“Não queremos fechar o ano letivo de qualquer jeito”

JRdoPT em ato junto dos professores estaduais em frente à CRE (Coordenadoria Regional da Educação) em SL/RS no dia 03/06. Créditos das fotos: Bruno Pereira

O governador Eduardo Leite (PSDB) apresentou um calendário de retomada de aulas, com a volta em cinco etapas, sendo a primeira em 1º de junho na modalidade EAD. O secretário de educação, Faisal Karam, diz: “não podemos penalizar [os] 85% que tem capacidade de acessar a rede”. Mas mentira tem perna curta: de acordo com a pesquisa do TIC Domicílios de 2018, metade dos 11,3 milhões de gaúchos não têm à disposição computador em casa, enquanto outros 31% não têm nem acesso à internet.

Para Carlo e Márcia, Coordenadores Estaduais da Juventude Revolução do PT (RS), “o governo não apresenta os meios para se ter aula à distância. Não somos contra atividades complementares, desde que seja garantido ter estrutura para estas atividades. A realidade é de extrema desigualdade social, de desespero, de fome. Antes de tudo, o estado deve garantir a alimentação destes estudantes”.

Aproveitando a pandemia para atacar
A proposta do governo do Rio Grande do Sul mostra descaso com os estudantes, principalmente mais pobres, e com a educação no geral, se aproveitando de um momento de vulnerabilidade para sucatear ainda mais a escola pública e, no futuro, tentar fechar mais escolas (como tentou no final de 2019) e demitir mais professores e funcionários. Esse mesmo descaso já é uma característica do governo Bolsonaro, que não toma atitudes eficazes para garantir a sobrevivência da população e nem liga para gigantesca desigualdade social existente no Brasil – muito pelo contrário, mantém os ataques aos direitos do povo e tenta privar os jovens do sonho de acessar o ensino superior, como se provou na tentativa de manutenção da data do Enem.

A resistência contra o sucateamento do ensino público e de qualidade deve continuar. É uma pauta a se levantar em atos e manifestações que retomam as ruas, a começar pela União Brasileira de Estudantes Secundaristas. Afinal, educação é coisa séria, como bem dizem os coordenadores da JRdoPT: “não queremos fechar o semestre letivo de qualquer jeito”.

Katrin