Petroleiros: a greve acabou, a luta continua

Após 20 dias de greve nacional – iniciada em 1º de fevereiro pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) contra as demissões na Araucária Nitrogenados (ex-Fafen) em Araucária (PR) e exigindo negociação com a empresa que violava o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) – as assembleias dos 13 sindicatos filiados decidiram suspendê-la, diante da abertura de negociação via Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Com a greve suspensa, a Petrobras, mantendo as demissões, propôs indenizações maiores e manter os planos de saúde e de apoio educacional por dois anos. A indenização pode chegar a R$ 490 mil, dependendo do tempo de trabalho e remuneração do empregado, valor válido só para os que não recorram à Justiça contra a empresa, senão o valor máximo seria de R$ 210 mil.

A FUP submeteu essa proposta aos trabalhadores da ex-Fafen, que a aceitaram como uma imposição da Petrobras, ao mesmo tempo que propôs a todas as suas bases manter-se em estado de mobilização, pois a mesa de negociação continua sobre outros pontos do ACT.

Uma greve que enfrentou o governo e o TST
A greve se estendeu em todo o país, parando refinarias, plataformas e terminais da Petrobras. Uma comissão da FUP ocupou uma sala no edifício sede no Rio de Janeiro para exigir negociação. Ela deixou a nu a truculência da direção da Petrobras, nomeada por Bolsonaro, para facilitar o plano do governo de entrega de estatais e empresas mistas controladas pela União à privatização.

De início, o ministro do TST, Ives Gandra, decidira que os grevistas deviam retornar ao trabalho e autorizou a Petrobras a demitir, além de impor pesadas multas aos sindicatos. Mas os petroleiros mantiveram a greve que se ampliou, arrastando inclusive sindicatos da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).

Diante dessa determinação da categoria, o ministro do TST foi obrigado a recuar e abrir uma mesa de negociação. Mas se manteve a decisão da Petrobras de fechar a fábrica de fertilizantes e a demissão dos seus 396 empregados diretos,  recusando a proposta da FUP e Sindiquímica-PR de transferi-los para outras unidades.

A greve petroleira foi a principal expressão da resistência dos trabalhadores à política do governo Bolsonaro neste início de ano, despertando a solidariedade de outros setores. A CUT poderia ter agido de forma mais efetiva no apoio à greve, chamando ações de solidariedade em toda a sua base. Sozinhos os petroleiros fizeram o que foi possível numa greve que obrigou o TST a recuar e a Petrobras a sentar na mesa de negociação.

Por fim, a Assembleia Legislativa do Paraná aprovou a ida de uma comissão de deputados até a direção da Petrobras para rediscutir o fechamento da fábrica de Araucária. A luta continua!

João B. Gomes