rio nos planos económico, social e militar, com a pressão do im­perialismo tomando outro rumo. A finalidade deste giro é destituir Nicolás Maduro e mudar o regime com apoio externo.

Internamente, como confessou o chefe da CIA, Mike Pompeo, o serviço secreto dos Estados Unidos tenta trabalhar no interior das For­ças Armadas, através de um “estudo sobre a opinião de componentes do exército venezuelano”, feito antes das sanções do Departamento do Tesouro contra o país.

Esse novo cenário esvazia a dispo­sição que Maduro sempre teve de negociar com os EUA, a tal ponto que a empresa Halliburton enviou representantes a Caracas para explo­rar possíveis acordos de cooperação energética. A Assembleia Consti­tuinte aprovou uma lei de promoção e garantia de inversões estrangeiras e o país continua enviando aos EUA 600 mil barris de petróleo diários.

Mas isso não satisfaz os desejos da potência do Norte, que quer tudo num momento de crise e não está disposta a permitir qualquer inde­pendência às nações de sua periferia. Maduro também outorgou finan­ciamentos a setores econômicos vinculados à importação e comercia­lização de alimentos, entre eles ao Grupo Polar de Lorenzo Mendoza.

Ameaça de invasão militar

No âmbito militar, o Comando Sul do exército dos EUA é um fator fundamental para qualquer ação. Sete bases militares estadunidenses na Colômbia foram reforçadas, em particular a de Palanquero. Some-se a isso a recente decisão do governo do Panamá de autorizar a chegada de 415 efetivos da Força Aérea dos EUA, o giro de Rex Tillerson por países aliados na região e a presença de Kurt Tidd, almirante que é o chefe do Comando Sul, em Bogotá, onde reuniu-se com o presidente Santos e seu ministro da Defesa para discutir um plano de intervenção direta na Venezuela, o qual empregaria uma força multinacional liderada pela Colômbia.

A mobilização de tropas nas fron­teiras com o Brasil e a Colômbia, cuja causa aparente seria a imigração venezuelana, pode na verdade sitiar o país.

A Venezuela tem um antigo con­flito com a vizinha Guiana sobre o território em litigio do Essequi­bo (fronteira leste). O governo da Guiana tem uma relação de clientela com os EUA, agradecendo o seu apoio – que levou o litígio para o Tribunal Internacional – pela cessão de seu território para a mobilização de forças militares sob pretexto de controlar o narcotráfico, um disfarce para um assalto à Venezuela.

O quadro de cerco se completa com as ilhas diante do litoral do país – Aruba, Curaçao e Bonaire – que pertencem à Holanda, país membro da OTAN e da União Europeia que acompanha a política de Trump con­tra a soberania da Venezuela.

O imperialismo estica a corda para tornar inevitável uma “solução mili­tar” na Venezuela. Os EUA, a União Europeia e alguns governos da Améri­ca Latina exigem a anulação das elei­ções presidenciais de 22 de abril. Uma vez que elas se realizem, pode abrir-se a possibilidade de intervenção militar com a alegação de sua ilegitimidade.

Diante da política agressiva de Trump contra a Venezuela, a resposta só pode ser a de resistir, mobilizar o povo trabalhador para enfrenta-la. Neste difícil cenário, não cabe dúvida em apoiar a reeleição de Maduro em 22 de abril. Manter o poder político anda de mãos dadas com adotar me­didas que mantenham a soberania da nação, os direitos trabalhistas e sociais e que ataquem as causas do caos eco­nômico (hiperinflação e desabasteci­mento) com medidas duras contra os empresários especuladores, inclusive sua expropriação. Em suma, avançar na ruptura com o imperialismo e seus agentes locais.

Alberto Salcedo em 19 de fevereiro 

MUY AMIGOS!

Em 23 de fevereiro, o Conselho permanente da OEA, por 19 votos a 5 com 8 abstenções, adotou resolução pedindo a anulação das eleições de 22 de abril e “novo calendário eleitoral”, cedendo às pressões dos EUA e governos títeres da região, como o do golpista Temer.

Apenas Venezuela, Bolívia, Suriname, Dominica e São Vicente-Granadinas votaram contra. O que é novo é que entre os 8 países que se abstiveram estão a Nicarágua de Daniel Ortega, o Equador de Lenín Moreno e El Salvador de Sal­vador Sánchez, que antes votavam com a Venezuela contra as iniciativas dos EUA. Viraram a casaca?

O representante de Caracas, Samuel Moncada, declarou que a resolução foi “resultado da pressão que [o secretário de Estado americano, Rex] Tillerson exer­ceu em sua recente viagem pela América Latina, em que dobrou vários braços”.

Haverá eleições sim!

Em 27 de fevereiro inscreveram­-se para as eleições presidenciais antecipadas na Venezuela, além de Nicolás Maduro apoiado por dez partidos políticos, outros três candi­datos: Henry Falcón, ex-governador do estado Lara do partido AP, que não atendeu à ordem de boicote da coa­lização opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) à qual perten­cia; Reinaldo Quijada, pelo partido UP89 e Francisco Visconti, dirigente da Frente Ampla Nacional Bolivaria­na. Além disso, o tradicional partido MAS declarou que participará das eleições de 22 de abril.

Logo, haverá uma disputa elei­toral, para desencanto da MUD e de seus patrões nos EUA.

No mesmo dia 27, o chanceler Jor­ge Arreaga pediu ao secretário-geral da ONU o envio de observadores internacionais para as eleições, recor­dando que essa decisão “foi tomada na mesa de diálogo de Santo Domin­go” e que “o governo venezuelano está cumprindo com todas as partes do acordo”.

ÚLTIMA HORA

O Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela anunciou nesse 1º de março que as eleições presidenciais, a pedido dos partidos políticos que nela participarão, está adiada para 15 de maio próximo.