O Trabalho completa 42 anos em 2020. Para marcar essa data decidimos iniciar a nossa seção “memória”, disponibilizando a cada semana uma edição antiga, na íntegra, com um índice de todo o conteúdo.
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Aqui está a edição nº3 do jornal O Trabalho. Lançada em 20 de junho de 1978, impulsionada pela então OSI (que se tornaria a corrente OT do PT), a edição trazia na capa Foto de assembleia do sindicato dos metalúrgicos de São Paulo. Nela, operários da oposição estendem faixas contra o arrocho salarial e em defesa da construção de comissões de fábrica.

📰 Confira a edição na íntegra

Confira abaixo o índice da edição:

Página 1

– Editorial: “A greve que os metalúrgicos da Scania iniciaram a 12 de maio avança como um apelo irresistível por Osasco, São Paulo, Campinas e outras cidades do interior do estado. Incontrolável, o movimento envolve operários de dez categorias diferentes, repercute nos mais distantes pontos do país, consegue algumas manifestações de solidariedade internacional em torno de uma reivindicação comum: aumento de 20%. (…)”; independência das organizações operárias; Encontro Operário da Grande São Paulo.

Manchetes: “Manoel da Conceição quer voltar ao Brasil. Agora.; Na greve, uma questão: quem faz as leis neste país?”

– A Chapa 3 enfrenta Joaquim: “Entre os dias 26 e 30 deste mês, a luta dos trabalhadores de todo o Brasil pode viver momentos decisivos: nestes cinco dias, serão realizadas eleições para o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, a mais ampla entidade do país(…)”; Joaquim dos Santos Andrade; Oposição de São Paulo.

Página 2

– Funcionários da USP e da Unicamp negam pelegos e lutam por aumento: “ Cerca de 250 funcionários da Universidade de São Paulo compareceram à assembléia realizada dia 9 de junho (…) Esta assembléia foi convocada por um grupo de funcionários, já que a ASUSP (Associação dos Servidores da USP) não se dispôs à lutar pelos interesses dos seus associados. (…) Unicamp: também os funcionários da UNICAMP realizaram uma assembléia, no dia 9, à revelia da Associação dos Servidores da UNICAMP, que se recusou a convocar a assembléia pedida por 819 funcionários (…)”
As greves operárias do ABC, São Paulo e Osasco impulsionaram movimentos reivindicatórios salariais de outras categorias, até então fracos e desorganizados. (…)

– Eleição dos Estivadores: “ ‘Estão cutucando o leão com vara curta’. Este foi o comentário do estivador Adilson de Jesus, membro da chamada comissão dos oito, sobre a designação de uma junta governativa para preparar e convocar eleições no Sindicato dos Estivadores da Baixada Santista, conforme desejo do Ministério do Trabalho. (…)”

– O impasse dos jornalistas: “Os jornalistas de São Paulo iniciaram em junho campanha por um aumento de 20% nos salários. Tentando esvaziar o movimento, mais que depressa os patrões de de O Estado de São Paulo, Folhas, Diário Popular e Abril concederam antecipação salarial de 10%, a ser descontada no próximo dissídio. Mas a jogada não surtiu efeito: reunidos em assembléia, no ultimo dia 15, os jornalistas decidiram manter a luta pelos 20%, ignorando a antecipação. (…)”

– Mais arrocho para professores nível II: “Com os salários congelados desde maio de 77, e sujeitos agora à um novo rebaixamento ‘legal’, mais de 5000 professores do ensino municipal de São Paulo começaram a reagir, principalmente a partir da aprovação, em março deste ano, pela Câmara Municipal, da chamada lei da reformulação do ensino municipal (…)”

– Demissões em Osasco: “Os professores do colégio Fernão Dias Paes, de Osasco, tentaram se mobilizar contra as péssimas condições de trabalho da escola, por meio de um abaixo assinado, mas o diretor Saburo Matsubara não gostou da ideia e demitiu, durante a última semana de maio, sete professores por ‘justa causa’ (…)”

– Eleições em Campinas: “Por 130 votos contra 100, a chapa da situação venceu as eleições para o Sindicato dos Professores de Campinas. A vitória dos pelegos se deve principalmente à política de entrave da sindicalização levada pelo presidente José Godoy (…)”

