Que país é este?

No último domingo, 7 de abril fez um ano a criminosa prisão política de Lula.

Os podres poderes que encarceraram Lula não precisaram de provas para condená-lo. Precisaram apenas de convicção. A convicção dos representantes dos interesses do capital financeiro para avançar no Brasil a avassa­ladora onda de destruição de direitos e roubos das riquezas nacionais. A convicção de que é preciso eliminar qualquer vestígio de organização própria da classe trabalhadora, a única capaz de fazer frente à barbárie que o capitalismo ameaça empurrar a humanidade.

A barbárie: no mesmo dia 7, um traba­lhador, Evaldo, dirigia-se com sua família, na cidade do Rio de Janeiro, para um chá de bebê. Negro, Evaldo foi assassinado por membros do Exército, com 80 tiros dados “por engano!”. Mais uma barbaridade, em particular contra o povo pobre e negro, de membros das Forças Armadas a quem se atribuiu a segurança pública!

Que país é este?

Este é o país que se avizinha com o Brasil entregue, pelas classes dominantes incapa­zes de se fazer representar, a um aventureiro cercado por escroques e que se sustenta na ocupação do Estado por membros das Forças Armadas e no Poder Judiciário.

Mas este é também o país onde a classe trabalhadora, com suas organizações, de­monstrou no dia 22 de março, que está em pé para resistir

No dia 7 de abril, em todo o Brasil e em vários países do mundo, milhares saíram às ruas para exigir a libertação de Lula. Foi a expressão da convicção, com fartas provas dadas nestes 100 dias de governo Bolsonaro, que a manutenção da prisão de Lula é chave na engrenagem para avançar contra a demo­cracia e acabar com os direitos, a começar pela destruição da Previdência.

Agora é multiplicar os Comitês Lula Livre, integrando a luta para derrotar o projeto de destruição da Previdência, de autoria do ca­pital financeiro e entregue ao Congresso por Bolsonaro. Este é o combate que grupos de base do Diálogo e Ação Petista vão levar no próximo período.

Centrais sindicais, sindicatos e o PT inicia­ram uma campanha com um abaixo-assinado dirigido aos deputados para que votem não à PEC. Sabe-se que a maioria deste Congresso não representa os interesses da maioria povo.

Mas, uma forte pressão popular pode colocar pedras no caminho da pretensão do gover­no de entregar aos especuladores, sedentos para colocar os recursos das aposentadorias na ciranda financeira, no prazo previsto: o quanto antes!

As primeiras iniciativas de coleta de assi­naturas indicam que o povo está atento, e não está disposto a abrir mão de direitos. Boa parte dos que votaram em Bolsonaro, intoxicados pela mídia, pelas ações e dis­cursos políticos de membros do Judiciário, pelos partidos oficiais da burguesia que não conseguiram manter-se no páreo nas eleições de 2018, começam a se dar conta. A cada dia, as novas estripulias do aventureiro e seus escroques, visa jogar uma verdadeira cortina de fumaça sobre seu objetivo que é abrir a artilharia contra os direitos da maioria trabalhadora.

O trabalho com o abaixo assinado permite dialogar com o povo, nos locais de trabalho, nas praças, nos bairros e ir amadurecendo as condições para que, mais à frente, todos juntos, com as organizações da classe pos­sam, através de uma greve geral, colocar uma pá de cal na ofensiva contra a conquista da classe trabalhadora brasileira que representa a Previdência Pública e Solidária. Este mesmo movimento pode amadurecer as condições para a libertação de Lula. Mãos às obras!