PM paulista promove massacre de jovens

Na madrugada de sábado para domingo, 1 de dezembro, milhares de jovens se divertiam, como fazem semanalmente, em um dos maiores bailes funk da cidade de São Paulo, o baile da 17, quando de repente foram surpreendidos por uma investida da Polícia Militar do governador João Dória (PSDB). A PM entrou na comunidade Paraisópolis onde acontecia o baile e começou a reprimir brutalmente os jovens que participavam da festa, matando nove pessoas, entre 16 e 23 anos, e deixando muitos feridos.

Moradores desmentem versão oficial
A versão oficial da polícia de que os PMs entraram na festa devido a uma perseguição ocorrida nas redondezas do baile foi desmentida pelos próprios moradores. Eles afirmaram que semanas antes do massacre a polícia já vinha fazendo ações dentro de Paraisópolis e que áudios divulgados no WhatsApp já falavam da possibilidade de uma repressão policial na próxima festa. Os moradores também afirmam que no dia do massacre a polícia já entrou no baile atirando nos jovens e jogando bombas de gás lacrimogênio. Como grande parte dos frequentadores do baile vêm de outros bairros e não conhecem o local, acabaram buscando refúgio contra a ação da PM em um beco sem saída e foram asfixiados pelas bombas.

O terror policial dentro das favelas é uma situação comum, além de assassinar a juventude negra e pobre, como foi o caso do jovem Lucas de apenas 14 anos que teve o corpo encontrado em um parque municipal de Santo André após testemunhas terem visto viaturas da polícia militar desapareceram com o corpo do jovem.

A Polícia Militar é usada como instrumento no extermínio da juventude negra e periférica, a quem é negado o direito ao emprego, educação, cultura e lazer. Em um período de 20 anos, o número de jovens negros assassinados aumentou 429%, ante 102% de jovens brancos segundo uma pesquisa realizada pela fundação Abrinq.

O massacre de Paraisópolis causou indignação e várias manifestações de protestos estão marcadas. Na noite do domingo dia 1, em protesto nas ruas de Paraisópolis os jovens moradores da comunidade gritavam: “não acabou, tem que acabar, eu quero o fim da Polícia Militar.”

João Santana