Apresentamos a edição 015 do Jornal O Trabalho, publicado em 5 de DEZEMBRO de 1978, pela Organização Socialista Internacionalista que posteriormente, tornaria-se Corrente O Trabalho do PT. A presente edição trata da crise do regime militar onde defende a queda do mesmo, lutas sindicais nos bancários, no ABC, além de matérias internacionais sobre a Bolívia e a possível greve geral no Peru. Esse é o tom da edição 015 do Jornal O Trabalho.

📰 Confira a edição na íntegra

Confira abaixo o índice da edição:

Capa

– Diante a crise do regime, o desejo tem sido um só: tomara que caia

– Página 2

– Notas
– Oposição nos professores
“A categoria dos professores deu um importante passo para a construção do sindicato único, ao aprovar (…) em assembléia realizada na Câmara Municipal de São Paulo, a plataforma da chapa de oposição que concorrerá contra os pelegos da APEOESP na eleições da entidade”

– Químicos de Guarulhos
“Mais uma vez, a aliança pelegos/patrões/Justiça do Trabalho conseguiu barrar uma mobilização dos trabalhadores: os químicos de Guarulhos entraram em greve, por decisão de uma assembléia no dia 17 de novembro, considerada a maior de sua história. O pelego do sindicato, João Paulo da Silva, alertou os presentes que ‘que greve era ilegal’, mas segundo ele próprio diria ao Delegado Regional do Trabalho, ‘ninguém ligou, porque eles estão preocupados com o preço do quilo do arroz ”

– Uma retificação
“No último número desse jornal, comentando a aliança eleitoral do candidato do MDB Antônio Resk com Rui Codo, dono de uma empresa de ônibus e envolvido em casos de corrupção de vereadores e na repressão da greve dos motoristas de ônibus, cometemos dois erros: na matéria ‘Programas em Liquidação’ se afirma que Rui Codo é dono da empresa Gatusa, que serve bairros de Santana e Casa Verde, quando na verdade a empresa chama Tusa e serve o bairro Lapa”

– A Diretoria queria a greve. Só no íntimo
“Depois de três meses de intensa campanha salarial – a mais ampla dos últimos 10 anos – os jornalista de São Paulo tiveram uma desagradável surpresa: não só o acordo assinado com oss patrões era muito inferior às suas pretensões, como os membros do Conselho Consultivo de Representantes de Redação não haviam conquistado a necessária imunidade nas empresas.”

– Camponeses dizem não à ditadura
“Mais uma vez o presidente Geisel recebeu o repúdio dos trabalhadores do campo ao seu governo. à ditadura militar. Quando de sua última visita à Paraíba (…), mais 500 camponeses de Alagamar-se achavam presentes na Praça João Pessoa, na capital do Estado, para reivindicar e protestar pela desapropriação de alagamar”

– Mobilização garante a 1ª vitória:
“O Governo militar resolveu recuar, (…), na sua tentativa de modificar o Estatuto do Índio e impor o Decreto de Emancipação das Comunidades Indígenas, num plano que previa a retirada da tutela dos índios por parte do Estado, como reconheceram membros do governo, essa medida foi tomada devido à constante mobilização não só de antropólogos, indigenistas, estudantes, missionários e população em geral como também de representantes de diversas tribos”

Página 3

– Vitória das “frentes”
“O ano de 1978 marcou definitivamente a entrada das massas trabalhadoras na cena política do país. O enfrentamento contra o regime militar, representado pelas greves de milhares de operários, du uma nova dimensão à luta dos estudantes (…) O movimento estudantil continuou combatendo por suas reivindicações em seu terreno exigindo, como é natural, uma resposta a questões essenciais, como a democratização da Universidade e melhores condições de ensino, sem abandonar e acompanhar de perto a mobilização dos trabalhadores”

– Liberdade para o MEP
“(…) Este acontecimento adquire hoje fundamental importância porque colocará de forma cristalina a questão da Anistia Ampla e Irrestrita e da liberdade da organização partidária, reivindicações que interessam a todos os trabalhadores brasileiros”

