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CORRENTE O TRABALHO DO PT

“Se Dilma não mudar, o partido tem que rediscutir a relação com ela”

1 de novembro de 2015
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Depois da Reunião do Diretório Nacional do PT, no dia 31 de outubro, na Reunião do Diálogo e Ação Petista na Baixada Santista – SP:

“Lula disse ao PT esta semana, o contrário do que sugeriu à CUT há duas semanas; aonde vamos parar”?

Em setembro, o país já tinha 1,3 milhão de desempregados a mais do que um ano antes, disse Markus Sokol, membro do Diretório Nacional do PT, “é o resultado de 10 meses de Plano Levy”, completou. Ele esteve em Santos, no dia 31, em debate promovido pelo Diálogo e Ação Petista (DAP).

Neste cenário está a Baixada Santista, com o anúncio da desativação de alto-fornos na Usiminas, em Cubatão, que trará 1.800 demissões de trabalhadores diretos que, somados aos terceirizados, podem chegar a 4 mil.

Na subsede da Apeoesp, o economista Sokol falou para um grupo de petistas e simpatizantes sobre os desdobramentos dos ajustes fiscais, os prejuízos para a classe trabalhadora, e apontou caminhos para o governo Dilma e o Partido dos Trabalhadores.

Ele explicou que os governos Lula e Dilma, depois de terem acreditado, no começo da crise capitalista mundial, que aqui ela seria uma “marolinha”, esquecendo que havia uma breve situação favorável à exportação de commodities no continente, os governos não se prepararam e não preparam o povo para a virada da conjuntura.

“Ao contrário, mesmo se era evidente a mudança de fundo desde 2013, com queda de exportações, desemprego na indústria e descontentamento social, insistiram nas desonerações e outras medidas do tipo, criando um rombo orçamentário sem reverter o desemprego, enquanto na campanha eleitoral afirmavam que não fariam cortes nem mexeriam em direitos”.

Deu no que deu. Uma conseqüência foi ir fundo nas “pedaladas fiscais” para manter os programas sociais, com manobras contábeis para aparentar um superávit primário, ao invés de reconhecer o déficit e comprar a briga do seu financiamento, taxando os ricos e a remessa das multinacionais, “questionando o próprio critério do superávit primário como norte da política econômica”, avalia Sokol.

Mas a oposição aproveitou para tentar criminalizar o governo, mesmo outros governos “pedalaram” para outros fins.

Superávit primário

Na política de ajuste para fazer superávit primário, não pode “pedalar”, tem que alimentar o caixa para pagar os juros da dívida pública aos bancos. “O que sobra, vai para programas como o Minha Casa, Minha Vida, por exemplo. Equivale ao cidadão que recebe o salário, primeiro pagar as contas e, com o que sobrar, faz a feira. ”

Levy pôs o país numa espiral. “Com cortes e redução de direitos, o país entrou em recessão. Com a recessão, caiu a arrecadação de impostos. Com menos para gastar, o governo quer fazer ainda mais cortes para preservar a meta do superávit primário”.

Como ao mesmo tempo os juros subiram, o valor total da dívida pública indexada nesses juros aumentou o valor a pagar. “É como enxugar gelo”, se revolta Sokol, “este ano vamos ter um déficit fiscal de duas a quatro vezes maior do que em 2014, embora paguemos de juros duas vezes mais do que no ano passado! ”

Proposta de  MichelTemer

Para alimentar o superávit, Renan trouxe a Agenda Brasil, um ajuste mais fundo, estrutural, que não chegou a vingar. “Agora, Michel Temer lança uma proposta ainda pior de ajuste estrutural, que inclui acabar com o regime da partilha do pré-sal, com as verbas “carimbadas” (percentuais orçamentários garantidos para áreas sociais), elevar a idade mínima da aposentadoria e acabar com a política de reajuste do salário mínimo”.

Corretamente, o presidente da CUT, Vagner Freitas, já recusou estas medidas, e até perguntou “o que o PMDB está fazendo no governo? ”. Temer sendo vice-presidente. O PT não se pronunciou.

“O PT precisa dizer o que tem que ser dito”

No Congresso Nacional da CUT, Lula criticou o ajuste, até disse que o país não agüentava “nem mais uma semana discutindo cortes”. Mas esta semana foi ao Diretório Nacional do PT defende-los. Chegou a dizer que a “prioridade no Congresso é votar as medidas do ajuste”, a tal ponto que sugeriu que mexer com Cunha, presidente da Câmara, atrapalharia a urgência das votações do ajuste. Isso seria necessário para “ganhar a confiança dos investidores”. O que viria depois, para Lula, são “medidas de crédito”.

