Previdência: governadores petistas fazem vexame. PT tem que fechar questão

A reunião do chamado Fórum dos governadores foi convocada no dia 11, na semana da entrega do Relatório da Comissão da Reforma da Previdência de Bolsonaro, convenientemente no dia 13, véspera da greve geral do dia 14. O governo armou um circo para desmontar a resistência ao inegoci­ável projeto de redução de diretos.

O governador Dória (PSDB), de São Paulo, disse que os governadores queriam incluir os Estados e municí­pios na reforma, e certas condições. Jogo jogado: o deputado relator (Mo­reira, PSDB) tirou da PEC a capitali­zação individual, mudanças no BPC e na aposentadoria dos rurais, além de parte da desconstitucionalização. Tudo que “desidrataria” a PEC e faci­litaria a certos sindicalistas da UGT, Força Sindical e outros, pularem fora da greve.

O vexame foi no JN da Globo – que a Globo News repetiu-, o governador Welligton (PT) do Piauí, exultou: “a partir daí, criamos ambiente de entendimento para que possamos ter um texto capaz de ter maioria no Congresso”. Ao El País disse “tiramos o bode da sala, agora, há condições de apoiarmos a reforma”. Sim, um governador do PT falando de fazer maioria com os deputados pró-Bolsonaro, sobre a PEC contra a qual os sindicatos preparavam a greve geral! Como é possível?

Não é hora de vacilar: se preciso, fechar questão

Rui Costa (PT), governador da Bahia, “se colocou à disposição do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, no sentido de construir um acordo desde que sejam retirados temas já explicitados, o texto atual não é bom”. Mas dois dias depois, Camilo Santana (PT), governador do Ceará, ainda se confirmava “disposto a apoiar a medida” (blog O Povo, 13/06).

O problema é grave. Apesar das direções e dos líderes das bancadas do PT e partidos de oposição se rea­firmarem contrários ao Relatório – o que é muito positivo -, alguns governadores do PT não se retificaram, o que causa confusão. E basta alguns poucos votos de deputados, empur­rados pelos governadores na última hora, para fazer a diferença e causar uma desgraça.

Se os governadores não mudam de atitude, fechar questão no voto (dis­ciplina de bancada) numa reunião formal do Diretório Nacional do PT, pode ser necessário para o partido manter seu compromisso com a luta dos trabalhadores.

Markus Sokol