– Surge um fundo-desemprego
“Contra as demissões, contra o governo e os patrões, diversas entidades, sindicatos e associações de trabalhadores partiram, efetivamente, para um Fundo de Desemprego. Até agora, foram realizadas duas reuniões (…). Já estão rodando pelas redações de diversas empresas jornalísticas uma caixa de arrecadação de fundos, e diversos sindicatos que ainda não aderiram o Fundo estão sendo chamados para participar”

Página 4

– Nada de novo vem do regime. E a festa vai se acabando
“O ano está terminando. E chegando ao fim. Milhares de trabalhadores fizeram greve, desrespeitando as regras mais elementares da ditadura. E colocaram os senhores do poder em completa polvorosa. Todo mundo corre para salvar o seu pratinho de quitutes, preparando às custas de 15 anos de arrocho salarial. Novos partidos? Constituinte com Figueiredo? MDB unido e coeso? Repressão mais calma? O futuro para os patrões parece que não está dos mais sorridentes. A efervescência no terreno sindical deu uma mostra do que serão os combatentes em 1979. Nem mesmo nas eleições de novembro os trabalhadores respeitaram. Fizeram greves antes, e continuam depois. Houve cerca de 23% de votos nulos e brancos, que, em sua maior parte, expressaram uma recusa e desconfiança em tudo aquilo que o regime construiu.”

– O pacotão por dentro
“Nem havia acabado a contagem dos votos das eleições, e o governo anunciava o conjunto das medidas financeiras (…) As medidas do ‘pacote’ – basicamente, liberação parcelada dos empréstimos externos que ficam que ficam retidos e congelados no Banco Central, contenção das aplicações no Banco do Brasil e ampliação do prazo mínimo de pagamento de empréstimo externos (…) A primeira consequência desta política ‘anti-inflacionária’ é manter a inflação (…) em prejuízo dos assalariados”

– Afinal, quem é o burro?
“Muita criatividade foi empregada pelos arautos ‘da participação popular via MDB’ para justificar o elevado número de eleitores – cerca de 30% – que nas últimas eleições, preferiram votar nulo, ou em branco ou simplesmente se abstiveram. Os argumentos produzidos por tão dedicados analistas foram os mais variados: sacanagem de candidatos arenistas que chamaram o voto em dois senadores no Estado de São Paulo, parcialidade de apuradores, campanha deficientes e até mesmo ‘burrice e ignorância de parcelas do eleitorado despreparados para o voto’. Ou seja, passadas as eleições, muita gente se viu à vontade até para xingar os mesmos eleitores que, há apenas algumas semanas antes, eram alvos de seus simpáticos apelos eleitorais”

Página 5

– Quem quer salvar a Arena e o MDB?
“(…) Assim como a repressão e a lei antigreve foram peças fundamentais na aplicação da política de arrocho salarial, o bipartidarismo foi uma viga mestra na construção do edifício político manipulado pela cúpula das Forças Armadas. Justamente por isso, o regime é o maior interessado na manutenção de todas as restrições impostas à organização dos trabalhadores num partido político seu, assim como tenta reprimir qualquer tentativa de transformação da atual estrutura sindical”

– Mais uma vez, a derrota
“Mais uma vez o regime militar perdeu. Em todos os cantos do país, onde quer que fosse solicitado, o desejo de que o caos social tenha um fim acabou por se expressar de forma contundentes nas eleições. Durante todo o ano de 1978, nas assembleias sindicais e estudantis, nas greves operárias, no movimento dos posseiros pela terra, nas passeatas e atos públicos, o governo foi o grande perdedor”

