Manifestação em hospital no Rio: “Fora Bolsonaro e seus generais”

Em 9 de maio, profissionais da saúde fizeram manifestação na entrada do Hospital Geral de Bonsucesso por ocasião da visita do ex-ministro Nelson Teich, que desviou-se, entrando pelos fundos.

“Nós estamos aqui fazendo uma manifestação sem aglomerações, para denunciar o projeto de desmonte da saúde pública, de ataques ao SUS, que neste momento de pandemia assume o caráter mais cruel, com incontáveis doentes e mortes evitáveis, enquanto o governo federal se omite de qualquer ação efetiva para prestar assistência às vítimas. Há poucos dias foi cancelada a compra de 15 mil respiradores. Não se trata de loucura ou incapacidade de um presidente. Se trata de uma necropolítica genocida que vitimiza as populações mais vulneráveis. Por isso, estamos aqui para dizer que continuaremos na luta em defesa da saúde e da vida do povo. Fora Bolsonaro e seus generais”, disseram os manifestantes em um jogral.

O maior número de enfermeiros mortos
A situação do sistema de saúde no Rio de Janeiro beira o colapso, com o maior número de enfermeiros mortos e afastados por contágio da Covid-19 no país, além da gravíssima falta de leitos. Em 15 de maio eram 29 mortes e 3.031 afastamentos de enfermeiros no estado.

A técnica de enfermagem Anita de Souza Viana, que trabalhava no Hospital Ronaldo Gazolla, morreu em Volta Redonda, sem conseguir vaga num hospital da capital.

“Está morrendo muita gente. Estamos lá para cuidar da vida das pessoas, mas temos família, é muito difícil. Morre gente da enfermagem, gente jovem. A situação só piora”, declarou Líbia Bellusci (35 anos), que é vice-presidente do sindicato dos enfermeiros (SindEnf). Ela está num quarto em casa, isolada da família: “Tenho um filho de quatro anos que chora na porta do quarto, falo que é pelo coronavírus que ele tem que ficar longe, é muito duro”.

Servidores também denunciam que centenas de leitos (1840 só na capital, segundo “O Globo”) constam como ‘impedidos’: não funcionam por falta de equipamentos ou de profissionais. Estão há dois meses sem receber profissionais de UPAs de Botafogo, Copacabana e Taquara, enquanto o secretário da Fazenda anuncia que servidores estaduais podem ficar sem salário a partir de agosto, caso não haja socorro da União.

Tiago Maciel