EVITAR O PIOR?

No dia 2 de agosto o presidente Obama assinou o acordo votado na Câmara e Senado dos EUA para elevar o teto da dívida do governo. Os partidos democrata e republicano fecharam o acordo, depois de um “bate cabeça” fruto da crise política, oriunda da crise econômica do imperialismo, que prevê novos ataques aos trabalhadores estadunidenses. Mais um plano de destruição, mas ainda insuficiente para o capital especulativo. No dia seguinte as bolsas despencaram e agora ronda o fantasma da recessão.

Também em 2 de agosto, ao anunciar o plano “Brasil Maior” a presidente Dilma declarou que o fato tinha um “significado especial para o mundo” porque os EUA “evitarão o pior”. O pior para quem?

O acordo aprovado no Congresso dos EUA, nas palavras de Richard Trumka, presidente da AFLCIO (central sindical), “será devastador, especialmente para a classe trabalhadora”.

Sim devastador para a classe trabalhadora, mas não o suficiente para evitar, nas palavras da própria Dilma, “um período de tensão econômica”.

Se olharmos para a Europa, a cada novo plano de austeridade, como na Grécia, novos planos se anunciam e o perigo do “contágio” permanece. “Tensão econômica” para os trabalhadores tem significado destruição de conquistas e de emprego.

A crise do capitalismo e as medidas para preservar o regime da propriedade privada dos grandes meios de produção, regido hoje pela especulação financeira, ameaçam os povos em todo o mundo. O imperialismo dos EUA, democratas e republicanos irmanados, continuará promovendo enxurradas de dólares e produtos asfixiando as nações, na busca de oxigênio para sobreviver.

Até mesmo o ex-ministro Delfim Neto escreve que o sistema financeiro se “transformou em arma de destruição em massa” (FSP 3/08)! Então o que é evitar o pior?

Dilma declara que “é preciso proteger nossa economia, nossas forças produtivas, nosso mercado consumidor e o emprego da concorrência desleal”. Mas a política de seu governo caminha em outro sentido.

Nenhuma medida efetiva de intervenção e centralização do câmbio para livrar o país da enxurrada dos dólares especulativos. Nada de taxação dos importados para proteger o parque industrial. Ao contrário.

A desoneração da folha de pagamentos contida no plano Brasil Maior ameaça um dos principais direitos dos trabalhadores, a aposentadoria, ao colocar em questão a Previdência Social.

A privatização dos aeroportos através do regime de concessão ameaça a soberania nacional, os empregos e direitos. A sobrevivência de leis herdadas de FHC, como a Lei das Organizações Sociais, é utilizada para privatizar os serviços públicos.

A política de ajuste para preservar o superávit primário e seguir pagando os juros da dívida, retira recursos que deveriam ser destinados aos serviços públicos e ao atendimento das demandas dos trabalhadores.

Essa política só reforça o capital especulativo. Para evitar o pior para os trabalhadores é tempo do governo Dilma romper com a política que está na base da crise e impõe sofrimento ao povo. É hora do PT livrar-se dos “parceiros” do capital especulativo alojados no governo de coalizão para aplicar outra política, afinada com os interesses dos trabalhadores e da nação.