“É lamentável a principal liderança popular do país ‘buscar a confiança dos investidores’, quando está perdendo a confiança dos trabalhadores. Não sou eu quem diz. O PT perdeu as eleições no 1º turno nas cidades operárias, como aqui, e as pesquisas agora, não estão melhores, ao contrário”.

Quanto às medidas de crédito, Sokol explicou porque não resolvem: “numa recessão, com a ameaça de desemprego, quem vai querer se endividar ainda mais? Com a baixa lucratividade, as empresas não se animam a investir. Mais do que nunca é o investimento público somado à baixa dos juros que podem fazer a diferença”.

Para Sokol “a situação é gravíssima”. O Diálogo Petista publicou um ‘Manifesto de Alarme’ aonde propõe outra política, com a derrubada dos juros, a centralização do câmbio e o fim do superávit primário. Nesta trilha, o governo poderia se voltar para recuperar a indústria que, há quatro anos, só demite. Livre da ditadura do superávit, poderia finalmente avançar nas reformas populares, com políticas de defesa do emprego e combate à terceirização.

Inclusive o governo deveria intervir na Usiminas (antiga Cosipa, privatizada com apoio financeiro do BNDES) com propostas efetivas de defesa dos empregos e, se for preciso, reestatizar, como acho que se coloca se a empresa não voltar atrás nas demissões e o movimento encarar esta saída”.

Uma coisa é certa, um consenso ao final do debate: o PT deve se pronunciar claramente.

“É inaceitável a grosseria de Dilma em Estocolmo, destratando Rui Falcão e assim o PT, quando ele vocalizou com muita moderação, aliás, o sentimento mais forte dos petistas contra a política do ministro Levy, que Dilma disse que apóia”. Ainda mais, esta semana, o governo aprovou uma lei-antiterror que ataca os movimentos populares, contra o voto da bancada do PT no Senado, por recomendação de Levy, para não perder nota nas agencias de risco”.

E propôs uma reflexão: “Dilma tem que mudar o curso da economia. A situação é de alarme. Se ela insistir em não mudar”, diz Sokol, “então, o PT é que terá que rediscutir a relação com ela”.

O debate (resumo):

Marta: “Minha esperança durante a campanha da Dilma era o dinheiro do pré-sal poder aumentar o salário do professor. O governador Alckmin entrega para a iniciativa privada o que a gente constrói com dinheiro com dinheiro público”.

Glauco se queixa da situação das empresas de comunicação, que ganham muito dinheiro e recebem desoneração fiscal.

Bárbara: “O capitalismo tira dos de baixo. Os EUA só não estourou, porque tira dos países da Europa e da América Latina.”

“Comprei casa com o Minha Casa Minha Vida e sou fruto do Prouni. Por que mexer no que está dando certo? ” – indaga o professor Absolon.

Newton, fundador do PT, lamenta o afastamento de seus compromissos históricos. “Os sindicalistas do partido, quando chegam ao parlamento, se acomodam. E não é admissível um governo petista aceitar o superávit primário. Enfim, dá para salvar o PT? ”

Djalma comenta a situação de Cubatão. “Vemos uma série de movimentos de desempregados. A prefeita de Cubatão, Márcia Rosa (PT), sinalizou que a crise pode refletir nos servidores, chamou uma reunião de prefeitos da região e que irá à Brasília para buscar saídas. A arrecadação do município caiu e precisamos discutir saídas. Penso, inclusive, em levar essa discussão junto com o DAP na cidade”.

Resistência contra demissões e Encontro de Sindicalistas

Estava prevista para o dia 3 uma reunião entre sindicalistas da região, em Santos, para discutir a resistência às demissões na Usiminas, cujos sindicatos são filiados à Força Sindical e à Intersindical.

“Essas reuniões acho que devem ser acompanhadas, e também articuladas com os companheiros da CUT. Quanto à prefeita Márcia Rosa, é bom o que disse, e é importante ajudá-la, pois pode ser um ponto de apoio para os trabalhadores”, disse o dirigente nacional.

Na conclusão, Sokol destacou que no dia 27 de novembro acontece, em São Paulo, o Encontro Nacional de Sindicalistas do PT. Sokol acha que será uma oportunidade para discutir a situação do país e do partido, eventualmente o desenvolvimento da própria questão da Baixada Santista, e reunir forças para mudar o rumo da política econômica e resgatar as bandeiras do PT.

“Desde já”, terminou Sokol, “convido todos a se agruparem conosco nos grupos de base do DAP para agir como o PT agia, como na defesa do emprego na Usiminas e no apoio ao Encontro de Sindicalistas”.

 

Colaborou: Solange Santana



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