-17 mil em greve na Bahia: “Com a desmoralização da lei 4330, que proíbe o direito de greve, pelos trabalhadores do ABC, Osasco e São Paulo; pelos médicos residentes de São Paulo, mais um setor entra em greve, reivindicando melhores salários e contra o Arrocho Salarial. Agora foi a vez de 17 mil professores, primários e secundários, na Bahia. (…)”

-Vidreiros em Greve: “Os operários da Companhia Vidraria Santa Marina, de Mauá, paralisaram o trabalho por nove horas no dia 9 de junho. A greve começou com os 150 operários do turno das 6h00, recebendo a adesão do pessoal do turno normal (…)”

-Motoristas em greve: “As greves por melhores condições atingiram o setor dos transportes. No dia 8 de junho, 40 motoristas da empresa de ônibus TUSA paralisaram o trabalho e se dirigiram ao sindicato para reivindicar um aumento de 39%, e não apenas os 20% que haviam recebido. No dia seguinte, passariam a ter o apoio dos trocadores. (…)”

– Censura: “Do mesmo jeito que veio – pelo telefone – a censura prévia foi suspensa nos jornais Tribuna da Imprensa, O São Paulo e Movimento. (…)

-Expediente:“Editores: Paulo Moreira Leite, Edmundo Machado, Sandra Carvalho, Arthur Pereira Filho e Celso Marcondes (…)”

Página 3

– Fotografia: Manoel da Conceição, líder camponês do Maranhão preso e torturado pela ditadura militar.

-Manoel da Conceição: “Eu quero voltar”
“Manoel está a 2 anos e 3 meses fora do Brasil. Agora ele quer voltar. E exige do governo garantias escritas de que não sofrerá mais ameaças de morte. (…)”; Lutas operárias; anistia ampla e irrestrita; liberdades democráticas; direito de retorno aos exilados.

– Após 64, prisão, torturas e exílio: “Após um longo trabalho para conseguir a documentação necessária, Manoel da Conceição Santos foi para a Suíça no dia 11 de março de 1976, onde permanece até hoje, buscando o apoio do movimento operário internacional para a defesa dos direitos dos trabalhadores brasileiros(…)”

-Carta de apoio ao comitê de Anistia: “Num ato público com a presença de mais de duas mil pessoas, entre elas advogados do MDB, advogados, estudantes e trabalhadores, foi fundada a seção santista do Comitê Brasileiro pela Anistia. (…) Um lider dos estivadores foi lembrado diversas vezes: Oswaldo Pacheco da Silva, preso pelo regime, antigo dirigente da CGT, preso pelo regime. (…)”

– As opiniões de Manoel sobre sindicatos e partido operário: “‘Os trabalhadores devem derrubar essa estrutura sindical, verticalista e burocrática que temos no Brasil, organizando-se pela base, tanto dentro da fábrica, como dentro do próprio sindicato verticalista que existe, com o único propósito de destruí-lo e criar um novo. Mas a organização pela base, por sí só, não é suficiente. É preciso se organizar visando uma Central Única dos Trabalhadores. (…); Partido operário independente; sindicalismo autônomo

-Zé Ibrahim também precisa voltar: “Como Manoel da Conceição, José Barbosa e outros dirigentes sindicais atualmente no exterior, José Ibrahim, presidente do sindicato dos metalúrgicos de Osasco durante a greve de 68 e banido pelo governo militar em 69 também quer voltar ao Brasil (…)”

Páginas 4/5

– A força da greve: “Quando 150 mil operários resolvem paralisar suas atividades, ninguém pode ficar indiferente. Percebendo a falência do regime militar, empresários, militares e pelegos tentam se articular para bloquear este movimento. Mas as greve estão crescendo, em diversos lugares se formam comissões de fábrica e com elas os trabalhadores dão um passo vitorioso na solução de seus problemas”
“A greve dos 150000 trabalhadores trouxe lições importantes para os que dela participaram, e levaram questões fundamentais com as quais, cedo ou tarde, empresários teriam que se defrontar. Impulsionadas pela reivindicação de 20% de aumento, as greves estão acontecendo à margem das direções sindicais e de quem quer que seja. (…)”

– As comissões na zona sul: O movimento grevista na zona sul de São Paulo, onde há 300 indústrias metalúrgicas, adquiriu novas características com seu crescimento nos últimos dias. Os operários estão exigindo comissões permanentes de trabalhadores para conduzir suas reivindicações – centradas no aumento salarial de 20% (…)

