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França: greves em defesa do serviço público

26 de outubro de 2017
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Mais de 400 mil servidores se manifestam em todo o país

Todos os setores do serviço público da França foram atingidos pelas greves e manifestações do dia 10 de outubro, chamadas unitariamente pelas mais diversas organizações sindicais, contra a política do governo Macron. Hospitais, creches, serviços municipais foram paralisados. Cerca de 30% dos voos foram anulados.

De acordo com uma dirigente sindical da CGT (Central Geral dos Trabalhadores), a greve foi uma resposta à posição do governo de manter um congelamento salarial que já dura sete anos! Outro ponto foi a decisão do governo de cortar o pagamento do salário durante os primeiros dias das licenças legais (por exemplo, nas licenças-saúde, os salários seriam devidos somente a partir do quarto dia de afastamento, os três primeiros não seriam pagos).

De conjunto, o que está em jogo é o desmantelamento de setores inteiros do serviço público, como assume o próprio governo na apresentação do projeto de orçamento. Depois de ter atacado a legislação trabalhista do setor privado, o governo Macron quer, agora, fazer o mesmo nos serviços públicos. Os servidores, que realizaram a potente mobilização do 10 de outubro, compreendem isso perfeitamente.

Fechamento de 120 mil postos de trabalho
O projeto de orçamento em discussão prevê a supressão de alguns milhares de vagas nos setores das finanças públicas, da infraestrutura, dos ministérios do trabalho e da assistência social. São cortes que vão agravar uma situação em que os servidores das escolas públicas, dos hospitais, das municipalidades penam para assegurar a prestação do serviço demandado pela população.

E isso é apenas o começo pois Macron declarou a intenção de eliminar 120 mil postos de trabalho do setor público até o fim do seu mandato. Ao mesmo tempo, o orçamento militar está sendo aumentado em 5,6% e também está prevista a abertura de 15 mil novas vagas… nas prisões!

O ataque sistemático ao serviço público está sendo organizado por um comitê chamado “Ação pública 2022”. Constituído por “personalidades, empresários, parlamentares” esse comitê vai apresentar um relatório no início de 2018 com mudanças no serviço público visando a obter “economias significativas e duradouras”. Para tanto, poderão propor a transferência de serviços ao setor privado ou a pura e simples supressão de serviços!

Já estamos vivendo o desmonte de toda a arquitetura nacional do ensino público, explica um sindicalista da FO (Força Operária). “O mais recente relatório do Tribunal de Contas pretende que os professores sejam contratados diretamente pelos diretores das escolas e que os salários sejam definidos, localmente, ‘por mérito’. Trata-se de uma enorme regressão social que integra um mesmo projeto reacionário. Para barrar essa política é necessária uma resposta unificada de todas as profissões”.

Correspondente



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