SITE DA CORRENTE O TRABALHO DO PT - TENDÊNCIA INTERNA DO PARTIDO DOS TRABALHADORES - SEÇÃO BRASILEIRA DA 4ª INTERNACIONAL -
CORRENTE O TRABALHO DO PT

“Escola sem Partido” já faz vítimas

27 de julho de 2016
escola sem partido

Em Curitiba, professora é punida por ensinar Marx, alunos reagem

No início de julho, um trabalho de sociologia dos alunos do primeiro ano de uma escola pública de Curitiba causou o afastamento da professora. Motivo? O ex-blogueiro da Veja, Rodrigo Constantino, a acusou de fazer “doutrinação marxista”.

Com o título “Marx é Baile de Favela”, o trabalho dos alunos do 1º B do Colégio Estadual Profª Maria Gai Grendel consistia em uma paródia do funk Baile de Favela, com uma letra que abordava o pensamento de Karl Marx, a partir da matéria vista em sala e que consta das Diretrizes Curriculares.

Diz a letra:

… “Os burgueses não moram na favela/

Estão nas empresas explorando a galera/

E os proletários, o salário é uma miséria/

Essa é a mais-valia, vamos acabar com ela.

clique aqui e assista o vídeo

O vídeo alcançou mais de 150 mil visualizações em menos de 24 horas e virou alvo dos conservadores.

A partir da “denúncia” feita por Constantino na página do Facebook da escola, o Núcleo de Educação afastou a professora de sociologia Gabriela Viola das aulas. Gabriela é professora PSS, ou seja, tem um contrato precário como professora.

Alunos reagem e direção a recua

O afastamento gerou imediata mobilização dos estudantes, que iniciaram a campanha #VoltaGabi. No dia 6, os alunos fizeram um protesto silencioso durante a execução do Hino Nacional e oração (os alunos são obrigados a rezar todos os dias) e, durante o intervalo, cantaram a paródia. A direção da escola tentou impedir a filmagem do protesto e chamou a Polícia Militar, que entrou na escola fortemente armada para intimidar os alunos. A intimidação chegou ao cúmulo de um representante do Núcleo de Educação passar em sala, com a direção da escola para ameaçar os estudantes de negar a matrícula deles no ano que vem em toda a região.

A partir de toda essa mobilização dos estudantes e com a intervenção do Sindicato, a professora pôde retornar à escola na segunda, dia 11, mas essa luta não acaba aqui.

“Assédio ideológico?!”

Não é possível aceitar esses ataques. Tais tentativas de proibir autores ou assuntos com a desculpa fajuta de “doutrinação” significam proibir parte do conhecimento humano e científico.

É exatamente isso que os vários projetos de “Escola Sem Partido” pretendem: a liquidação do conhecimento científico. Todos os projetos ligados ao tal programa, como o PL 867/2015 do deputado Izalci Lucas Ferreira (PSDB- -DF), defendem que os professores, livros didáticos, avaliações e vestibulares devem apresentar “as principais versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes”, independentemente de serem científicas ou acadêmicas ou serem meros chutes preconceituosos.

Outro projeto, o PL 1411/2015 do deputado Rogério Marinho (PSDB/ RN), tipifica o crime de “assédio ideológico” em sala de aula, prevendo cadeia e multa aos professores que ousarem apresentar qualquer conhecimento acadêmico que contrarie o que ensinado no “ambiente familiar”. Mais 11 estados tem projetos semelhantes.

Os apoiadores do golpe do impeachment são seus autores.

Maurício Moura

Artigo originalmente publicado na edição nº 790 do jornal O TRABALHO de 21 de julho de 2016.



Outras publicações

22 de outubro de 2016

Praticamente ignoradas pelos grandes meios de comunicação nacional (os telejornais noticiam  as ocupações somente em seus programas locais), crescem as ocupações de escolas e universidades contra a reforma do ensino médio e a PEC 241. Segundo levantamento, o movimento já alcançou 19 estados em todo o país; atinge mais de mil escolas secundaristas segundo a União […]


27 de agosto de 2016

Já em dificuldade, universidades serão desmontadas com tal medida. A situação é grave. O governo golpista, descaradamente, dispara em direção ao desmonte da educação pública atacando o seu financiamento. É possível fazer uma “lista do terror” com tantas medidas que vêm sendo propostas e aprovadas pelo usurpador do Planalto, com os golpistas no Congresso. Nesta […]


16 de agosto de 2016

“Querem guilhotinar nossas conquistas” O 14º Encontro Nacional da Juventude Revolução (ENJR) ocorreu de 22 a 24 de julho em São Paulo, com delegados de 10 estados. Nesta entrevista, Lúcia Dal Corso, dirigente do CA de Letras da Universidade Federal de Santa Catarina, eleita para o Conselho Nacional da Juventude Revolução, fala sobre o encontro. […]


SITE DA CORRENTE O TRABALHO DO PT - TENDÊNCIA INTERNA DO PARTIDO DOS TRABALHADORES - SEÇÃO BRASILEIRA DA 4ª INTERNACIONAL -