– Falência do regime: “Cerca de 150 mil trabalhadores, dos mais diferentes setores da produção, entraram em greve nos últimos 30 dias. Sua intervenção surpreendeu nossos governantes, os oficiais da FFAA, os políticos importantes, os dirigentes sindicais e a imprensa em geral. (…)”; unidade das lutas; constituinte; organização de partidos operários independentes

– Euler ou constituinte soberana? “(…) No dia 19 de maio, Severo Gomes dava seu recado aos donos do poder, através da Folha de São Paulo, anunciando o que fazer diante do impasse que vive o país, revelando com clareza a origem das preocupações ‘democráticas’ da classe dominante. Na verdade, a crise que corrói o regime brasileiro é mais que uma simples ineficácia da atual equipe militar. (…)”; Frente de Redemocratização Nacional.

– Perspectiva: “Um Encontro Operário da Grande São Paulo. Esta é a perspectiva lançada pelas entidades que assumiram o 1º de Maio de Osasco. (…)”

– Barbará: ameaças “Depois de vencidas as vacilações dos operários mais antigos, a Metalúrgica Barbará parou, no dia 5. Os trabalhadores das 7 horas – conforme se havia combinado – entraram na fábrica e encostaram-se ao lado de suas máquinas. Os que vieram depois fizeram o mesmo. (…)”

-Luta na Massey:“Mesmo com as grandes pressões exercidas pelos patrões, gerentes e chefes de seção, todos os 1100 horistas da Massey-Ferguson continuaram com as reivindicações que estão fazendo com a greve iniciada na quarta feira, dia 14 de junho. (…)”

Página 6

– Eleições do DCE/USP:“A conjuntura política acaba com as indefinições, isola e fraciona as correntes políticas que não conseguem apontar uma saida clara diante da crise do regime militar e o avanço do movimento operário. (…)”; Liberdade e Luta

– União Nacional dos Estudantes da França Resolução adotada pelo 64º congresso da UNEF; apoio internacional à reconstrução da UNE

– Alternativa ganhou na PUC: “A chapa Alternativa venceu as eleições para a direção do DCE-livre da PUC, recebendo 1586 votos num total de 4993. (…)”

– Comissão pró-DCE Livre em Londrina: “A formação de uma comissão pró-DCE Livre e a decisão do não-reconhecimento do Regimento da Fundação Universidade Estadual de Londrina – FUEL foram os saldos políticos que os estudantes obtiveram do Ato Público de Protesto, (…)”

Derrota da indefinição política: Entrevista de O Trabalho com Josimar Melo, dirigente recém-eleito do DCE da USP

Página 7

– Sindicato livre na URSS: “No dia 10 de fevereiro de 1978, o mineiro Vladimir Khlebanov, de Donets, era internado a força no hospital psiquiátrico nº7 de Moscou. Passados quatro meses, ele permanece detido alí, sem perspectiva de sua libertação.
Sua culpa? Ter fundado, junto com dezenas de operários, o Sindicato Livre dos Trabalhadores da União Soviética. (…)”

– Apelo a Organização Internacional do Trabalho e às organizações sindicais dos trabalhadores dos países ocidentais: “Nós, desempregados soviéticos, chegando à Moscou procedentes de diversas cidades e repúblicas do país, somos constrangidos a pedir, através desse apelo, sua ajuda material e moral através da imprensa no Ocidente. (…)”

Página 8

– Residentes em Luta: “A greve dos médicos residentes da Escola Paulista de Medicina, reivindicando um novo piso salarial e tendo como principais bandeiras a luta por melhores condições de ensino e pelo enquadramento dos serviços médicos prestados na legislação trabalhista, já assumiu caráter nacional. (…)

-Manchetes:
“Na Bahia e em São Paulo, professores mobilizados contra o arrocho; Na USP, uma vitória da Constituinte Soberana e da aliança operário-estudantil; Na URSS, Trabalhadores resistem à burocracia”

– Oposição se lança na Sabesp: “Há 3 anos, Antônio Santiago foi eleito – em chapa única – o primeiro presidente do recém-formado Sindicato dos Trabalhadores da indústria de Purificação, Distribuição de água e em Serviços de Esgoto do estado de São Paulo. Nesse periodo, fez uma gestão à base de muita omissão diante da categoria, e extrema fidelidade aos interesses da empresa. (…)”; Entrevista com José Eduardo de Campos Siqueira, da chapa 2 de oposição.

📰 Confira a edição na íntegra