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Entrevista com Fabiola Antezano: em defesa da Eletrobras

12 de março de 2018
Fabiola

O Trabalho conversou com Fabio­la Latino Antezana, dirigente sindical do Sindicato dos Urbanitá­rios do Distrito Federal e Secretária de Energia da Confederação Nacio­nal dos Urbanitários – CNU que com­põem o CNE – Coletivo Nacional dos Eletricitários.

 

O Trabalho – O que representa a Eletrobrás e qual seu papel para o país?

Fabíola Latino Antezena – A Eletro­brás é a maior empresa de energia da América Latina, a 16ª maior do mundo. No Brasil é responsável pe­los maiores empreendimentos de ge­ração de energia, detém 70,2 mil km² de linhas de transmissão que possi­bilitaram integrar o País de Norte a Sul, e possui 4,3 milhões de clientes de distribuição diretos. A Eletrobrás foi responsável pela execução do Pro­grama Luz para Todos, alcançando 15,9 milhões de moradias. Hoje é a empresa que vende a energia mais barata do país e responsável direta das grandes obras estruturantes.

 

OT – Como está a luta contra a tentativa de privatização?

FLA – A luta iniciou em 2016 quando o governo já mostrava a gana em privatizar. A proposta inicial era en­viar a Medida Provisória em outubro de 2016. O Coletivo Nacional dos Eletricitários, que congrega as repre­sentações de trabalhadores em todo o país, iniciou a resistência na Câmara e Senado por meio da realização de audiências públicas e pela criação das Frentes Parlamentares em Defesa do setor e das empresas, totalizando 7 Frentes específicas para essa luta. Conseguimos a aprovação de um pro­jeto de decreto legislativo (PDC) na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara que estabelece a realização de um referendo se o Congresso aprovar a privatização da Eletrobrás. Este PDC deve ser votado no Plenário da Câma­ra e agora estamos trabalhando nisso. Também travamos a luta no âmbito jurídico, questionando do ponto de vista da legalidade o processo de pri­vatização, além de alertar ao Tribunal de Contas da União sobre os valores utilizados como referência pelo go­verno. Ainda, estamos avançando no convencimento do papel da Eletro­brás estatal junto aos Estados, com a realização de audiências públicas em todo o país. Com isso temos ganhado espaço junto a parlamentares da base do governo.

 

OT – Qual impacto da privatização na vida do povo?

FLA – São muitos, mas o principal é o aumento da tarifa de energia. A proposta prevê o aumento da energia no primeiro elo da cadeia, que são as geradoras. Isso terá um efeito cascata e refletirá em toda a cadeia, inclusive na indústria e setor agropecuário que utiliza a energia elétrica em seus processos produtivos. Com isso, os insumos também sofrerão aumento. E tudo será repassado à população.

Ainda, há uma previsão no aumento da energia termelétrica, pois o capital privado não fará expansão do sistema hídrico, esta energia é mais cara, e também será repassada ao consu­midor. Isso sem falar nos impactos ambientais. No caso das populações que são atendidas pela distribuição nos estados de AL, AM, AC, PI, RO e RR, que são da União, mas operadas pela Eletrobrás, o aumento será ainda maior. Pois, para torná-las atraentes ao mercado, já foi autorizado um aumento na tarifa estadual no ano passado (RR chegou a 50%, PI 27% por exemplo) e está prometido um aumento para o cenário pós priva­tização.

Nesse processo, a sociedade não tem nada a ganhar. Basta ver o que ocorreu na Argentina e Portugal que privatizaram esse setor estratégico. Na Argentina por exemplo, o aumento na tarifa chegou a 700% em dois anos.

O Brasil está caminhando na con­tramão da tendência mundial. Países como EUA, Canadá, China, França, Austrália, detém a geração hidroelétri­ca nas mãos do Estado por questões de segurança nacional, relacionando não apenas a geração de energia, mas também o uso múltiplo das águas, que é estratégico para seus países.



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