Marcha lenta no PT

Medidas de Bolsonaro pedem resposta coesa

Havia expectativa que a Executiva Nacional em 9 e 10 de fevereiro iniciasse a convocação do 7o Congresso do PT, anunciado pela presidente Gleisi, e tão necessário para discutir como agir no novo cenário.

A Executiva podia, ao menos, marcar o Plebiscito interno sobre a forma de eleição das direções (por voto em urna – PED – ou por delegados em encontros), terminando de regulamentar o processo no Diretório Nacional marcado para 22 e 23 de março. Mas as decisões foram remetidas ao DN. Portanto, não saiu uma proposta da instância a respeito, apesar de uma prévia “reunião de forças” convocada pela presidente, e duas reuniões da Comissão do Plebiscito com todas correntes. Isso porque o grupo do secretário-geral, Romênio (MPT), não queria decidir o que vinha da “reunião de forças” com a presidente que não reconhecia – mas sem explicar porque não compareceu à Comissão do Plebiscito.

Romênio foi apoiado pelo CNB. Assim, o trabalho da Comissão da Executiva com todas as chapas foi inviabilizado sem cerimônia numa combinação CNB/MPT, pela segunda vez seguida, pois em dezembro o DN descartou o trabalho de uma comissão de resolução política (v. OT 841). A colaboração dos dirigentes, tão necessária nessa conjuntura política, todavia, se dificulta.

Algumas falas do CNB sinalizaram que no Plebiscito defenderão o PED, com eleição nesse dia dos DMs e dos delegados nacionais em lista, contra, portanto, a eleição de delegados, como defende o Diálogo e Ação Petista, ao congresso estadual, que elegeria o Diretório Regional e os delegados ao Congresso nacional. Ali, com base na discussão política, se elegeria o DN. Para o CNB, a eleição do DN e dos DRs seria depois do Congresso em “nova” eleição direta (PED), mais para o final do ano.

Debates políticos Um dia da Executiva foi só de debate de uma avaliação eleitoral pelas pesquisas, por Marcos Coimbra (Vox Populi), e de análises de conjuntura pelo ex-presidente José Genoíno e o ex-ministro Aloísio Mercadante. O debate era preparatório ao DN, não originou uma resolução, apenas encaminhamentos.

A reforma da Previdência atravessou várias falas. O governador Wellington (Piauí) aprofundou a defesa anterior da reforma da previdência estadual – em parte já feita por Rui Costa na Bahia e por Camilo no Ceará -, agora defendendo que o PT entre com um substitutivo ao projeto de Bolsonaro, tal como o ex-ministro Nelson Barbosa pregou na imprensa. Isso, de fato, sinalizaria negociar e legitimar a decisão da maioria ultra-reacionária do Congresso. Mas várias lideranças do CNB e de outros grupos, propuseram diferente, atuar para derrotar e “enterrar” o projeto do governo. Alguns falaram de apresentar emendas em certos pontos ou para fazer obstrução, mas outros defenderam a Greve Geral contra a reforma.

Há, pois, um problema de sintonia e uma reunião da bancada na Câmara com os governadores na próxima semana, deve discutir um acordo para uma posição comum face ao projeto que será, então, conhecido.

Lula Livre

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Por iniciativa do CNB, apoiada pelo DAP, decidiu-se engajar mais o PT, através da Executiva, na campanha Lula Livre. Márcio Macedo, um dos vice-presidentes do PT, deverá representar o PT no Comitê Nacional da campanha, onde já havia alguns petistas, outros membros da Executiva devem se associar.

Várias intervenções destacaram o protagonismo e a responsabilidade do PT para ampliar a campanha, até aqui identificada com a Frente Brasil Popular que deve, claro, continuar com peso.

Uma comissão ampla da CEN se reuniu ao final com Gleisi, tirou propostas para o Comitê Nacional e também aprovou materiais e uma agenda própria do PT, inclusive com um tipo de Caravana Lula para espalhar e ampliar a campanha. Para tanto, o PT articulará a presença de entidades no Encontro Nacional Lula Livre, marcado para 16 de março no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, jogará peso nos atos em torno do 7 de Abril (1 ano da prisão de Lula) e criará Comitês por Lula Livre.

Por fim, Haddad explicou que continua, um mês depois!, sem saber o motivo e critica o método da decisão do PT ir a posse de Maduro. Gleisi respondeu que, na verdade, há uma divergência política que será objeto de debate e nota do DN. Até lá, vale a posição pública contra a intervenção imperialista.

RUI COSTA APÓIA PACOTE DE MORO!?

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), defendeu o projeto de “Lei Anticrime” anunciado dia 4 pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro: “No geral, o pacote tem o nosso apoio. Vamos trabalhar para a sua aprovação. Tem maior rigidez no combate ao crime organizado, embora não tenha dado tempo de ler todas as vírgulas” (sitio UOL, 04/02).

Não se tratam de “vírgulas”, mas do caráter reacionário desse projeto que conduz a um Estado policial.

Punitivista, ele autoriza os tribunais de 2a instância a encarcerar quem ainda pode recorrer. Pior, ele dá licença para matar a qualquer policial que, por “escusável medo, surpresa ou violenta emoção” invocar a legítima defesa no homicídio de civis. Ora, se hoje a polícia quase faz o que quer, imagine-se com essa “escusa” !!! (ver pag.9)

Juristas democráticos, estudiosos e advogados condenam esse projeto punitivista e regressivo de Bolsonaro-Moro.

É inaceitável que um governador do PT o defenda! Um seminário da bancada examinará o projeto, mas o mínimo é o PT enquadrar o governador.

Markus Sokol