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CORRENTE O TRABALHO DO PT

De onde vem a crise nos transportes?

27 de maio de 2018
A driver takes a photograph of trucks parked at a Petroleo Brasileiro SA (PetroBras) gas station near on BR 040 highway during a protest against rising fuel prices in Luziania, Brazil, on Wednesday, May 23, 2018. Brazilian politicians, businesses and consumers are feeling the pinch on day three of a nationwide truckers' strike that has prompted fuel shortages and bottlenecks at ports in one of the world's biggest commodity exporters. Photographer: Andre Coelho/Bloomberg via Getty Images

Estamos no sétimo dia, desde o início da paralisação dos caminhoneiros.

Tudo indica que o bloqueio rodoviário permanece, mesmo que parcialmente, e ainda interfere significativamente nos transportes e em vários setores da economia.

O fato é que o resultado das negociações entre o governo e os supostos representantes dos caminhoneiros não pôs fim ao movimento.

Face aos bloqueios rodoviários, o fragilizado governo Temer teve que recuar para além de suas primeiras concessões. Aceitou um acordo de subsídio parcial do diesel até janeiro de 2019 enquanto mantém toda a “política de preços” de Pedro Parente na Petrobras (veja abaixo).

E isso ocorre logo depois que o Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM) enfiou, através do deputado Orlando Silva (PCdoB), a desoneração pró-empresarial do fim do PIS-Confins para o diesel num Projeto de Lei de reoneração, cuja votação está pendente no Senado. Uma medida que, lembremos, só favorece os empresários do transporte. Um desserviço para a nação.

E, frente ao movimento que continua, veio a decretação de uma nova GLO (medida de Garantia da Lei e da Ordem). Novamente, botar o Exército nas ruas para “reestabelecer a ordem”.

Assim, depois do Rio de Janeiro e agora no âmbito nacional, uma medida novamente gerenciada pelo general Etchegoyen com respaldo do STF, contra os caminhoneiros.

Como já dissemos, a principal reivindicação dos caminhoneiros – a redução do preço do diesel – é justa, mas o movimento é heterogêneo, parte são condutores autônomos paralisados e parte é locaute de empresários. E, em meio a isso, a aparecem os apelos à intervenção militar e outros aproveitadores, tentando surfar a onda da corrupção que estaria na raiz dos aumentos de preços.

Mas os fatos são outros.

Foi a política privatista de Temer e Pedro Parente (atual presidente da Petrobrás) que conduziu à crise.

Relembremos que há um ano, foi o governo golpista de Temer que, para tapar o chamado “rombo fiscal”, dobrou a tributação sobre os combustíveis. Aumentou em 100% a incidência do PIS/Confins sobre os derivados de petróleo.

No mesmo período a Petrobrás fez a alegria dos seus acionistas privados ao mudar a política de reajuste dos combustíveis até então aplicada durante os governos Lula e Dilma.

Com a nova política de reajustes, os preços dos derivados de petróleo passaram a acompanhar a variação diária do dólar e do preço do petróleo no mercado mundial. O resultado foram cerca de 229 reajustes em menos de um ano! Aumentos praticamente diários. Enquanto nas refinarias, os preços subiram 20% em média, nos postos e no consumidor final a liberdade de preços permitiu que a alta chegasse a 60% em algumas regiões. Foi assim que o caos começou.

E se isso tudo não bastasse o governo golpista reduziu significativamente a produção de diesel nas refinarias nacionais. Mais um motivo de alegria para as multinacionais.

Assim, apenas no ano de 2017, as importações de derivados de petróleo cresceram 25%. Tudo isso foi acompanhado do sucateamento das refinarias nacionais enquanto já se veiculava a possibilidade de serem privatizadas, como denunciou a Federação Única dos Petroleiros (FUP).

Essa é, portanto, a política que nos trouxe até aqui: a política de desmonte e privatização de Temer.

Na última sexta feira, 24 de maio, o PT tirou uma nova nota (clique aqui e leia). Ela é muito feliz ao explicar que a repressão militar não resolve, exige a suspensão da GLO e conclui apontando a saída política que o PT apresenta: “Fora Temer, Lula lá”.

Laercio Barbosa


Abaixo, as reivindicações que a FUP-CUT e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) aprovaram em suas assembleias e foram assumidas pela CUT:

– redução dos preços dos combustíveis e do gás de cozinha,

– manutenção dos empregos e retomada da produção interna de combustíveis,

– fim das importações da gasolina e outros derivados de petróleo,

– contra as privatizações e desmonte do Sistema Petrobras,

– Redução das Tarifas de Energia Elétrica,

– Isenção de Pedágio para eixos suspensos,

– Piso Mínimo Nacional para o Frete



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