Preparar para um ano de polarização

Está terminando 2019, primeiro ano de um governo autoritário e entreguista que se instalou no Planalto, com os auspícios das podres instituições, da mídia e das classes dominantes que, sob a batuta do capital financeiro, promoveram o golpe de 2016 destampando o esgoto de onde surgiu Bolsonaro e sua escória.

Um ano de um governo cuja “missão” dada pelos poderosos, de fora e dentro do Brasil, é esfolar a carne do povo trabalhador e depois oferecer, em banquete, nossas riquezas ao insaciável apetite do imperialismo.

Foi o que começaram a fazer nestes doze meses. A reforma da Previdência, os ataques à educação, o desmantelamento da Petrobras, a investida contra a Amazônia, a pauperização acelerada do povo, a destruição de direitos com a precarização brutal nas condições de trabalho, os ataques à cultura, a violência…. Foi para isso, e muito mais, que Bolsonaro e sua escória – os “doutos” Moro e Guedes e generais estrelados incluídos – foram promovidos a governo.

Mas um fantasma ronda toda esta corja. O fantasma da resistência e da luta do povo trabalhador contra a espoliação imperialista.

“Nós estávamos em um caminho. E aí, de repente, começa a confusão na América Latina (…) e o Lula sai da cadeia e fala ‘vamos fazer igual no Chile’.” disse Paulo Guedes (O Globo, 1/12), referindo-se ao discurso de Lula em São Bernardo no dia 9 de novembro “a gente tem que seguir o exemplo do povo chileno”.

Sim, por certo a luta do povo brasileiro tirará lições da experiência da luta do povo chileno e dos demais povos do continente. Dos povos que se levantam porque querem viver, e não só na América Latina, como ficou demonstrado nos exemplos dados no Comitê Internacional de Ligação e Intercâmbio (veja nesta edição).

Mas, não tenhamos dúvida, Bolsonaro e sua escória se preparam para espantar o fantasma, a luta do povo, com mais ataques à democracia. Sua proposta de introduzir a Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para as reintegrações de posse no campo é apenas um exemplo. Por isso é preciso ter clareza e firmeza. O Partido dos Trabalhadores, que pode conduzir a luta do povo brasileiro, “seguir o exemplo do povo chileno”, não pode perder de vista que toda sua ação deve estar orientada para reforçar a luta pelo fim do governo Bolsonaro. Este passo o 7º Congresso do PT (22 a 23 de novembro) não deu. A discussão continua.

Por outro lado, o Congresso acertou ao adotar a decisão de prosseguir a luta por Lula Livre, na acepção plena do termo: anulação de todos os processos contra ele. Pois esta perseguição a Lula, comandada por um Judiciário podre e seu juiz Moro – que pretende que massacres como o dos jovens da favela de Paraisópolis sejam legalizados – concentra toda a engrenagem montada pelas instituições que levou Bolsonaro e sua escória ao governo.

O ano de 2020 será do confronto entre as forças que pretendem subjugar o país à ganância do lucro dos poderosos do mundo e o povo que quer viver. Sim será um ano polarizado entre interesses opostos e o PT tem todo lugar a ocupar ao lado da luta do povo.

O Diálogo e Ação Petista realiza em 15 de dezembro um encontro nacional. Para fazer o balanço do 7º Congresso e dar os meios aos grupos de base do DAP, discutindo e agindo como o PT agia, ajudar para que em 2020, com o concurso decisivo do PT, a luta do povo brasileiro ponha um fim na escalada destruidora que assola o país.