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Haiti: punição aos assassinos de Davidtchen Simeon

3 de setembro de 2016
Haiti Vale essa

Campanha internacional defende a democracia e a integridade física de militantes haitianos

Na tarde de sábado, dia 13 de agosto, no bairro popular de Fort Nacional, em Porto-Príncipe, o jovem Davidtchen Simeon, saía de uma reunião do Movimento de Liberdade e Igualdade dos Haitianos pela Fraternidade (Moleghaf), do qual era militante, quando homens armados o assassinaram covardemente.

O crime foi denunciado pela vereadora do PT de São Paulo durante a apresentação do Manifesto Pela Reconstrução do PT, do Diálogo e Ação Petista, em 19 de agosto, mesmo dia em que diversas organizações haitianas lançavam um apelo pedindo a solidariedade nacional e internacional.

Diz o apelo:

“É importante assinalar que alguns dias antes desse odioso assassinato, na quarta-feira 10 e na quinta 11 de agosto de 2016, Davidtchen havia sido violentamente agredido e ameaçado por policiais.

A motivação para tais atos de barbárie foi o fato de, num primeiro momento, Davidtchen Simeon ter expressado sua posição crítica em relação a um projeto de construção de prédios e de uma avenida que a UNOPS – uma agência da ONU – implantava em seu bairro e, num segundo momento, ter denunciado o salário miserável dos operários que trabalham nessas obras.

De fato, como é público e notório no Haiti sob ocupação, a implantação de projetos nos bairros populares frequentemente é feita com a utilização de jagunços para intimidar a população.

O Moleghaf, a organização à qual Davidtchen pertencia, é conhecida pelo combate em defesa da soberania nacional e pela retirada das tropas da Minustah do Haiti, sem o que Moleghaf considera que não pode haver condições para o exercício real da democracia.

Mas independentemente das opiniões políticas que se possa ter sobre essas questões, o assassinato de Davidtchen precisa ser condenado com a maior firmeza por todos aqueles que tem compromisso com a defesa da democracia e dos direitos humanos mais elementares.

Nesse sentido, nós, que participamos da mesa da Conferência-Debate sobre a ocupação do Haiti, reunidos em Porto-Príncipe, nesta sexta-feira, 19 de agosto de 2016, na sede do Bureau dos Advogados Internacionais (BAI), apelamos à solidariedade nacional e internacional de todas as organizações, para tomarem posição exigindo das autoridades competentes, particularmente do Ministério da Justiça e da Segurança Pública, do Escritório de Proteção Cidadã (OPC) e da Instrução Geral da Polícia Nacional do Haiti (PNH), a identificação e a condenação dos mandantes e dos autores do assassinato de Davidtchen Simeon.”

Agressões continuam

Respondendo ao apelo, em apenas alguns dias dezenas de moções foram enviadas às autoridades haitianas. No entanto, os ataques não cessaram. Na noite de domingo, dia 21, o mesmo policial que havia agredido Davidtchen Simeon, também golpeou e ameaçou matar um dirigente do Moleghaf, David Oxygène, que chegou a ter um revólver apontado para sua cabeça.

Esse policial é membro da PNH, Polícia Nacional do Haiti constituída diretamente pela ONU e chama-se Jean Maxime. Ele foi denunciado à justiça e o fato repercutiu na imprensa em nota pública pelo Konakom (Partido Moderno Pela Renovação do Haiti), que integra o Mopod (Movimento Patriótico Popular Dessaliniano).

Uma semana depois, no domingo 28 de agosto, pela manhã, o mesmo policial Jean Maxime, perpetrou nova agressão contra outro militante do Moleghaf, o companheiro Saint Jean Romario Dangelo.

A ocupação do país pelas tropas da ONU está na origem desses crimes. Para barrar essa escalada da barbárie é preciso fortalecer urgentemente a campanha que exige apuração e punição dos responsáveis pelo assassinato de Davidtchen Simeon.


Participe da campanha:

As moções e posicionamentos pela apuração e punição dos mandantes e assassinos de Davidtchen Simeon devem ser encaminhadas às autoridades haitianas:

  • e-mail para: L’Office Protecteur  Citoyen (OPC): opc@protectioncitoyenhaiti. org e opc-haiti@hotmail.com

Carta ou telegrama para:

  • Ministère de la Justice et de la sécurité publique (MJSP): Av. Charles-Summer 18, Port-au-Prince
  • Inspection Générale de la Police Nationale d’Haïti (PNH): 07     Autoroute de Delmas (zone Delmas 2, Haïti)

Solicita-se enviar cópia para os seguintes e mails:

  • Confederação dos Trabalhadores dos Setores Público e Privado (CTSP): ctspphaiti@yahoo.fr
  • Bureau dos Advogados Internacionais (BAI): avokahaiti@aol.com
  • MOLEGHAF:moleghaf17@yahoo.fr
  • CUT Brasil: julioturra@cut.org.br

Do Brasil, já enviaram moções

CUT-Central Única dos Trabalhadores; Sindsep-DF; SindsepMT; Deputado Vicente Candido (PT SP); Vereadora Juliana Cardoso (PT SP); Vereador Paulo Fiorilo (Presidente PT SP); Osvaldo Bezerra (Presidente do Sindicato Químicos de SP); Catia Silva (Secretaria Combate Racismo PT SP); Claudinho Silva (PT SP); MST Movimento Trabalhadores Sem Terra – Cassia, Secretária de Relações Internacionais; MNU Movimento Negro Unificado – Milton Barbosa; Rede Jubileu SUL – Rosi Wansetto; Comitê Haiti – Lucia Skromov; JPT Juventude do PT SP – Vitor Marques; Comitê Defender o Haiti é Defender a Nós Mesmos; Sinpro-ABC; A CONTEE (confederação professores do ensino privado) e a CONDSEF (servidores federais), entre outros.


Publicado na edição nº 793 do jornal O TRABALHO de 1 de setembro de 2016.



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