Aqui está a edição nº8 do Jornal O Trabalho, publicado no dia 29 de agosto de 1978 pela então Organização Socialista Internacionalista, que se tornaria a corrente O Trabalho do PT. O volume, que acompanhava a greve geral dos professores do estado de São Paulo, as manifestações contra a carestia e atos contra as prisões políticas, trazia impressionantes fotos da mobilização popular contra a ditadura

📰 Confira a edição na íntegra

Confira abaixo o índice da edição:

Página 1

-Capa:
O governo comparece à manifestação de 20 mil pessoas na Sé: BOMBAS NO POVO

– Editorial:
“(…) se o governo mudou seus slogans, [prova-se que] continua interessado em impedir que os trabalhadores se aproximem dos espaços de tomada de decisão. Apesar disso, as bombas e as prisões não anunciam uma vitória para o governo: mesmo com dificuldades, as manifestações aconteceram; e a prisão dos membros da Convergência mereceu repúdio não só de entidades estudantis (…)”

Página 2

– Os trabalhadores “essenciais” se mobilizam, apesar do decreto-lei contra as greves:
“(…) assim como os metalúrgicos e diversas outras categorias vêm ignorando a quatro meses toda a legislação e o aparato repressivo montado no país para impedir as greves, esses setores [essenciais] vem mostrando sua disposição de luta, apesar da nova lei. (…)”

– Em cima da hora
“Cerca de dois mil trabalhadores compareceram à assembleia da Light, (…) Tão grande foi o movimento que o sindicato teve que mudar radicalmente seu linguajar. ‘O sindicato atrelado está acabando(…)’ ”

– Jornalistas do RS entram na luta contra o arrocho: querem 20% já!
“(…) Mais de 400 deles se reuniram na sede do sindicato em Assembléia Geral, a fim de discutir formas de encaminhar a luta por 20% de aumento imediato. Apesar de algumas vacilações por parte da diretoria do sindicato, a categoria conseguiu fixar um prazo para a resposta dos patrões. (…)”

– Ato público: repúdio à estrutura sindical
“(…) A conquista da liberdade sindical se dará com a luta dos trabalhadores, através de suas organizações. Este foi o ponto comum de todos que se manifestaram durante o ato público. O representante da oposição da construção civil afirmou ainda que ‘só a nossa união pode dar uma alternativa concreta para a classe operária, como por exemplo na campanha salarial que se inicia.’ (…)”

Demissões na Brown-Boveri
– “(…) a empresa está negando o adiantamento da segunda quinzena aos demitidos e, embora tenha pago o aviso prévio, não deu baixa nas carteiras dos trabalhadores, impedindo-os, assim, de conseguir outros empregos. (…)”

– Biólogos: Rumo à vitória
“Os estudantes de biologia e os biólogos profissionais conseguiram vitória parcial a partir de sua mobilização e da greve que realizaram. Sua regulamentação profissional já foi aprovada, no dia 23, na Câmara Federal e caminha para o Senado. (…)

– Artistas: Pelo fim da censura
“O fim da censura, a liberdade de expressão e a liberdade sindical, além de uma regulamentação profissional que realmente atenda seus interesses, foram as bandeiras principais levantadas pelos artistas paulistas, cariocas e mineiros nos atos públicos promovidos simultaneamente em suas capitais, no último dia 17. (…)”

– Notas:
Operário demitido por vender o Jornal O Trabalho; mobilização entre têxteis no RS; “violência obstétrica”; perseguição política à dirigentes sindicais

-Expediente:
“Editores: Paulo Moreira Leite, Edmundo Machado, Arthur Pereira Filho, Celso Marcondes e José Roberto Campos”

Página 3

– Na Praça,
“Dentro da Igreja, o Movimento do Custo de Vida já tinha concluído os trabalhos. As milhares de pessoas que ali se encontravam ouviam o conselho dos organizadores: ‘Retirem-se para suas casas, normalmente’. Mas os populares não queriam que a manifestação acabase ali. (…)”

– Nas Ruas,
“Em janeiro deste ano, estudantes, professores e trabalhadores de diversas categorias começavam a organizar um movimento que tentaria construir um Partido Socialista no Brasil: a Convergência Socialista. No ultimo dia 24, menos de 72 horas depois de terminada sua primeira convenção nacional, 22 membros da Convergência eram vítimas de mais uma operação da polícia política do regime militar. (…)”

– Contra a repressão
“Diversas passeatas-relampago preparam o ato público de dia 28 de agosto, segunda-feira. Grupos de 200 e 300 pessoas se manifestaram pelo Parque Dom Pedro II, Praça Fernando Costa, rua são Bento e outras ruas do centro. Depois, 3 mil estudantes e trabalhadores foram ao Largo São Franscisco, que estava cercado por um enorme aparato policial. Dentro da Faculdade de Direito, exigiram a imediata libertação dos presos da Convergência Socialista e o fim dos ataques terroristas contra o jornal ‘Em Tempo’. (…)”

