Executiva do PT decide mobilizar para registro de Lula

O balão do PSB não quer subir

Reunidos no dia 3, em Brasília, vários membros da Executiva Nacional do PT saudaram a votação de Obrador no México contra a oligarquia (v. pág. 12), como um estímulo à luta no Brasil contra as mesmas políticas “de mercado”.

A Executiva avaliou a gravidade do quadro social decorrente das medidas privatistas do golpe no Brasil, e aprovou a apresentação das medidas de emergência que Lula adotará para questões como baixar o preço do gás de cozinha, valorizar o salário mínimo e revisar o aumento abusivo dos planos de saúde.

Frente aos bloqueios jurídicos à candidatura de Lula, a Executiva adotou um calendário de mobilização até o registro eleitoral, que inclui atos em 18 de julho nos “100 dias da prisão de Lula”, culminando na Marcha a Brasília, dia 15 de agosto, como chamou o Congresso da Juventude do PT. O MST, a CUT e a Frente Brasil Popular participam.

Os diretórios devem receber nos próximos dias o panfleto com as medidas de emergência, além de jornal tablóide, máscaras de Lula e outros materiais que alimentarão as ações dos Comitês Lula.

Haddad, coordenador do programa de governo, se comprometeu a finalmente apresentar o projeto na próxima Executiva dia 20 de julho. Cinco primeiros membros indicados por Lula para dirigir a campanha, foram apresentados: Gabrielli (ex-Petrobras) coordenador, Berzoini (ex-presidente) tesoureiro, Okamoto (Instituto Lula), Luiz Dulci e Gilberto Carvalho (ex-ministros).

 

E o PSB?

Há um mês, a Executiva decidiu buscar a “coligação nacional com o PSB”, contraditória com a resolução do 6º Congresso de “alianças com setores anti-imperialistas, antilatifundiários, antimonopolistas e radicalmente democráticos”.

Sem resultados concretos, a presidente Gleisi avaliou que em “mais 15 dias” se resolve a questão.

Difícil, pois a maioria dos diretórios do PSB está com Ciro do PDT. A esperança de que o PSB mineiro apoiasse o governador Pimentel do PT, em troca do apoio ao governador do PSB de Pernambuco se esvaneceu, e segue a pré-campanha ao governo de Marília Arraes do PT. De modo que tirá-la em favor do “acordo nacional com PSB” será uma violência sem contrapartida na maioria dos estados, além de desmoralizar a militância que não aceita os governadores Rollemberg (DF) e Márcio França (SP), além de Bornhausen (SC), Beto Albuquerque (RS) e outros que são contra Lula.

Os setores “anti-imperialistas” do PSB, estes devem ser procurados e não hostilizados, como faz a direção aliancista do PT baiano (abaixo).

 

A reflexão de Lula

Ao final da reunião, a presidente Gleisi leu a carta de Lula (ver ao lado) que não pode ser discutida. Ela traz uma reflexão importante para a direção e os eleitores.

Se “não há razões para acreditar que terei Justiça”, como Lula diz, se o caso é de “duvida entre continuar acreditando que possa haver Justiça e a recusa de participar de uma farsa”, que conclusões tirar?

Uma indicação é jogar tudo na mobilização no dia 15 de agosto, “para Brasília tremer, senão Lula não será solto e candidato”, como disse um dirigente na Executiva.

Outra indicação é que o PT indicar um substituto “plano B” é dar autenticidade à farsa de que Lula é vítima.

Por fim, em qualquer caso, se nada se pode esperar da justiça, é decisivo – se faltava argumento – dar todo o lugar à reforma democrática do Estado, reforma do Judiciário, reforma política e da mídia, o que só uma Constituinte pode fazer.

É incontornável.

Markus Sokol


“JÁ NÃO HÁ RAZÕES PARA ACREDITAR QUE TEREI JUSTIÇA”

Trechos da carta de Lula: “A única coisa que quero é que a Força Tarefa da Lava Jato, integrada pela Polícia Federal, pelo Ministério Público, pelo Moro e pelo TRF-4, mostrem à sociedade uma única prova material de que cometi algum crime. Não basta palavra de delator nem convicção de power point. Se houvesse imparcialidade e seriedade no meu julgamento, o processo não precisaria ter milhares de páginas, pois era só mostrar um documento que provasse que sou o proprietário do tal imóvel no Guarujá. (…)

Tudo isso me leva a crer que já não há razões para acreditar que terei Justiça, pois o que vejo agora, no comportamento público de alguns ministros da Suprema Corte, é a mera reprodução do que se passou na primeira e na segunda instâncias. (…)

Não estou pedindo favor; estou exigindo respeito.

Ao longo da minha vida, e já conto 72 anos, acreditei e preguei que mais cedo ou mais tarde sempre prevalece a Justiça para pessoas vítimas da irresponsabilidade de falsas acusações. Com maior razão no meu caso, em que as falsas acusações são corroboradas apenas por delatores que confessaram ter roubado, que estão condenados a dezenas de anos de prisão e em desesperada busca do beneplácito das delações, por meio das quais obtêm a liberdade, a posse e conservação de parte do dinheiro roubado. Pessoas que seriam capazes de acusar a própria
mãe para obter benefícios.

É dramática e cruel a dúvida entre continuar acreditando que possa haver Justiça e a recusa de participar de uma farsa.

Se não querem que eu seja Presidente, a forma mais simples de o conseguir é ter a coragem de praticar a democracia e me derrotar nas urnas.

Não cometi nenhum crime. Repito: não cometi nenhum crime. Por isso, até que apresentem pelo menos uma prova material que macule minha inocência, sou candidato a Presidente da República. Desafio meus acusadores a apresentar esta prova até o dia 15 de agosto deste ano, quando minha candidatura será registrada na Justiça Eleitoral.

Curitiba, 3 de julho de 2018