Iraque: Mosul arrasada por bombardeios de EUA e aliados

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As armas de destruição em massa da coalizão militar conduzida pelo exército estadunidense transformaram Mosul, segunda maior cidade do Iraque, em um grande campo de ruínas. A aviação francesa efetuou 1.307 ataques aéreos no Iraque e na Síria desde setembro de 2014, sendo 600 só na batalha de Mosul.

O objetivo era desalojar os militantes da organização Estado Islâmico (EI).

Todos os meios militares oficialmente “convencionais” foram usados para atingir esse objetivo. Segundo estudo da ONU, um terço da antiga cidade (5 mil prédios) foi destruído nas três últimas semanas de bombardeios. Mais de 10 mil prédios foram danificados ou destruídos no restante da cidade.

Os testemunhos dos sobreviventes são esclarecedores. Eles dizem que as casas foram bombardeadas enquanto suas famílias e vizinhos estavam ainda presentes, falam de feridos sem socorro, de vítimas presas nos escombros, de cadáveres em putrefação.

Segundo a Anistia Internacional, “as forças iraquianas e as da coalizão liderada pelos Estados Unidos” utilizaram armamento pesado “nas zonas urbanas de grande densidade populacional”.

Trata-se de uma escolha deliberada. Para o jornalista britânico Patrick Cockburn, presente em Mosul, “mesmo quando as bombas atingiam suas zonas-alvo, elas matavam frequentemente mais civis do que combatentes do EI”.

A barbárie do EI, como a de todos os grupos ditos jihadistas, incluindo os rebeldes “moderados” pró-estadunidenses, nada fica a dever àquela dos libertadores.

Refugiados no próprio país
Mosul, que tem oficialmente três milhões de habitantes, deixa centenas de milhares de sobreviventes na condição de refugiados em seu próprio país, sem a mínima esperança de recuperar suas casas destruídas, sem a menor perspectiva de reconstrução em curto prazo.

Seis meses após a “libertação” da zona leste de Mosul, o fornecimento de energia elétrica ainda não foi restabelecido, os servidores não recebem nenhum salário. Entre fevereiro e junho de 2017, cerca de 6 mil civis foram mortos em Mosul pelos bombardeios “aliados”.

A coalizão militar dirigida pelo exército estadunidense justificou sua existência até o momento pelo objetivo de “libertar” Mosul do EI. Uma vez tendo sido realizado o “trabalho”, a potência estadunidense acaba de anunciar que 5 mil de seus soldados deverão permanecer no local. O objetivo, sem dúvida, é afastar a presença do Irã, que faz parte ativamente da luta contra o EI no Iraque.

Outra intenção é acompanhar o mercado da reconstrução (700 milhões de dólares só em Mosul). Desde a primeira Guerra do Golfo, em 1993, todas as coalizões, todas as alianças, ao seguir o objetivo estadunidense de pulverizar o Iraque como nação, para melhor pilhar as riquezas, têm levado o inferno ao povo iraquiano.

A erradicação do EI é um episódio da guerra sem fim contra os povos da região. Essa guerra, que a cada ofensiva acentua a crise de dominação nas cúpulas do imperialismo estadunidense, mantém toda a região com medo permanente do futuro imediato e visa a aniquilar toda e qualquer perspectiva democrática.

François Lazar, do jornal francês “Informações Operárias”
Tradução de Cláudio Soares