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CORRENTE O TRABALHO DO PT

Não há o que negociar com os golpistas

16 de julho de 2017
aldo rebelo

Fora Temer, Fora Maia!

No momento em que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) vota o parecer que aceita a denúncia da Procuradoria Geral da República, para que o STF julgue o usurpador Temer por corrupção, as cartas estão postas na mesa.

Entre os golpistas, há setores que acham que Temer não será capaz de seguir as reformas, especialmente a da Previdência, nem o conjunto de duros cortes e ainda mais privatizações (Petrobras e Banco do Brasil, por exemplo, como acaba de propor o ex-ministro e banqueiro Armínio Fraga), que querem fazer. Temer está desmoralizado, é odiado, como revelam as pesquisas e, na perspectiva de eleições, há parlamentares golpistas temerosos por sua sorte. Parte deles, já se alinha com a “solução” Maia: tirar Temer para processá-lo por até 180 dias, deixando Maia governando e fazendo as reformas das quais historicamente o DEM é ainda mais “convicto” do que Temer do PMDB.

Daqui até lá, se der certo, ele fica. Se não der, ou volta Temer “absolvido” no STF, ou melhor, se faz uma eleição indireta com Maia presidente, negociada até com “partidos de esquerda”, como propôs o PSDB ao PT. O que poderia ser aceito pelo “pragmático” PCdoB. O PSDB, em particular, está bastante dividido nisso, que parece ser a carta da maioria, porque foi indicado por quem distribui as cartas, o “mercado”, principalmente financeiro.

Mas há também setores golpistas que não vêem um nome popular capaz de injetar autoridade ao cargo, muito menos Maia, e temem perder o já precário controle da situação em face uma onda inevitável de mobilização popular. E também porque a degola de Temer seria a antessala do julgamento de dezenas, senão centenas de parlamentares, governadores, ministros e prefeitos, no andar da Operação Lava-Jato, ao passo que a manutenção de Temer poderia, esperam eles, “estancar a sangria”.

Para tanto, os partidos PMDB, PP, PR e PSD aprovaram o fechamento de questão contra a denúncia de Temer em plenário, onde ele precisará do voto de um terço dos presentes para bloquear a denúncia. Na CCJ, mais de 20 vagas de nervosos deputados já foram trocadas, algumas várias vezes, tamanha é a desconfiança e o toma-lá-dá-cá.

Acabar com a podridão

Escolher entre Maia ou Temer, é escolher entre morrer afogado ou asfixiado, deixando de pé as falidas, podres e cambaleantes instituições da República.

A alternativa não é negociar um espacinho com os golpistas, uma margem ou uma boquinha mesmo, para sobreviver nesta podridão. O povo abandonará quem seguir este caminho.

Mais do que nunca, a única alternativa é a mobilização popular contra as reformas dos golpistas. E com essa base popular, consolidar a candidatura de Lula a presidente em eleições diretas, o quanto antes melhor, para que um novo governo convoque uma Constituinte que anule as medidas dos golpistas e abre caminho às reformas populares, agrária, urbana, política e do judiciário, entre outras.


Gleisi a Tasso: “Não precisa nos chamar”

Na quinta-feira, 6, o presidente interino do PSDB, Tasso Jereissati, propôs o presidente da Câmara,  Rodrigo Maia (DEM), para encabeçar a “travessia” para 2018 como substituto de Temer. E acrescentou “eu acho que o ideal é envolver todos os partidos, inclusive os de esquerda”.

Mas na sexta, 7, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, declarou que “Rodrigo Maia é tão ruim quanto Michel Temer, é farinha do mesmo saco, daquele pessoal que deu o golpe, tirou a presidente Dilma, e mais do que isso, está patrocinando os retrocessos contra a classe trabalhadora. Nós não vamos aceitar dizer que isso é uma transição. É ‘fora, Maia’ também”, disse Gleisi.

“Nós não vamos aceitar, portanto não precisam nos chamar para conversar. A oposição, o PT, não estará em uma mesa de conversa como essa. Só tem um jeito de consertar o País, é tirar Temer e fazer eleição direta”.

Segundo o Estadão (07/07), o senador petista Jorge Viana (AC) tem participado de encontros com o PSDB sobre como seria o cenário “pós-Temer”, onde atua “individualmente”, e não de maneira partidária.

Markus Sokol

 



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