Militantes chineses são libertados após quinze meses de prisão

O Boletim do Trabalho na China, de 9 de maio, informa que cinco militantes operários bastante conhecidos voltaram para casa, mais de quinze meses após sua prisão durante uma batida policial coordenada em 21 de janeiro de 2019.

As famílias e os companheiros de Wu Guijun, Zhang Zhiru, Jian Hui, Song Jiahui e He Yuacheng confirmaram que os cinco militantes estão agora em segurança em suas casas e com boa saúde. Eles foram acusados de ter “reunido uma multidão para perturbar a ordem pública”. Após um julgamento a portas fechadas, Zhang Zhiru e Wu Guijun foram condenados a três anos de prisão com suspensão de quatro anos e Jian Huang, Song Jiahui e He Yuancheng a dezoito meses de prisão com suspensão de dois anos.

Pressupõe-se que os militantes foram libertados em 24 de abril, mas em virtude da epidemia contínua de Covid-19, eles tiveram que passar quatorze dias em quarentena antes de ir para casa.

Suas famílias não sabiam da liberação e nem que eles haviam sido condenados, até o seu retorno em 7 de maio. Elas tinham contratado advogados de defesa após a prisão dos cinco militantes no ano passado pelo Gabinete de Segurança Pública do distrito de Bao’na, em Shenzen.

No entanto, as autoridades fizeram uma pressão enorme para que demitissem seus advogados e aceitassem defensores públicos. Assim, as famílias não conseguiram obter informações em tempo oportuno sobre os seus processos.

Vários militantes ainda seguem presos
Embora a libertação destes ativistas seja uma notícia muito boa, convém salientar que vários outros militantes operários sofrem ainda alguma forma de detenção ou de restrição de movimentos, e nenhum dos liberados foi autorizado a retomar seu trabalho de assistência aos trabalhadores em dificuldades.

Os cinco militantes, agora libertados, tiveram um papel chave no movimento operário chinês durante a década de 2010.

O artigo do Boletim do Trabalho na China conclui: “Deve-se enfatizar que toda essa vitória foi alcançada sem a ajuda da Federação dos Sindicatos da China (ACFTU). Como destaca o diretor executivo do Boletim do Trabalho na China, Han Dongfang: “se o sindicato oficial chinês fosse mais inclusivo e tivesse colaborado com esses militantes da sociedade civil, os benefícios para os trabalhadores teriam sido ainda maiores. É uma lição importante que o sindicato ainda precisa aprender, e nós apelamos à ACFTU que faça exatamente isto, a fim de evitar sofrimentos desnecessários no futuro.”