Pandemia no Brasil e no mundo

Com o governo Bolsonaro não dá!

Artigo publicado em 2 de abril

Bolsonaro e a equipe são erráticos e repulsivos – tem de ser removidos. Mas não é certo que o mundo faz a coisa exata enquanto Bolsonaro faz errado. Isso nos alerta para as forças sociais que podemos contar para enfrentar o coronavírus, o qual acelerou a crise capitalista anterior.

O próprio ex-presidente do banco Goldman Sachs, Paulo Leme, disse (OESP 15/03) em resumo que “a pandemia acelera tendências de antes, seria necessária a intervenção ousada e coordenada dos governos, sanitária, monetária etc., mas não há. As autoridades não lidam com a situação de forma eficiente e o mercado fica desancorado. Nos momentos difíceis os EUA sempre tiveram o papel de liderança e a credibilidade de conduzir, o que hoje não têm. Por isso cada um tenta resolver por si, e o mundo ficará à deriva por um tempo”. Ele não questiona o sistema que, com todo o morticínio, espera que volte a funcionar!

Os Bancos Centrais injetaram trilhões, não adiantou, as Bolsas desabaram. A TV mostra cenas de barbárie nas cidades mais aparelhadas do mundo, onde, depois do brutal corte de leitos sociais que seguiu a crise de 2008, hospitais escolhem quem vai morrer.

A tônica é a “união nacional” com os governos, para integrar os sindicatos e os partidos de oposição na preservação das empresas e do patrimônio privado (a ordem burguesa). O mundo vai ao confinamento pregado pelos cientistas. Mas em geral se mantém fábricas não-essenciais funcionando e não proveem equipamentos de proteção. Se decreta tipos de “estado de emergência”, põe o exército e polícia na rua, restringem liberdades etc. Quando seria necessário a coesão consentida pela confiança na representação – para aplicar medidas radicais de emergência -, a requisição de bens privados e a reconversão industrial para garantir os equipamentos de saúde.

Quem vai aplicar as medidas?
Bolsonaro se mostra irresponsável com medidas atrasadas e pífias. Com avanços e recuos, tenta passar decisões antidemocráticas e desregulamentadoras para atrair o patronato. Parece disposto a usar o caos na economia e na saúde para se impor, na escalada bonapartista autoritária que vem desde a posse. Depende de arrastar os militares e da passividade da oposição.

Governadores e prefeitos sob pressão adotam medidas de isolamento, mas mantém a maioria das fábricas. Faltam respostas nas periferias e bairros populares sobre merenda e cesta-básica, o próprio isolamento num cômodo onde moram 5 ou 6 não é evidente. Mas sem o governo federal que garantia – mesmo os do Nordeste – podem dar sobre máscaras, testes em massa, novos leitos e aparelhos de respiração?

Sim, é preciso defender empregos, salários e a extensa pauta sanitária de exigências das entidades. Mas atenção, no Brasil se pergunta “quem vai aplicar”? Os governadores Witzel, Zema ou Dória? Bolsonaro aplicará as medidas da CUT e do PT?

As janelas têm a palavra
Por isso o protesto nas “janelas” integra um sentimento popular maior. São a forma limitada de mobilização social possível. Começou espontânea antes da entrevista do ministério dia 18, sufocou o contra-panelaço e continuou chegando mais leve à periferia.

Ecoa Fora Bolsonaro, Assassino e outros gritos, mas ninguém pede Maia ou Mourão.

O pêndulo da classe média se moveu. Uma parte do patronato hesita sobre um acerto institucional, outra parte se agarra no governo. O fato é que não há como, com esse governo, nem aliviar a pandemia.

Janaina Paschoal pediu a renúncia para Mourão assumir (“não há tempo para impeachment”, demora de 4 a 6 meses). Antecipar as eleições presidenciais – como fazer campanha eleitoral e votar em meio à uma pandemia? A Rede Globo saberia, com Maia e o TSE governando.

Mas esperar 2022, como o PT, cria um vazio perigoso. Que pode ser ocupado por um tipo de “união nacional” com Maia e governadores, talvez as centrais sindicais e a oposição – um desastre.

A hora é de exigências de proteção do povo aos poderes do Estado, ressaltando o Fim do governo Bolsonaro para conquistá-las.

É hora de apoiar as formas coletivas de luta dos setores que, consultados, queiram parar por falta de proteção ou para se preservar, iniciativas nos bairros por proteção e distribuição, na medida em que a crise se expande. Muitos não têm reservas e podem gerar explosões e saques. Onde o povo buscar solução, ajudar a organizar.

É hora de reunir as condições embaixo e por cima, para construir uma saída política independente que valha à pena, da qual o PT e Lula deviam estar à frente.

Markus Sokol