Sem ministério, nem proteção

O Brasil é o 2º país com mais casos no mundo, com recorde de novos óbitos a cada dia!

As mortes se multiplicam, o Ministério da Saúde fica sem ministro e é dominado por militares e o presidente segue sua política criminosa.

No dia 15 de maio, o então Ministro da Saúde por menos de um mês, Nelson Teich, pediu demissão. Isso depois de ser tomado de surpresa ao receber a notícia, em plena entrevista coletiva, da liberação de mais setores como “essenciais” por Medida Provisória de Bolsonaro: academias, barbearias e cabelereiros! No mesmo dia 15, Bolsonaro anuncia que o Protocolo de Tratamento será alterado para liberar a medicação Cloroquina precocemente. O faz na contramão de entidades e associações médicas e sindicais, que questionam a medida e o uso de medicação sem comprovação. Estudos em todo o mundo, cada vez mais abrangentes e mais confiáveis, apresentam resultados negativos e contestam esse medicamento, que possui efeitos colaterais graves, inclusive parada cardíaca.

Para aprofundar a subserviência desse Ministério, tem-se notado a prática da troca acelerada de funcionários por militares: pelo menos 18 cargos estratégicos da saúde foram repostos por militares nas últimas semanas. E há denúncias de que ele já era  comandado pelo nº 2: General Eduardo Pazuello, cotado para assumir de vez. Em pronunciamento on-line na Assembleia Mundial da Saúde, esse General omitiu a gravidade da pandemia no país, e mentiu ao falar de um “diálogo existente entre os três níveis de governo e de ajuda ao Norte e Nordeste”, citando até a mudança no Protocolo de Tratamento como sendo “baseado em evidências”!

Dia da Enfermagem: 130 mortos!
Nessa mesma semana, a Enfermagem costuma todos os anos celebrar seu Dia (12 de maio). Porém, 2020 foi marcado pelo Ato em Brasília na Esplanada dos Ministérios, registrando os trabalhadores de enfermagem mortos. O protesto também foi uma forma de pedir melhores condições de trabalho: “A Enfermagem está morrendo, mas não é de hoje. Há muitos anos, jornadas exaustivas de trabalho, salários defasados e aposentadorias injustas deprimem e matam milhares de profissionais da categoria. O país não pode continuar condenando à morte quem trabalha para salvar pacientes. Profissionais da Enfermagem não podem continuar a ir à guerra, sem armas para lutar e se defender”, relata enfermeira Fabiana Sena no ato.

Retrato desse descaso são os números: no mundo são registrados 260 óbitos de profissionais de enfermagem, e o Brasil lidera com 130 mortes! “Um dos fatores para a alta mortalidade é que boa parte dos serviços de Saúde não afastou profissionais com idade avançada e com comorbidades. Eles continuam atuando na linha de frente da pandemia quando deveriam estar em serviços de retaguarda ou afastados. Outro problema enfrentado é a falta de equipamentos de proteção individual os EPIs. Não apenas a escassez desses produtos, mas também a qualidade do material é questionável” afirma Manoel Neri, presidente do Conselho Federal de Enfermagem -Cofen.

Para livrar a cara de sua responsabilidade, Bolsonaro baixou a Medida Provisória 966, um salvo conduto para seus atos criminosos, como o uso sem controle de medicamentos não comprovados cientificamente como a Cloroquina, da omissão por não proporcionar ventiladores e leitos de UTIs para todos, nem EPIs para os trabalhadores.

Juliana Salles