Crime contra o povo

A prisão do companheiro ex-presidente Lula representa o ponto mais alto de uma ofensiva criminosa contra a maioria do povo trabalhador brasileiro e nossa soberania nacional.

Crime cometido por um processo frau­dulento, levado à frente por um Judiciário apodrecido e mancomunado com o Depar­tamento de Justiça dos Estados Unidos, ele escancara a ofensiva jurídico-militar que está em curso no Brasil, para aplastar a nação aos pés do imperialismo estadunidense.

Frente a incapacidade da burguesia de via­bilizar um candidato que através das urnas legitime seu projeto de país subalterno e sem direitos aos trabalhadores, a prisão de Lula – autorizada pelo golpista Supremo Tribunal Federal, atendendo ao recado do comandante do Exército – representa um golpe maior con­tra os trabalhadores e a democracia.

A ação criminosa do Judiciário pretende viabilizar a continuidade dos ataques já desferidos nestes quase dois anos de governo golpista, não sem resistência da classe – como na questão da Previdência – resistência que no terreno eleitoral coloca Lula como franco favorito em todas as sondagens eleitorais. E favorito não apenas pelas lembranças das conquistas durante seus governos, como re­cuperação do salário mínimo, piso nacional dos professores ou a designação dos recursos do Pré-Sal para a educação e saúde. Mas fa­vorito, também, porque desde que retomou as Caravanas, Lula tem martelado que vai revogar as medidas do governo golpista e, em seu último discurso, antes de ser levado à Curitiba, reafirmou que eleito iria convocar uma Constituinte.

O crime cometido contra Lula é o mesmo cometido contra os trabalhadores, com a contrarreforma trabalhista. O crime cometi­do contra Lula é o mesmo cometido contra toda a nação com a entrega do Pré-Sal à multinacionais do petróleo e a PEC do teto de gastos. O crime cometido contra Lula é o mesmo que, em um ano (de 2016 a 2017), segundo o IBGE, jogou 1,5 milhão de brasi­leiros na miséria!

Os criminosos que desde o golpe do impea­chment empurram nosso país ao abismo, não podem conviver com a democracia.

Esses criminosos não podem conviver com a existência do Partido dos Trabalhadores, de longe o de maior preferência partidária e hoje com a maior bancada na Câmara Federal.

Mas a prisão de Lula pode ser a maior pe­dra no caminho dos criminosos. Desde sua decretação uma resistência começou.

A vigília em São Bernardo do Campo im­pediu que Moro tivesse a foto de Lula se apresentando, “voluntariamente”, no prazo estabelecido.

O PT reunido dois dias depois da prisão reafirma que o candidato a ser inscrito em 15 de agosto é Lula, mesmo se ainda estiver preso! Todos os dias, em várias cidades, ma­nifestações exigem sua libertação. É preciso avançar e organizar a resistência. A criação de Comitês Lula Livre deve se espalhar pelo país.

É preciso enfrentar a confusão posta na cabeça dos trabalhadores através da mídia, que enxovalha os lares com o falso combate à corrupção – na verdade, um pretexto usado pelo imperialismo – e, fábrica por fábrica, bairro por bairro, escola por escola, explicar os verdadeiros interesses por trás da perse­guição e prisão de Lula.

Nesta luta, “nenhuma ilusão nas institui­ções apodrecidas. Nenhuma ação isolada, nem aventuras. Nossa luta é por Lula Presi­dente, com uma Constituinte para reorga­nizar o país.” (Comunicado “Às Ruas” do Diálogo e Ação Petista de 6 de abril).

Todos devem se jogar na construção dos Comitês Lula Livre!