Página 6

– Fantasmas do passado
“O PTB foi criado pelo ditador Getúlio Vargas para amortecer e envolver energia dos trabalhadores. Cumpriu o seu papel durante um bom período, sempre contando com excelentes assessorias – O Partido Comunista Brasileiro foi uma das principais. (…) em meio aos debates sobre a construção de novos partidos, os velhos fantasmas voltam rondar o país. Como na época em que o PTB foi fundado, hoje em dia os trabalhadores brasileiros não tem o seu partido. Como nos anos 40, a classe operária mostra a sua força para toda a nação, polarizando os debates e provocando uma corrida intempestiva dos donos do poder que procuram os meios de conter seu movimento”

– PTB, um fiel criado da burguesia
“O PTB nasceu nas salas do Ministério do Trabalho, com pelegos formados durante o período mais negro da ditadura de Getúlio Vargas (…) Em 1940, presos políticos lotavam os cárceres do ditador. Os salários perdiam o seu valor real, corroendo o poder aquisitivo da classe operária”

Página 7

– Rumo à greve geral
“A mobilização dos trabalhadores continua crescendo no Peru. Após 4 meses de trabalho da Assembléia Constituinte outorgada, sob tutela do general Moralez Bermudez, nenhuma das principais reivindicações da classe operária peruana foram satisfeita. A Constituinte não tem nenhum poder executivo, ela é completamente subordinada aos militares, que detém o comando e estão com as mãos livres para decretar leis anti-operárias. (…) Ricardo Napuri, deputado operário eleito pela FOCEP, secretário-geral do POMR – Partido Operário Marxista Revolucionário – considera que o obstáculo fundamental para a realização da greve geral e unidade classista é a direção estalinista da CGTP, que cada dia se encontra mais isolada e tem que recorrer a grupos armados com barrade ferro para manter sua dominação”

– 9 dias de luta em Pucallpa
“Durante 9 dias, de 12 a 21 de outubro, a cidade de Pucalpa, situada no centro do Peru, (…) permaneceu em greve geral. O prefeito e as outras autoridades municipais foram demitidas. E o controle da cidade passou totalmente para as mãos da Frente de Defesa do Coronel Portillo, formada por trabalhadores da cidade”

– 80 mil em greve contra o desemprego
“80 mil metalúrgicos estão em greve na Alemanha Ocidental. É a primeira vez nos últimos 50 anos. Eles estão exigindo 5% de aumentos – os patrões ofereceram 2% – a redução da semana de trabalho para 35 horas, com o objetivo de compensar alto índice de desemprego, que atinge a média de mil operários por mês”

– Partido Comunista apóia novo ditador
“O general Davi Padilha é o novo ditador boliviano. Ele foi chefe do golpe militar organizado contra Juan Pereda que estava a 4 meses no poder. (…) Pereda foi derrubado e ninguém se mexeu para defendê-lo. Agora Padilha é a nova esperança da burguesia local e também do imperialismo. Washington está vibrando com a posse do novo ditador, que é saudado pela Unidade Popular, frente burguesa da oposição que conta com a participação do Partido Comunista”

Página 8

– Contra pelegos, patrões e poder
“Desde a agitada campanha salarial e frustrada tentativa de greve geral que o Sindicato dos Bancários de São Paulo está fechado, à noite. Francisco Teixeira tem usado de manobras ridículas para impedir que os membros da oposição reúnam os bancários para discutir a campanha salarial que se inicia. Numa das últimas reuniões da oposição, um funcionário chegou a pedir aos membros presentes do Sindicato que descessem, pois Chico Teixeira queria falar com eles. E quando desceram, as portas da entidade foram rapidamente trancadas”

– Sul: fim de campanha
“A campanha salarial dos bancários gaúchos terminou com aceitação da proposta patronal – 10% de aumento acima do índice oficial. Os bancários reivindicavam 20% de aumento estavam dispostos a lutar, como ficou claro nas duas últimas assembléias.”

– ABC campanha esquenta
“A campanha salarial dos metalúrgicos de São Bernardo, (…) começou com bastante antecedência em relação aos anos anteriores, o que indica, entre outras coisas, que a disposição desta poderosa categoria transformará o ritual da campanha em um momento de combate, através do meio experimentado ao longo de 1978: a greve.”

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