Novo Congresso, Ultrarreacionário

Os banqueiros e o “mercado” comemoraram o novo congresso eleito. No dia seguinte às eleições, a Bovespa subiu e o dólar caiu. Os especuladores consideraram que “o novo perfil do Congresso dará condições de apoio às reformas econômicas de Bolsonaro”.

Mantendo seu perfil majoritariamente privatista, anti-nacional, anti-trabalhadores e contrário aos serviços públicos, o Congresso conta também agora com uma bancada reforçada de extrema-direita (às custas da centro-direita, sobretudo).

Houve também uma desmoralização e, consequente desidratação dos partidos tradicionais das classes dominantes – MDB, PSDB e PTB perderam 71 deputados, quase metade de suas bancadas eleitas em 2014. Cederam lugar não apenas ao bolsonarismo extremado, mas também à uma fragmentação recorde, com 30 legendas (a maioria nanicas) representadas na Câmara. O que a tornará a composição de base aliada um balcão de negócios no varejo ainda mais escancarado.

O reacionarismo, que há anos sempre existiu, agora ficou mais explícito, com mais parlamentares, policiais, militares, e pastores caça-níquéis. Metade dos deputados eleitos é de milionários. Seu crescimento pode ser visto no gráfico acima, que mostra a evolução da composição da Câmara.

Congresso não representa o povo

O PT elegeu a maior bancada, com 56 deputados. Mas, as bancadas de todos os partidos (mais ou menos de esquerda) que representam uma base social popular e de trabalhadores, nunca ultrapassaram um quarto do parlamento federal. Mesmo no auge da popularidade do presidente Lula.

Isso mostra como é injusta e antidemocrática a forma de eleição de deputados. Os reacionários – com enormes financiamentos privados e com apoio (muitas vezes explícito) dos meios de comunicação – têm muito mais facilidade de se eleger. Ademais a eleição não é em lista programática, mas pessoal (vota-se na pessoa famosa, não no programa da chapa/coligação). E o voto de um cidadão de estados menos populosos vale mais do que os demais. É por isso, inclusive, que é tão necessário uma Constituinte para mudar tais regras injustas.

Em todo caso, fica evidente que, eleito, Haddad mal terá como governar com esse congresso reacionário e picareta. Menos ainda revogar as medidas de Temer ou aprovar medidas favoráveis aos trabalhadores e à soberania, como conta do Programa de governo.

Alberto Handfas