É possível e necessário vencer no 2° turno!

O 2o turno presidencial será a luta por Democracia e Direitos con­tra o Autoritarismo e o Ajuste Fiscal.

O PT saiu vitorioso do 1o turno numa eleição com elementos frau­dulentos. Desmoronou o sistema partidário da classe dominante, mas o PT se mantém alternativa para o 2o turno, com a maior bancada federal. Isso graças às resoluções do seu 6o Congresso, à luta pelo fora Temer, pelos direitos e por Lula Livre.

Os analistas da mídia distorcem o quadro para passar a idéia de recuo do PT dentro da maré da direita con­servadora. Para isso, simplesmente ignoram as eleições municipais pós­-impeachment de 2016, que foram o fundo do poço do PT.

Em 2016, simplificando, o parti­do teve 40% dos votos da eleição municipal anterior, e elegeu 40% dos vereadores e prefeitos de antes. Ganharam a eleição os golpistas, PSDB, MDB, DEM e outros, ou seja, a direita, e se falou de “onda conservadora”.

No 1o turno de 2018 o PT foi melhor: simplificando, Haddad fez 72% do total de votos da candidata Dilma no 1o turno de 2014. E ele­geu 56 deputados (80% da bancada anterior).

Isso expressa a recuperação do PT, enquanto o sistema político podre desmorona: MDB (1%), PSDB (5%) e outros foram esmagados nas presidenciais, e amputados na Câmara de Deputados, onde au­mentou a fragmentação.

Mas a situação é complexa. O recuo relativo do PT foi maior no Senado e nos governadores. O MDB tem a maior bancada estadual (seguido do PT). E, sobretudo, a extrema-direita raivosa cresceu muito, mas às custas da direita, pois as bancadas do PT, PSOL, PCdoB, PSB e PDT somadas tem o tamanho de 2014.

Bolsonaro pode ser derrotado. Ele foi a carta que sobrou à classe dominante. É um farsante (v. box) que deve ser confrontado aos fatos e desmascarado, com os políticos pescadores de águas turvas que o apóiam.

Um elemento de balanço

O balanço eleitoral é ao final. Mas para vencer é preciso corrigir um problema do 1o turno: a irrefletida adesão às “Mulheres unidas contra Bolsonaro” nos atos “sem-partido” (#Elenão). As pesquisas e o tracking (rastreamento) do PT mostram que Haddad avançava para superar Bol­sonaro até esse dia 29, quando se inverteu a tendência e configurou o resultado do 1o turno.

Foi um erro entrar naqueles atos ge­néricos sem eixo. A uma semana do pleito, escondiam o PT e facilitaram – como um trampolim – a ofensiva reacionária de milicos, operadores de internet e igrejas que exploram a divisão do povo sobre “valores” e “moral”.

Sem concessão nos direitos dos oprimidos, a batalha é pela união de todos oprimidos e explorados sobre uma pauta social. É nos temas do rea­juste do salário mínimo, do corte dos gastos de educação, saúde e moradia, além dos direitos trabalhistas, que se desmascarará o farsante.

Rechaçar as pressões

Gigantescas pressões se abatem sobre a direção do PT. A mídia acusa o programa de Lula de “pior que a Venezuela”, intimidam com a “guerra civil” e, hipócritas, pedem a “concór­dia”. Na verdade, querem “descolar” Haddad de Lula e do PT. Querem concessões na reforma da Previdência e tirar a Constituinte do programa para “abrir para o centro”. E, depois, explorar as fotos junto com os políti­cos do “sistema” odiado pelo povo!

Ao contrário, para ampliar e ganhar é preciso defender e estender os di­reitos sociais e o estabelecimento da soberania nacional.

No 2o turno crucial para o futuro da nação, apoios são bem vindos, para além das forças que defendem Lula Livre, como o PDT, o PSB e o PSOL, personalidades e outros setores partidários, mas sem as barganhas de outrora.

A determinação é necessária, sem cair nas provocações dos “valentões” da hora. Combater à intimidação é uma tarefa coletiva a organizar. E os sindicatos devem denunciar e coibir a coação patronal nas empresas.

Mas o principal, a maior aliança e mais importante movimento é mo­bilizar a força popular de mudança, com a figura de Lula cobrindo os locais de moradia ou trabalho, bair­ros e escolas com Comitês Haddad Presidente para lutar pelo voto 13!

Markus Sokol

A VERDADE SOBRE A CONSTITUINTE

Haddad surpreendeu os apoiadores no dia seguinte ao 1o turno, anunciando no Jornal Nacional que “revimos nosso posicionamento sobre a Constituinte”, para fazer reformas parciais no Congresso, como a reforma tributária e a bancaria. A Globo seguiu com Bolsonaro repudiando a Constituinte de “notáveis” do vice Mourão, e jurando pela Constituição. Foi como juntar os infiéis para ajoelhar e beijar a cruz da defesa das instituições.

A decisão da cúpula do PT não foi discutida em nenhuma instância. Nem na reunião da Executiva Nacional no dia seguinte, afogada no debate sobre fake news e redes sociais.

No dia em que Lula, em Curitiba, lhe “passou o bastão” de condução da campanha, a guinada de Haddad enfraquece sua campanha.

A verdade é que não há chance de aprovar uma reforma tributária progressiva no Congresso ultra-reacionário, muito menos as reformas política, da mídia, agrária ou do judiciário, do programa de Lula.

A verdade é que no 1o turno o forte sentimento contra o sistema político podre foi capturado em boa parte pelo farsante Bolsonaro. No 2o turno, não será prometendo “fortalecer as instituições” que Haddad vai arrancar eleitores do farsante. A Constituinte é necessária para desmascarar o farsante.

A verdade é que “abrir um debate e criar as condições para a convocação de uma Constituinte Soberana e Exclusiva” (Plano Lula) é o meio democrático de reformar o sistema, revogar medidas golpistas e avançar reforma populares. A um custo maior, a experiência de governo demonstrará essa evidência.

BOLSONARO FARSANTE!

Lula era favorito disparado nas pesquisas, mas está preso há 6 me­ses, afastado das ruas, de entrevistas e debates, perseguido, como o PT, pelos golpistas, pela justiça e pela mídia.

No 1o turno desta eleição manipulada, vicejou Bolsonaro, ele próprio um farsante:

  • Pretende ser anti-sistema, mas é uma peça parlamentar do sistema político há três décadas, com todos privilégios (auxílio-moradia tendo casa própria etc.).
  • Conspirou e votou no golpe do impeachment que pôs Temer no governo. Votou as medidas antipopulares dos golpistas; já tinha se distinguido como único voto contra a PEC das domesticas!
  • Não é um militar honrado, foi expulso do Exército, nem é patriota, prestou continência à bandeira dos EUA.
  • Nunca fez nada de concreto pela segurança pública.

Ele deve ser desmascarado para ganharmos eleitores para o 13, tanto entre os 40 milhões que se abstiveram, votaram branco ou nulo, quanto entre os que votaram nele, em parte pela vitimização da facada.

Mas para desmascará-lo é preciso argumentar. Não xingar de fascista, com fascista não se discute, se combate. Mas não são os fascistas – que existem -, que lhe deram maioria nas cidades operárias do Sudeste. Depois do desastre do “#Elenão”, insistir no erro facilitará a ele coesionar seu eleitorado.

O eleitor deve ser ganho para o 13 em defesa do salário mínimo, das férias, do 13o salário e das verbas sociais, em defesa da democracia e, inclusive, dos direitos de todos os oprimidos.