México: após eleição fazer valer o mandato dado por 30 milhões

FILE PHOTO: The Pemex logo is pictured during the 80th anniversary of the expropriation of Mexico's oil industry at the headquarters of state-owned oil giant in Mexico City, Mexico March 16, 2018. REUTERS/Edgard Garrido/File Photo

Foi um verdadeiro “tsunami social” a eleição, com 54% dos votos, de Lopez Obrador para presidente do Mé­xico e a arrasadora maioria parlamentar conquistada por seu Movimento de Regeneração Nacional (MORENA). É o que afirma a resolução aprovada em reunião dia 4 de agosto dos Comitês de Diálogo Entre Trabalhadores e Jo­vens, agrupamento que luta por uma representação política independente e no qual intervém os militantes da seção mexicana da 4ª. Internacional no México.

A eleição foi dia primeiro de julho, mas a posse só ocorre cinco meses de­pois, dia primeiro de dezembro. Em vez de dobrar-se ao resultado – como exige a democracia – o atual governo de Peña Nieto, a “máfia do poder”, junto com governadores dos partidos submetidos ao imperialismo e que foram esmaga­dos nas urnas (PRI, PAN, PRD) acele­ram a aprovação em tempo recorde de medidas e contrarreformas destruidoras de conquistas e direitos sociais.

Por seu lado, Obrador anunciou 13 iniciativas que enviará ao Congresso.

A primeira é reduzir pela metade seu salário como presidente e de todos os altos funcionários do estado, incluindo juízes e parlamentares. Reafirmou ainda o compromisso de revogar a privati­zação da água e a contrarreforma do ensino público, em particular um tipo de “avaliação de desempenho” imposta por Peña Nieto que leva à demissão de professores. Também garantiu que irá reconstruir as principais empresas estatais como a Pemex (petróleo) e a empresa de eletricidade, que sofrem processo de desmantelamento.

Na presença de trabalhadores da educação, universitários, petroleiros, servidores públicos e jovens de diversas organizações políticas e sindicais, vin­dos de oito estados do país (Baja Cali­fornia, Chiapas, Chihuahua, Ciudad de México, Sonora, Durango, Tlaxcala), a reunião dos Comitês de Diálogo ma­nifestou apoio a essas medidas e con­sidera que “elas só podem ser levadas à prática enfrentando-se com a máfia do poder que, amplamente derrotada nas eleições, ainda sobrevive em governos estaduais e se apoia nas instituições e leis antidemocráticas do regime, além de contar com a sus­tentação do governo estadunidense”.

Para colocar em prática o mandato recebido dos 30 mi­lhões de eleitores, em defesa da plena independência na­cional e pela autênti­ca democracia – pros­segue a resolução – é preciso colocar na ordem do dia a “convocação de uma assembleia nacional constituinte soberana. É assim que se poderá em­preender as modificações institucionais necessárias para revogar as instituições, leis e medidas do regime do PRI e PAN.”

Além da batalha pela constituinte, os Comitês de Diálogo vão impulsionar o trabalho pela construção de uma repre­sentação política independente, dos tra­balhadores, e lutar pela independência e democracia nos sindicatos, buscando contribuir para expulsar o “charrismo” (pelegos) da vida sindical. Eles também passam a participar do CILI (Comitê Internacional de Ligação e Intercâmbio, formado em junho deste ano em Paris).

Para encaminhar essas e outras tare­fas os membros da mesa da reunião constituíram uma Coordenação que é aberta a “todos os grupos de compa­nheiros que concordam com as con­clusões da reunião e queiram ajudar a implementá-las”.

Correspondente