Páginas 4 e 5

– Greve até a vitória
“Ao deflagrarem a primeira greve geral por categoria dos últimos 15 anos, os professores surpreenderam o governo militar, venceram as manobras dos pelegos e ganharam o apoio da população para as reivindicações de melhores salários, condições dignas de trabalho e melhores condições de ensino. (…)”

– A construção do Sindicato Livre
“(…) o próprio movimento grevista encarregou-se de forjar organismos democráticos para centralizar a greve, diante da omissão ou mesmo franca oposição ao movimento por parte das entidades. Surgiu o Comando Geral da Greve, composto por comissões regionais, organismos de base, espalhados pela Capital e Interior, das quais participam os professores eleitos em suas escolas. (…)

– Dura Sobrevivência
“(…) A partir do início da greve, a situação dramática do professorado tornou-se de conhecimento público, colocando abaixo a visão distorcida de que só os trabalhadores braçais são vítimas do arrocho salarial. Afinal, além da existência de grande número dos professores contratados a título precário, sem o amparo da CLT, o nível salarial da categoria é dos mais baixos. (…)

– Expansão da Luta
“O movimento grevista dos professores paranenses tomou novo impulso com a greve dos professores paulistas. Iniciada no dia 4 de agosto, a greve atingiu 96 dos 290 municipios do estado em mais de 40 mil professores. Os professores de Maringá, após terem retornado ao trabalho e permanecido quatro dias em atividades normais, na esperança de um diálogo com o governo, retomaram a greve geral. (…) A perspectiva de ampliação da greve dos professores a outros estados já começa a se fazer sentir no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais. (…)”

Página 6

– Figueiredo, Euler ou Constituinte Soberana?
“23 de agosto de 1978: enquanto mais de 70000 professores paralisavam suas aulas em São Paulo, exigindo melhores condições de vida e de trabalho, o MDB decidia, na sua convenção nacional, participar das eleições indiretas para a presidência da república. O candidato escolhido, um general: Euler Bentes Monteiro. Sua proposta, democracia. (…)”

– Unidade contra o Arrocho
“O país entrou definitivamente em um novo periodo. As greves que já ultrapassaram mais de 400 mil trabalhadores ignoram uma estrutura sindical podre e seus dirigentes. Zombaram do governo militar e de suas leis antioperárias.”; construção da Central Unica dos Trabalhadores e do Partido Operário Independente

Página 7

– Brasil: Que congresso é este?
“O regime que nasce com o golpe é fraco, pois que não destruiu fisicamente a classe operária, como aconteceu, por exemplo, com o golpe de Pinochet no Chile. Os trabalhadores não opuseram uma resistência ativa e organizada ao golpe, apenas suas direções e alguns setores isolados foram atingidos. No geral, o potencial de combate da classe operária permanece intacto, e como um polo ameaçador. Assim, o regime militar vai precisar construir instituições que canalizem o protesto dos trabalhadores, ao mesmo tempo em que impeçam sua organização no seu próprio terreno. Uma dessas instituições será o Congresso. (…)”

– Espanha: Que constituinte é esta?
“(…) Diante do ascenso das massas na Espanha, apavorados com o exemplo da revolução portuguesa, a burguesia espanhola busca modificar as formas de dominação de classe da maneira mais suave e gradual possível e evitar que os trabalhadores aproveitem as brechas abertas e se organizarem em direção à formação de seu próprio poder. O essencial é salvar o Estado Burguês. (…)”

Página 8

– 65% ou greve
“(…) No dia 23, concentrados em frente ao Sindicato dos Bancos, mais de 700 bancários levantaram faixas, gritaram palavras de ordem – ‘pelo direito à greve’, ‘abaixo a ditadura’ – distribuíram panfletos e denunciaram os pelegos por sua conduta durante as negociações. Uma comissão foi eleita para negociar com os banqueiros mas, chegando ao local da reunião, soube que os patrões já haviam apresentado uma contraproposta, que só seria divulgada a noite por Chico Teixeira, na assembléia. Foi o suficiente para que, liderados pela Oposição Sindical, fosse feita uma passeata pelas ruas do centro financeiro de São Paulo. (…)”

– Passeata em BH. Ato público no Rio
“Em assembléia realizada no dia 18, em Belo Horizonte, cerca de 600 bancários aprovaram as propostas feitas pela Comissão Salarial e pelo Movimento Bancário Independente: aumento de 20%, acima dos índices do governo e outras reivindicações levantadas em todos os Estados. (…) No Rio de Janeiro, a combatividade não é menor. As últimas assembléias tem contado com a presença de cerca de mil bancários. Entretanto, a categoria não tem encontrado o apoio firme e decidido da oposição, chapa 2, que tem conciliado com os pelegos. (…)”

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