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ENTREVISTA: Greve do magistério gaúcho

18 de setembro de 2017

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Os professores estaduais do Rio Grande do Sul estão em greve por tempo indeterminado, desde o dia 5 de setembro. A mobilização é contra o parcelamento de salários por parte do governo de Sartori (PMDB). O Traba­lho ouviu o professor Luiz Henrique, recém-eleito diretor do 14º Núcleo do CPERS/Sindicato – professores e fun­cionários de escola – que abrange 25 ci­dades da região do Vale do Sinos, entre elas São Leopoldo e Novo Hamburgo.

Entrevista feita por Marcelo Carlini.

O Trabalho – Qual a situação da categoria?

Luiz Henrique – A situação é desespe­radora. Nos chegam relatos de profes­sores despejados de suas casas e que vivem com parentes porque não tem recursos para se alimentar.

O governo do Estado depositou R$ 350,00 no dia que deveria pagar os salários e já ameaça que pode juntar um parcelamento com outro. O 13º de 2016 foi parcelado em 12 vezes. Já são 21 meses que não recebemos os sa­lários – baixos e congelados – em dia.

OT – Como está a adesão ao movimento?

LH – A greve está crescendo na região e em todo o Estado. Na manhã de hoje (12/9) o Sindicato arrancou uma audi­ência do governo com o comando de greve a partir de um ato realizado em frente ao Palácio Piratini.

Nossa mobilização precisa avançar na organização da categoria, elegendo e reforçando os comandos de greve, representantes de escola e de muni­cípios, além de buscarmos o apoio e a participação de toda a comunidade escolar no movimento. Nesta sema­na estamos organizando uma Aula Pública para explicar os motivos da crise e as consequências do acordo da dívida que Sartori quer assinar com Temer, foi a forma que encontramos para mostrar para a categoria como o ajuste fiscal nacional se relaciona com a política local.

OT – O que o governo alega para justificar o parcelamento?

LH – O governo cria o caos de caso pensado. Dinheiro existe, mas somen­te com a Lei Kandir (isenção de ICMS sobre exportações) o estado perdeu R$ 48 bilhões, a dívida com a União leva R$ 300 milhões todo o mês, e as isenções representam R$ 14 bilhões por ano. Isso para não falarmos da sonegação estimada em R$ 8 bilhões por ano. Todo esse dinheiro daria para pagar e reajustar os salários, além de contratar novos servidores. O pro­blema é que Sartori protege os ricos e chantageia os trabalhadores para convencer o povo de que é preciso fazer o acordo da dívida com Temer, como no Rio de Janeiro. Nesse acor­do, em troca da suspensão temporária da dívida, o governo congela salários e suspende contratações até 2020, entrega as estatais como garantia e estrangula ainda mais os serviços públicos. Daí que temos que combater contra a concretização desse acordo que só vai estrangular mais os serviços e os servidores públicos do estado.

OT – Recém-eleito para direção do 14º Núcleo, quais as tarefas pela frente?

LH – Nosso núcleo era dirigido pela Conlutas. Na campanha confirma­mos nossa avaliação de que a política deles nunca foi a de organizar a cate­goria, eleger representantes de escolas e cidades. A tática era manter poucos filiados para controlar tudo com mais facilidade. Nosso principal desafio é fazer aquilo que a Direção Central reeleita começou a fazer, reconstruir a entidade para enfrentar a política de desmonte dos serviços públicos e ataque aos direitos de Sartori. E isso começa já, na batalha para reforçar nossa greve. Como também conectar nossa categoria com o movimento mais geral dos trabalhadores, com a CUT, na luta contra o golpe e as con­trarreformas dos golpistas.



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