Homenagem ao jogador Sócrates

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“No Estádio do Pacaembu lotado, na tarde do dia 04 de dezembro, a torcida do Corinthians ergueu o punho direito fechado homenageando, junto com os jogadores em campo, um dos maiores jogadores do time: Sócrates, morto na madrugada daquele dia em que seu time se consagraria campeão brasileiro.

Essa homenagem não reverenciava somente um craque do futebol, mas reconhecia o papel proeminente que Sócrates jogou na luta popular contra a ditadura, na luta pelas liberdades democráticas e pelos direitos dos trabalhadores.

O jogador Sócrates foi expressão mais destacada, no âmbito do esporte, da luta de massas que o povo brasileiro empreendeu no final dos anos 70 e começo dos 80 para acabar com a ditadura. Ele, Casagrande e Wladimir, lideraram um movimento de defesa dos direitos sindicais dos jogadores que questionava a arbitrariedade existente nos times de futebol.

Sob forte pressão contrária de boa parte da imprensa esportiva, o grupo conseguiu dar expressão externa ao movimento chamado Democracia Corintiana. Não foi necessário muito tempo para ligar a luta pelas reivindicações dos jogadores ao movimento geral de contestação da ditadura. No ano de 1984, Sócrates e os outros jogadores estiveram na linha de frente da campanha pelas Diretas Já.

Nesse período de efervescência política e de busca de caminhos, Sócrates, como muitos militantes, procurava informação e apoiava iniciativas dos trabalhadores. Foi assinante do jornal O Trabalho e contribuiu com nossas campanhas financeiras. Numa ocasião, fomos ao final do treino no parque São Jorge vender calendários de nossa campanha financeira aos jogadores do Corinthians. Como estavam todos ainda no vestiário, Sócrates pegou todos os calendários, levou aos jogadores e, meia hora depois, voltou com as contribuições dos seus companheiros de time.

O jornal O Trabalho se soma às homenagens que o povo brasileiro faz em memória de Sócrates.

Henrique Ollitta
Artigo publicado na edição nº 704 do jornal O Trabalho