Dias 13 e 14 abriram o semestre

No dia 13 ocorreram manifestações em todas as capitais e mais de duas cente­nas de cidades em todo o país em defesa da Educação e da Aposentadoria. No dia 14, na Marcha das Margaridas, mais de 100 mil mulheres se manifestaram em Brasília.

Isto apesar da ofensiva que avança. Dos ataques à Educação que prosseguem, da contrarreforma da Previdência aprovada na Câmara, e que agora está no Senado, e da aprovação da Medida Provisória 881, da chama liberdade econômica, um novo ataque aos direitos trabalhistas.

Pouco se viu na grande imprensa sobre as mobilizações dos dias 13 e 14.
Atordoada com a bordoada sofrida pelo representante direto do imperialismo nas primárias argentinas, a mídia não deixou, contudo, de registrar o visível desconforto com o fato de que nas manifestações ganha espaço a exigência de Lula Livre.

No próximo 20 de agosto completam-se 500 dias da prisão política de Lula. E é fato que a cortina aberta pelo The Intercept está desmascarando as tramoias nos bastidores do Judiciário para, num processo sabidamente manipulado, impedir a candidatura de Lula em 2018, o que amplia a campanha pela sua libertação.

Neste início de semestre, após o 13 e 14 de agosto, as organizações que se reivindicam do povo, dos jovens e dos trabalhadores es­tão confrontadas ao desafio de como ajudar a desenvolver esta luta. Para os interesses da maioria do povo trabalhador brasileiro não há questão mais crucial do que encontrar pontos de apoio para prosseguir no caminho para dar um fim a este governo que veio para “descontruir e não construir”, nas palavras de Bolsonaro.

É neste contexto que a preparação do 7º Congresso do PT “Lula Livre” deve ser encara­da. Todo o partido está chamado a fazer uma profunda reflexão. Por que, depois de 13 anos de governo, fomos derrotados pelo golpe e o governo Bolsonaro pode ser engendrado?
Sim, houve um legado! Mas a confiança nas instituições que travam o país – e que mantém Lula preso – as alianças com partidos que no golpe escancararam o que sempre foram -parceiros do capital e não do traba­lho – não está na origem dos erros que nos fragilizaram?
Fazer esta reflexão e adotar uma orientação para a ação do partido, no rumo indicado no 6º Congresso, servirá para o PT avançar numa linha de ruptura com as amarras que subordinam a nação aos interesses imperia­listas. Uma orientação que liberte o partido de certas ilusões que nos fragilizaram e con­fundiram os trabalhadores.

É assim que o PT pode corresponder à res­ponsabilidade que é sua, a de dar confiança aos que querem lutar e ajudar a ampliar esta luta envolvendo as amplas camadas oprimi­das.
Com a acelerada degradação nas condições de vida e trabalho, com o desespero que as­sola os lares das famílias trabalhadoras, pode haver uma explosão social, num prazo que não se pode prever.

O PT precisará estar unido. Sim é possível lutar pelo fim do governo Bolsonaro – que apesar de autoritário, é um governo frágil – e reverter as políticas que nos últimos três anos estão impondo um retrocesso sem preceden­tes na vida do povo.

A chapa nacional de delegados do Diálogo e Ação Petista está empenhada em ajudar nesta tarefa. Seus apoiadores estão engajados em discutir com os filiados e mobilizá-los para votar nas propostas que a chapa apresenta para que o 7º Congresso represente, realmente, o reforço da luta por Lula Livre e para libertar o povo da tragédia que representa Bolsonaro.