O PT e as coligações nos Estados

Pernambuco: Marília é rifada

Enredado nas conversas com o PSB e PCdoB, e prisioneiro da nova teoria do “campo progressista” como esdrúxula condição da vitória de Lula, a Executiva do PT votou por 2/3 (o DN recusou por 2/3 um recurso) a retirada da candidatura de Marília Arraes, em favor do apoio à reeleição do governa­dor Paulo Câmara do PSB.

Em troca, apenas, da “neutralida­de” do PSB na eleição presidencial, o que era para ter sido uma “coligação nacional” por Lula Presidente, como havia votado a Executiva Nacional há 2 meses (abaixo a “compensação” em MG). O Encontro Nacional do PT (04/08) recusou por maioria reabrir o tema, rifando a candidatura de Marília, aprovada pela esmagadora maioria do Encontro de PE.

Já na Convenção Eleitoral do PT-PE (05/08) as”forças” DAP, AE, EPS, PT Militante, Avante e um setor da CNB (Carlos Veras, presidente licenciado da CUT, deputada Teresa Leitão), reunidas com Marília, decidiram por uma chapinha pura do PT para proporcionais, para Marília se lançar a deputada federal, posição mente vitoriosa.

Esse grupo agora denominado “Re­sistência Petista”, decidiu não subir no palanque de Câmara ou fazer campanha para o PSB.

O DAP-PE, em plenária (07/08), com 27 militantes de Recife, decidiu levar à “Resistência Petista”, entre outras propostas, mobilizar o regis­tro da chapa Lula-Haddad dia 15 em Brasília; fazer campanha levantando “Lula Presidente com Constituinte”; não chamar a votar em Paulo Câmara; para senador, votar apenas no senador Humberto Costa (PT); formar um Co­mitê coletivo de campanha dos candi­datos do bloco; apoiar-se nos Comitês Lula Presidente e nas candidaturas proporcionais do bloco para montar palanque “independente” do PT.

Correspondente

Minas: Lacerda não apoiou 

A situação ainda é indefinida, apesar da direção trabalhar pelo acordo com o PSB, mesmo após a “coligação nacional” não dar certo. Marcio Lacerda, candidato a gover­nador do PSB, não acatou a decisão do PSB nacional de retirá-lo, registrou seu nome e aguarda decisão do TSE.

Alguns partidos, como o MDB, mantém um pé em duas canoas. Re­gistrou uma ata coligado com o PT na chapa proporcional, e outra ata com o PSB (onde tem a vice). Em nome de evitar o “isolamento” do governador Pimentel, a direção do PT deu as con­dições para mais esse desgaste.

No Encontro Estadual, o DAP pro­pôs alianças com base numa plata­forma de governo, comprometendo o próximo mandato de Pimentel, ao contrário do atual, com propostas que escapem da dita “inevitabilidade” da austeridade e da subordinação à dívi­da, para não jogar nas costas do povo e dos servidores a crise financeira do estado (há vários meses os professores recebem parcelado). Mas só o DAP trouxe propostas de plataforma… Sem isso, se votou uma ambígua “aliança com movimentos sociais, sindicais e todas as forças progressis­tas, excetuando setores explicitamente comprometidos com o golpe”. O que não impediu acordar com PRB, Pode­mos, PSC, PV etc. – exceto que Dilma, corretamente, disse que não sobe no palanque com o MDB, excluído, por isso da coligação na majoritária.

Correspondente

São Paulo: Com Marinho para vencer! 

O PT vai de Luis Marinho gover­nador (ex-presidente do Sin­dicato dos Metalúrgicos do ABC e da CUT, ex-ministro do Trabalho e Previdência, duas vezes prefeito de S. Bernardo).

A Convenção (28/7) oficializou a candidatura na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de S. Paulo, até agora domínio de Paulinho da Força Sindical. Mas seu presidente, Miguel Torres, com a ampla maioria da dire­ção, apóia Marinho e Lula, fato a ser saudado. Como disse um diretor do sindicato na convenção, “Dória veio aqui e mentiu para a gente. Marinho é dos nossos”.

A chapa tem Ana Bock como vice. Filiada desde a fundação, professo­ra da PUC, que “apesar de estar no ensino privado, tenho toda atenção voltada para a defesa das universida­des estaduais”.

Eduardo Suplicy e Jilmar Tatto são os candidatos ao Senado, em coliga­ção com o PCdoB.

Desde o seu lançamento, Marinho enfatizou que sua campanha busca recuperar a base social petista para desalojar os tucanos.

O programa de governo traz, entre outras propostas, dobrar o piso sala­rial dos professores. Na convenção, Marinho disse também que é preciso “acabar com a farra das Organiza­ções Sociais”. Caminho da vitória, delimitando-se nitidamente de Dória (PSDB), Skaf (MDB) e Márcio Fran­ça (PSB), numa campanha ligada à defesa de Lula presidente.

Correspondente

Ceará: Com Eunício não dá 

O Encontro de Tática (07/08) ve­tou a candidatura do PT ao se­nado, onde detém uma cadeira desde 2010. Este equívoco visa à reeleição do presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB), golpista e empre­sário das terceirizações, que votou as contrarreformas de Temer (um recurso ao DN não foi acolhido).

O atual governador Camilo Santa­na (PT) fez um acerto com Eunício. Mesmo sem coligação formal, com­pareceu à convenção do MDB onde declarou, “você é meu candidato ao Senado”. Presentes 9 dos 24 partidos que apoiam Camilo, formal ou in­formalmente, inclusive o DEM. No evento, dividido com a candidatura de Ciro Gomes, Camilo evitou decla­rar apoio a Lula, um escárnio!

Quase 40 petistas dos grupos DAP da capital, se reuniram depois e debatendo a situação criada, de­cidiram reforçar a campanha do PT a governador, levantando uma plataforma a Camilo, em linha com o programa de Lula: rever políti­cas do primeiro mandato, como a imposição da previdência privada complementar e a EC 88/2016 (teto dos gastos semelhante à EC 95 de Temer), cumprimento da lei do piso do magistério, retomar a valorização salarial dos servidores e recuperar as universidades estaduais.

O DAP destacou a candidatura Lula-Haddad com o os comitês Lula Presidente e, na falta de um candi­dato a senador, chama a “votar 13 e confirma”.

Correspondente

Mato Grosso: Aliança com PR?

A maioria da Executiva estadual, liderada pelo deputado estadual Barranco e o federal Ságuas (CNB), aprovou a coligação com o senador Wellington Fagundes, do PR (cen­trão), integrando ainda a chapa proporcional com PRB, PP, PTB, Podemos, PV e PCdoB.

Segundo Barranco, o presidente estadual, Wellington garantiu apoio a Lula ou quem ele indicasse. Mas nem antes nem depois da decisão, ele não deu uma única declaração em defesa mesmo da liberdade para Lula.

Por maioria também (9 a 8 votos), a Executiva Nacional validou a retira­da da candidatura própria do PT que animava a militância, a professora Edna Sampaio, defendida por um setor do CNB, juntamente com o DAP, MS e AE.

A coligação com o senador do agronegócio, golpista que vota tudo com Temer, revoltou a militância ligada aos movimentos sindicais e populares, que se perguntam se o PT não aprendeu com seus erros?

Muitos apoiadores da candidatura própria estão, agora, avaliando essa decisão, e uma opção é votar no 13, mantendo a unidade na luta pelas reivindicações populares, na cam­panha por Lula presidente e pelos parlamentares do PT.

Correspondente